Claude tinha quase trinta quando parou para se ver. Foi quase um susto. Viu-se velho no espírito. Por isso chorou. Viu jovens e invejou-se. Inveja mesmo. Seu dorso suava. Sua barriga estufava a camisa. Claude viu-se nu na vida e achou-se feio. Feio mesmo. Ligou-me minutos antes de se jogar na frente de um automóvel. Matou a si e a inocentes. Esta história é sobre um destes inocentes. Felipe. O motorista da pick’up. Felipe mesmo.
Quando tirou carteira, garoto, tinha 17 pra 18. Comemorou jogando sinuca num boteco sujo. Agora que tinha a carta faltava-lhe o carro. Economias? Nada. Pai falecido, mãe pensionista. Tios? Alguns, todos falidos. Era preciso trabalhar e juntar. Foi trabalhar de peão. Segundo grau completo, pouca oferta. Mercado severo, não tinha escolhas. Montava bicicletas. Do que ganhava um pouco guardava, um outro torrava e com trocos procurava agradar a mãe. Lenços, toalhas, mini-frascos de perfumes importados. Acho. Não demorou muito pôde ter o primeiro carro. Depois trocou. Mais troca. E uma última sua pick’up. Dirigia pela movimentada Avenida Pedro II quando, da batida suicida, morreu. A camionete rodara, capotara e por fim chocou-se num poste. Com Felipe morreu também Nair, um amigo da Monark. A avenida empalideceu-se, afinal eram três jovens moços em banho de sangue. Todos morreram ali mesmo. Minto, parece que Nair chegou a ser socorrido, mas a caminho faleceu.
Lembro, com muito gosto, da paixão por carros. Também tenho os meus. Penso em acidentes, em fraturas e perdas de dentes e continuo dirigindo. Por sorte ninguém se jogou a frente do meu carro. Por sorte apenas pequenas batidas. Pequena mesmo. Porque sei dirigir e o faço com prudência. Quando me distraio, me corrijo. Por isso evito o retrovisor. Às vezes me sinto assim, Claude e velho de mais. Vejo moças lindas, quase nuas e seus dotes de conquistar os bofes. E eu assim, como Claude, meio sozinho. Meio feio, velho, tristinho. Hoje é carnaval e tantos jovens me assustam. Suados nas ruas a pular e beber mil biritas. Inveja mesmo. Pego o telefone e desligo. Depois redisco. Meus amigos...
Quando tirou carteira, garoto, tinha 17 pra 18. Comemorou jogando sinuca num boteco sujo. Agora que tinha a carta faltava-lhe o carro. Economias? Nada. Pai falecido, mãe pensionista. Tios? Alguns, todos falidos. Era preciso trabalhar e juntar. Foi trabalhar de peão. Segundo grau completo, pouca oferta. Mercado severo, não tinha escolhas. Montava bicicletas. Do que ganhava um pouco guardava, um outro torrava e com trocos procurava agradar a mãe. Lenços, toalhas, mini-frascos de perfumes importados. Acho. Não demorou muito pôde ter o primeiro carro. Depois trocou. Mais troca. E uma última sua pick’up. Dirigia pela movimentada Avenida Pedro II quando, da batida suicida, morreu. A camionete rodara, capotara e por fim chocou-se num poste. Com Felipe morreu também Nair, um amigo da Monark. A avenida empalideceu-se, afinal eram três jovens moços em banho de sangue. Todos morreram ali mesmo. Minto, parece que Nair chegou a ser socorrido, mas a caminho faleceu.
Lembro, com muito gosto, da paixão por carros. Também tenho os meus. Penso em acidentes, em fraturas e perdas de dentes e continuo dirigindo. Por sorte ninguém se jogou a frente do meu carro. Por sorte apenas pequenas batidas. Pequena mesmo. Porque sei dirigir e o faço com prudência. Quando me distraio, me corrijo. Por isso evito o retrovisor. Às vezes me sinto assim, Claude e velho de mais. Vejo moças lindas, quase nuas e seus dotes de conquistar os bofes. E eu assim, como Claude, meio sozinho. Meio feio, velho, tristinho. Hoje é carnaval e tantos jovens me assustam. Suados nas ruas a pular e beber mil biritas. Inveja mesmo. Pego o telefone e desligo. Depois redisco. Meus amigos...
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