quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

“O Senhor é o Meu pastor e Nada me Faltará”

Dizia Ele:

Raspe as paredes, dizia ele. Vista-se de preto, dizia ele. Morda a carne da boca, dizia ele. Engula o sangue. Gargareje como se fosse anticéptico. Detetize a casa. Cubra as paredes de cal. Três demãos para não deixar digital. Cubra os móveis com lençóis. Apenas um por mobília para render. Renda os guardas todos. Guarde-os nas gavetas da idéia. Suje as meias de lodo. Limpe as inteiras com soda gelada. Estende-se na gordura borbulhante. Frite os bolinhos no sol. Sopre as velas todas. Amamente os animais, dizia ele. Sofra calado. Raspe os calos dos indicadores. Pregue alguns pregos na testa. Lamba o chão, dizia ele. Chore as lágrimas todas. Seque-as com toalhas de concreto. Concretize a mentira. Minta para você mesmo, dizia ele. Negue suas vontades. Voe nas asas dos outros. Faça o outro de bobo. Ignore-os. Suba no telhado e evoque o tempo. Tempere seu corpo com bicarbonato e limão. Seja uma presa fácil, dizia ele. Atire-se. Se culpe. Seja a vítima. Ande na escuridão. Durma nos trilhos.

Responde Ela:

“O Senhor é o Meu pastor e Nada me Faltará”