Quero sentar em um boteco de frente para o mar e chorar as pitangas. Ligar para o amigo mais amigo. Chorar o amor perdido e rir do que está vindo. Pedir ao garçom uma bic. Pegar o guardanapo da mesa e rabiscar versos fáceis e rimas descompassadas. Oferecer o guradanapo ao vizinho da mesa ao lado e permitir qualquer entendimento. Tomar a Brahma mais gelada ou a cerveja que a casa oferecer. Esquecer que a vida passa e lembrar só de você. Sorrir quando tocar Maria Bethânia ao fundo e sorrir mais ainda quando a canção me envolver ao razo. Levantar com aquela vontade de dançar. Olhar para o céu e agradecer a vida que sei que vai passar mesmo não querendo lembrar. Gastar todo o dinheiro da carteira e voltar pra casa a pé sem medo de sofrer. Encontrar estranhos na rua e balançar a cabeça em direção. Tirar a camisa para o vento bater no peito. Extravasar a alegria de viver e saber sei lá o quê. Misturar os sentimentos e lembrar de Milton em Encontros e Despedidas. Lembrar de você que inventa a luz só para me enxergar. Falar abobrinha com o amigo nem tão mais amigo assim, mas amigo. Prometer amor perfeito, carinho e respeito. Continuar ouvindo Bethânia ao fundo. Um zumbido bom nos ouvidos me incentivando ao novo. Perceber o velho que atravessa a avenida sem precisar de ajuda. Estourar um champagne de felicidade em 2011. Voltar a beber a brahma ou a cerveja que o amor oferecer. Ser eu mesmo e você, você.
Nenhum comentário:
Postar um comentário