quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O amor


Vai lá, vai pedir por amor. Suplicar amor. Rejuvenescer amor. Pagar o amor à prestação. Dividir em 12 meses. Contratar o amor. Pagá-lo à vista.  Oferecer o amor em troca de amor. Trocar amor por mais amor. Doar amor por outro amor.  Vender amor no sinal. Fazer malabarismo com o amor.  Jogá-lo para cima. Jogá-lo para baixo. Colocá-lo em uma caixa encapada de papel pardo para vendê-lo no ônibus a três por um real. Montar uma banca no camelô mais perto e gritar ao freguês: Vamos levar um hoje, senhor? Leiloar o amor. Quem dá mais? Dou-lhe uma, Quem dá mais? Vendido! Bater de porta em porta oferecendo o amor. Medir o amor em xícaras. Esconder o amor como se esconde o trabalho infantil. Subornar o policial com meia dúzia de amor. Salvar o amor no pen-drive. Fazer cópias do amor e vender na calçada: Olha o lançamento, amor novinho! Atravessar a fronteira do amor ilegal. Colecionar amor como quem coleciona figurinha. Comparar o amor ao jogo do bicho apostando naquele de maior expressão, ou nos dos sonhos. Importar o amor. Trazê-lo com um melhor preço na viagem internacional. Pagar menos impostos por ele. Pagar mais impostos por causa dele, o amor. Investir o amor na bolsa. Mesmo que ela não seja de grife. Diluir o amor em porções. Amassar o amor e depois colocá-lo para descansar coberto com um pano de prato. Pendurar o amor nas orelhas com bastante brilho. Pagar o amor com amor. Sacar o amor no banco. Almoçar o amor a PF. Jantar o amor à la carte.  Vai lá, vai pedir por amor.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

AMOR, FESTA E DEVOÇÃO

Se na simbologia dos sentimentos mais explícitos que é o amor que foi velado a dois, e foi contemporâneo um para o outro, hoje moderno, velado a três, a quatro, a cinco, que de tão corriqueiro quase ninguém presta atenção no que há de mais maravilhoso nele. E que de tão natural como um beija-flor, beijar a flor. E que estabelece relações, contratos, significados, conhecimento.... Que para ser sólido e preservar conceitos, se faz amarras pré, faz conceções, bajulações e não passa de um feitichismo que torna você mais sagrado que ele, ou ele mais sagrado que você..... Mesmo, hoje, agora, em que tudo é imediato e os amores breves, a dor existe. Se é na simbologia que nos apropriamos do mundo, nada mais justo dizer que AMOR, FESTA E DEVOÇÃO, exprime, imprime, reconhece em cartório, reafirma que o AMOR vale a pena. Que aquele AMOR, valeu a pena. Que o AMOR sempre vai valer a pena.