Santo Antônio agora me castiga. Quem fica de cabeça para baixo hoje sou eu. Mergulhado em água simbólica até a respiração deixar de ser ação. Tô com o joelho pregado no milho como um castigo até que o santo me arranje um novo amor. Sou capaz de ficar 5 dias em promessa. De andar a pé da pampulha até o centro três vezes por semana. De desejar o amor dos outros, de sempre ter o amor dos outros e de querer que os outros me amem. Tô colado em mim mesmo. Não me desgrudo. Não me salvo, nem me afundo. Não sou besta. Tô vivendo em ventania. Com areia nos olhos e pernilongos me devorando. Chupando meu sangue ralo com cheiro de cachaça. E não adianta nem eu reclamar. Santo Antônio tomou birra. Não me vê, não me sente, não me quer nem pintado de ouro. E olha que apareço. Acendo uma vela na outra e todas as noites eu clamo por alguém. Até música eu o ofereço. No repeat coloco Bethânia para buzinar no ouvido dele. Acorda Santo Antônio! Vê se me arruma logo um amor, vê se acaba com essa dor. Vamos Santo Antônio! Eu tô com pressa de amar. De sorrir para vida, de acabar com qualquer briga até o senhor me desculpar. Me ajuda Santo Antônio! Me tire do castigo, seja meu amigo. Avante Santo Antônio!
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