segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eu jurei, eu sei.

Eu jurei eu sei que prometi ser somente sua. Que só você beijaria esta boca carnuda e passaria a mão nas minhas coxas. Jurei também sempre não olhar para trás quando você cruzasse aquela porta. E que as batidas do meu coração iriam se calar quando eu te visse em pensamento. Quando seu retrato neste momento estivesse virado para baixo como um chinelo em superstição. Jurei que não contaria nada a ninguém e principalmente a sua mulher, aquela vaca. Disse também que minhas unhas jamais seriam pintadas de branco. No máximo um nude. Que o toque do meu celular seria um pagode com juras de amor só para lembrar de você. Que eu lamberia a tampa do iogurte e colocaria o dedo do meio na boca depois só para te provocar. Disse que não daria mais gorjeta ao entregador de gás porquê seu dinheiro não é mato. Que não atenderia mais alô ao telefone e sempre, pronto, com a voz firme. Que quando a vizinha me pedisse uma xícara de qualquer coisa emprestada eu fingiria não ouvir ao chamado só para ficar aqui, sozinha, calada, te esperando. Jurei, eu sei, que não olharia com desejo o marido da Maria. Que colocaria o biquine bem enfiado e tomaria sol, terça, quinta e sexta. Que a cerveja seria somente Antarctica que dói menos minha cabeça. O tira-gosto de amendoim comeria 1 dia antes de você chegar. E que falaria mais de futebol para as pessoas pensarem que eu sou sapatão e não desconfiassem que te amo. Jurei, eu sei, parar de fazer fofoca com a Marina e contar como você é na cama. Que não acenderia mais vela na falta de luz. Que o dinheiro que eu ganhei ontem botaria na poupança e o que você me dá, esse eu gastaria comprando lingerie e maquiagem. Passaria panqueque e depois uma base. Blushe acentuando as maçãs do rosto, sombra verde para combinar com seus olhos e uma boca contornada de vermelho Ivete. Um salto não muito alto porque não tenho mais idade para suportar cruzar da pampulha até o centro. A bolsa pequena com a identidade, batom, lápis e a sacanagem da madruga. A saia rodada imitando griffe. Meia nem pensar que atrapalha e o perfume que comprei na revista que é pra todo mundo sentir e dizer, alá, ta chegando a Sabrina. Me olho no espelho, me chamo de gostosa. Enxugo as lágrimas que é para não borrar e em dois tempos eu chego no lugar. Eu jurei, eu sei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário