Na solidão do meu quarto
Eu e meu lençol
Ah, e um travesseiro
Jogado ao sol
Vê a noite cair
Eu assistindo na TV
Um filme sobre Piaf
Penso: como é lindo morrer!
Na solidão do meu fardo
Eu sem nenhum quadro
Mas pilha de revistas para colorir
Penso na vergonha que vivo
E me torturo: para o que eu nasci?
Na solidão dos meus braços
Abro gavetas e refaço
O arco da flecha do querubim
Um amor: penso em amar antes a mim
Num livro quase intocado
Vejo Clarice e seu legado
E termino assim:
“E eis que depois de uma tarde de ‘quem sou eu’ e de acordar à uma hora da madrugada em desespero. Eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida, mas, por enquanto, olha pra mim e me ama! Não! Tu te olhas para ti e te amas. É o que está certo”.