Fiquei muito nervoso. O homem desligou o celular e correu em direção a rua. Foi andando muito depressa. Uma kombi branca passou tão perto que quase o atropelou. Ele desceu a rua São Paulo em direção a praça Sete. Chegando na Afonso Pena entrou no edifício Almirante Lemos. Havia um senhor parado na portaria que fez um sinal com a mão e seguiu em direção a rodoviária. O prédio parecia um labirinto. Fui até o segundo andar e ouvi barulho de música e de pessoas falando. Todas as portas estavam fechadas. Fui para o terceiro andar quando vi o homem entrar no apartamento 303. Logo em seguida o menino da lanchonete saiu com uma mochila. Eu o segurei e levei para a escada do prédio. Ameacei chamar a polícia até que me contasse o que estava se passando. Ouvi passos no corredor e tampei a boca dele com minha mão para que ninguém nos ouvisse. Uma mulher chorava muito alto. Uma outra implorava para ir embora e oferecia dinheiro a alguém. Empurrei a porta da escadaria e vi o homem da pasta marrom. Esperei tudo se acalmar e indaguei o menino que me disse que o homem se chamava Boca Rica e que pagava para ele vigiar mulheres gordas pelo centro de Belo Horizonte. Liguei para polícia e informei o endereço. Em cinco minutos ouvi uma gritaria no primeiro andar. Soltei o menino que ficou aos cuidados do cabo Aurélio. Subimos mais dois lances de escada e sentimos um odor muito forte. A polícia foi até o final do corredor e abriu, a força, a porta do apartamento 501. Segundo o menino, era o local onde ficava o Boca Rica. Todos levaram um susto. Havia mulheres mortas pelo chão e todas gordas. O homem estava nú em cima de três corpos em uma cama enconstada a direita da parede do quarto de frente ao banheiro. Na mesa, ao lado da cama, tinha um envelope, dinheiro, uma arma e uma foto da senhora da C&A. O cabo Aurélio augemou o homem que, calmamente, dizia que matava por amor. Sandra era a mais nervosa e aparentava ter trinta e cinco anos. Ela gritava que Boca Rica seduzia as mulheres e matava por dinheiro e loucura. A Gabriela, chorava copiosamente balançando a cabeça de uma lado para outro enquanto o menino queria saber do dinheiro dele. O policial Gomes encontrou colado dentro do armário umas cinquenta fotos de mulheres e mostrou para ele que gritava chamando-se de assassino. "Eu sou assassino!" "Um assassino!".