FOTO: Márcio CostaNão sabia se escrevia mexer com x ou com ch. Rascunhou meia dúzia de palavras com letras desenhadas e dobrou em 4 partes. Colocou no bolso de trás da calça e foi com os seus afazeres. Despiu-se. Vestiu-se. Saiu novamente. Carro, buzina, farol, conversa, sol, sombra, carro, buzina, farol. Esqueceu o bilhete. Farol, buzina, carro, sombra, sol, conversa, farol, buzina, carro. Subiu até o 5º andar pelas escadas. Abriu a porta, fechou a porta, abriu a porta do banheiro, pegou o bilhete. Abriu as quatro partes. Sorriu. Desceu até o térreo pelas escadas. Abriu a porta, caminhou até o portão, abriu o portão, fechou o portão. Sorriu. A cidade acordou azul. As mulheres rosadas, as crianças vermelhas e os velhos cinzas de solidão. O amigo não ligou, o chefe não xingou, a máquina de café deu defeito pela 3ª vez. Atravessou o rebouças, ouvia Chico. Botou no reapet. Lhe deram bom dia. Sorriu. Correu na Lagoa, depois no Leblon. Sentou no quiosque pediu uma água. Lhe deram bom dia. Sorriu. Secou o suor, molhou a nuca, os pulsos. Despiu a camisa e o tênis. Foi andando até a praia. Espreguiçou-se, tirou os óculos e o boné. Lhe deram bom dia. Sorriu. Molhou os pés, depois as canelas. Água nas coxas. Arrepiou-se. Mergulhou. Primeira braçada, segunda braçada. Olhou para trás e viu o canal. Avistou os dois irmãos. Terceira braçada. Mergulho. Veio uma onda. Veio a segunda, veio terceira, veio a quarta, a quinta, a sexta, a sétima, a oitava, a nona, a décima, a décima primeira, a décima segunda, a décima terceira, a décima quarta.
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