terça-feira, 15 de junho de 2010

Vida Real - Parte II

Fiquei desesperado quando vi aquela mulher morta. Sai correndo sem direção e fiquei parado na rua por cerca de cinco minutos sem saber o que fazer. Desci a Rio de Janeiro atravessei a rua entrando no popkid. Pedi uma água gelada que bebi de uma vez só. Nessa hora o sinal fechou. Aproveitei para atravessar novamente quando um pálio cinza parou. Era a Raquel. Entrei desesperado dentro do carro. Ela não entendendo nada e eu não conseguindo explicar só disse que uma tragédia havia acontecido e que era preciso chamar a polícia. Aproveitei o sinal e desci do carro em disparada. Ela me olhava assustada enquanto eu virava a esquerda. Vi um policial e expliquei para ele o que tinha acontecido. Ele acionou a central da polícia militar que confirmou o acidente na Afonso Pena. Seguimos até a loja C&A que estava muito cheia por causa do assassinato da mulher. O policial anotou meu nome, identidade, endereço e pediu minha ficha pelo rádio. Eu relatei tudo. Disse que havia visto um homem sair de dentro do provador de roupas e que eu havia anotado a placa do táxi. Mais policiais chegaram no local e isolaram a área. Logo em seguida o perito chegou pedindo que as pessoas saíssem de lá. Eu queria muito saber o motivo do assassinato e fiquei. De repente um dos peritos pegou debaixo da senhora um envelope com dinheiro. Tiraram fotos e colheram digitais. O cabo Aurélio me disse que era melhor eu ir embora e que aquela ocorrência demoraria. Liguei para minha mãe, mas ela não atendeu. Liguei para o meu trabalho e a Cristina me disse que o chefe estava furioso com meu atraso. Pedi para ela que avisasse que só voltaria no outro dia pela manhã e que explicaria quando chegasse. Fiquei na dúvida se voltaria ou não para casa. Queria muito saber o motivo da morte. Resolvi ficar. Fui até a lanchonete e pedi uma coxinha e uma coca-cola. Não consegui comer tudo. Um garoto de rua me pediu um pedaço dizendo que estava com fome. Dei tudo a ele. Esfomiado ele sentou no banco deixando cair um papel com um número de telefone e uma frase que dizia: "quando for embora me avise". Peguei o papel e perguntei ao garoto do que se tratava aquilo. Ele correu desesperado e pedia para não denunciá-lo a polícia. Comecei a ficar preocupado de novo. Peguei meu celuar e liguei para o número. Para minha surpresa na primeira chamada, um telefone tocou ao meu lado. Puta que pariu. Era ele. O homem da pasta marrom.

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