terça-feira, 6 de julho de 2010

Na Solidão

Na solidão do meu quarto

Eu e meu lençol

Ah, e um travesseiro

Jogado ao sol

Vê a noite cair

Eu assistindo na TV

Um filme sobre Piaf

Penso: como é lindo morrer!

Na solidão do meu fardo

Eu sem nenhum quadro

Mas pilha de revistas para colorir

Penso na vergonha que vivo

E me torturo: para o que eu nasci?

Na solidão dos meus braços

Abro gavetas e refaço

O arco da flecha do querubim

Um amor: penso em amar antes a mim

Num livro quase intocado

Vejo Clarice e seu legado

E termino assim:

“E eis que depois de uma tarde de ‘quem sou eu’ e de acordar à uma hora da madrugada em desespero. Eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida, mas, por enquanto, olha pra mim e me ama! Não! Tu te olhas para ti e te amas. É o que está certo”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário