Nascida em família de classe média, Dilza se interessou pela política desde pequena. Aos 13 anos se candidatou a presidente do fã clube ao qual participava. Sua turma admirava Roberto Carlos e a Jovem Guarda era seu estilo musical preferido. Com o passar do tempo, Dilza conheceu Sandra e se tornaram grandes amigas. As más línguas diziam que elas namoravam. O que para época era um afronto e vergonha sem perdão. Seu pai, Pedro, advogado conceituado em Belo Horizonte nem se quer imaginava coisas dessas. Estava peocupado em manter os poucos fios dos seus cabelos sempre deitados e penteados compondo figurino impecável junto ao terno bem costurado do afaialte Antônio de la Escasio. Sua mãe, Jane, dona de casa e professora, estimulava em Dilza e nos irmãos o gosto pela leitura. Todos os dias pela manhã, sem falhar um, Jane arguia sobre o livro que estavam lendo. Por prazer, ou não, liam pelo menos um por mês. Em 1954 estudou no colégio Izabela Hendrix, fez novos amigos, novas companhias e esqueceu Sandra. Cortou o cabelo e foi proibida pela família de tingi-lo de vermelho. Influenciada pelo Golpe Militar já em 64, descobriu que o mundo não era para "debutantes". Em 67 Ingressou na Política Operária. Foi convidada para uma festa no bairro Guarani, na periferia de Belo Horizonte, regada a cerveja, churrasco e muito sol. Conheceu Galeno. Roberto, amigo, foi quem os apresentou. Se casaram! A decisão de ambos foi oficializada em cartório. Mesmo seguindo a cartilha católica, o temperamento difícil da noiva desmoronou o sonho de parentes e amigos de verem Dilza vestida de branco na espetacular Igreja São José, no centro da capital mineira.
Os cursos de corte e costura e de culinária básico que fez no Sesc Tupinambás, foram substituídos pelos de armamentos e marketing pessoal. Ora disfarçada, ora não, enfrentou a polícia, defendeu os pobres, assaltou bancos em prol dos menos favorecidos. Não gastava dinheiro com roupas e sapatos tão pouco com maquiagem. Sua beleza ficava escondida atrás dos ósculos fundo de garrafa que usava desde a infância.
Abandonou o apartamento da Curitiba em que morava com Galeno, dormia cada noite em locais estratégicos já que não podia mais voltar para casa. "Há uma perda intrínseca para o país quando essa experiência de uma juventude que se jogou na luta democrática, se jogou no combate para construir um país melhor (…) [é] perdida por morte."
Cansada de ser presa e da vida que levava e, diante uma possível calmaria, Dilza se separa e decide que é melhor estar só do que mal acompanhada. Sofrendo pelos cantos ficou solteira por dois anos regada a muita esbornia. Sem prespectiva pessoal, foi apresentada por uma amiga a Araújo. Rapaz de boa família e cheio de intenções.
"Eu não vou esconder o que eu fui e não tenho uma avaliação negativa. (…) Tenho uma visão bastante realista daquele período. Eu tinha 22 anos, o mundo era outro, o Brasil era outro. Muita coisa a gente aprendeu. Não tem similaridade o que eu acho da vida hoje".
Casou-se novamente. Tentou ter uma vida mais pacata, mas não conseguiu. Seu marido Araújo, ao ser preso, deixou a vida financeira de Dilza estabilizada e mesmo com muito dinheiro a organização em que participava não conseguiu se manter. Houve uma divisão de militares focados na luta armada e visando sempre a classe operária. Com esta ruptura, Dilza ficou no segundo grupo. Envolvida com o movimento foi presa novamente e em algumas ocasiões em que se encontrava com o marido no mesmo presídio, discutuiam sobre os processos militares que ambos respondiam. Foi em uma dessas visitas íntimas que eles se reconciliaram, planejando reatarem a vida conjugal após a prisão. Depois de ser torturada e acusada de vários crimes, Dilza teve sua liberdade concedida. Voltou para a casa dos pais, emagreceu 10 quilos, e se dedicou aos livros, uma de suas paixões até hoje. Recebeu convites para voltar ao mundo político, estagiou aqui, e incendiou a todos com o apagão ali. Sempre autoritária e com muito vigor foi ministra de minas e energia e ministra-chefa da casa civil no mandato do atual presidente do nosso pais, Mula da Silva.
Hoje, foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil. Conseguiu encurtar ainda mais os cabelos. Conseguiu pintá-los de vermelho para combinar com o broche estrela do PT. Conseguiu desbancar o Serrote e deixar a Malvina Silva em terceiro lugar. Obteve 56% dos votos válidos. Ganhou uma matéria exclusiva no Show da Vida. Foi capa por duas vezes da Veja. Foi a mais comentada no twitter nos últimos dois dias. Ganhou um especial dentro do Jornal Nacional. Deve tirar férias e espantar os puxa-sacos. E está na mira dos 100% dos votos que dividiu com o segundo candidato.
"Vou fazer um governo comprometido com a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Mas, humildemente, faço um chamado à nação, aos empresários, trabalhadores, imprensa, pessoas de bem do país para que me ajudem."
[*****texto escrito baseado na história de vida da candidata eleita presidente do Brasil em 2010, Dilma Rousseff]