domingo, 19 de dezembro de 2010

Agora

Quero sentar em um boteco de frente para o mar e chorar as pitangas. Ligar para o amigo mais amigo. Chorar o amor perdido e rir do que está vindo. Pedir ao garçom uma bic. Pegar o guardanapo da mesa e rabiscar versos fáceis e rimas descompassadas. Oferecer o guradanapo ao vizinho da mesa ao lado e permitir qualquer entendimento. Tomar a Brahma mais gelada ou a cerveja que a casa oferecer. Esquecer que a vida passa e lembrar só de você. Sorrir quando tocar Maria Bethânia ao fundo e sorrir mais ainda quando a canção me envolver ao razo. Levantar com aquela vontade de dançar. Olhar para o céu e agradecer a vida que sei que vai passar mesmo não querendo lembrar. Gastar todo o dinheiro da carteira e voltar pra casa a pé sem medo de sofrer. Encontrar estranhos na rua e balançar a cabeça em direção. Tirar a camisa para o vento bater no peito. Extravasar a alegria de viver e saber sei lá o quê. Misturar os sentimentos e lembrar de Milton em Encontros e Despedidas. Lembrar de você que inventa a luz só para me enxergar. Falar abobrinha com o amigo nem tão mais amigo assim, mas amigo. Prometer amor perfeito, carinho e respeito. Continuar ouvindo Bethânia ao fundo. Um zumbido bom nos ouvidos me incentivando ao novo. Perceber o velho que atravessa a avenida sem precisar de ajuda. Estourar um champagne de felicidade em 2011. Voltar a beber a brahma ou a cerveja que o amor oferecer. Ser eu mesmo e você, você.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Só pra ser feliz

Não é tão fácil. Requer muito de mim. Estar lá, para muitos, parece tranquilo, mas ninguém pensa que te engano assim. Se eu sofro, eu sofro calada. Sou de chorar por dentro. De esquartejar o coração. Aproveito para praticar bigamia. Para sair do armário dos meus desejos. Fecho os olhos do amor e penso nas posições mais estranhas. Me arranho e depois falo que foi você. Sinto a champagne gelada sobre o corpo. Só em pensamento eu sou quem gostaria de ser. Sorrio de prazer, te lambuso de prazer, te presenteio com uma performance abstrata. Tenho medo de você. Abro os olhos e te vejo numa felicidade infinita. Te aperto com as pernas te ofereço uma bebida. Te embreago! Te faço homem quando me faço mentira. Choro calada quando você me toca e quando toco na ferida. Perdoa-me por me traíres. Não controlo meu sofrer, eu não grito de prazer, eu não gosto de você. Eu só gosto de você! Me levanto, ajeito o lençol e a fronha. Preparo a banheira clichê. Te observo pelo espelho enquanto me penteio. Entrego a pasta do trabalho, te desejo bom trabalho e espero o amanhecer. Me desculpo da traição. Me vejo em "Vida" de Chico Buarque. Choro as feridas em nervo, com os olhos vermelhos me sentido como mulheres de vidas sombrias mas, sem esquecer que ali eu fui.... Que sempre você me leva longe e que meu peito pulsa, pulsa mais. O que é que eu fiz? Te trai com você só pra ser feliz!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilza 13

Nascida em família de classe média, Dilza se interessou pela política desde pequena. Aos 13 anos se candidatou a presidente do fã clube ao qual participava. Sua turma admirava Roberto Carlos e a Jovem Guarda era seu estilo musical preferido. Com o passar do tempo, Dilza conheceu Sandra e se tornaram grandes amigas. As más línguas diziam que elas namoravam. O que para época era um afronto e vergonha sem perdão. Seu pai, Pedro, advogado conceituado em Belo Horizonte nem se quer imaginava coisas dessas. Estava peocupado em manter os poucos fios dos seus cabelos sempre deitados e penteados compondo figurino impecável junto ao terno bem costurado do afaialte Antônio de la Escasio. Sua mãe, Jane, dona de casa e professora, estimulava em Dilza e nos irmãos o gosto pela leitura. Todos os dias pela manhã, sem falhar um, Jane arguia sobre o livro que estavam lendo. Por prazer, ou não, liam pelo menos um por mês. Em 1954 estudou no colégio Izabela Hendrix, fez novos amigos, novas companhias e esqueceu Sandra. Cortou o cabelo e foi proibida pela família de tingi-lo de vermelho. Influenciada pelo Golpe Militar já em 64, descobriu que o mundo não era para "debutantes". Em 67 Ingressou na Política Operária. Foi convidada para uma festa no bairro Guarani, na periferia de Belo Horizonte, regada a cerveja, churrasco e muito sol. Conheceu Galeno. Roberto, amigo, foi quem os apresentou. Se casaram! A decisão de ambos foi oficializada em cartório. Mesmo seguindo a cartilha católica, o temperamento difícil da noiva desmoronou o sonho de parentes e amigos de verem Dilza vestida de branco na espetacular Igreja São José, no centro da capital mineira.
Os cursos de corte e costura e de culinária básico que fez no Sesc Tupinambás, foram substituídos pelos de armamentos e marketing pessoal. Ora disfarçada, ora não, enfrentou a polícia, defendeu os pobres, assaltou bancos em prol dos menos favorecidos. Não gastava dinheiro com roupas e sapatos tão pouco com maquiagem. Sua beleza ficava escondida atrás dos ósculos fundo de garrafa que usava desde a infância.
Abandonou o apartamento da Curitiba em que morava com Galeno, dormia cada noite em locais estratégicos já que não podia mais voltar para casa. "Há uma perda intrínseca para o país quando essa experiência de uma juventude que se jogou na luta democrática, se jogou no combate para construir um país melhor (…) [é] perdida por morte."
Cansada de ser presa e da vida que levava e, diante uma possível calmaria, Dilza se separa e decide que é melhor estar só do que mal acompanhada. Sofrendo pelos cantos ficou solteira por dois anos regada a muita esbornia. Sem prespectiva pessoal, foi apresentada por uma amiga a Araújo. Rapaz de boa família e cheio de intenções.
"Eu não vou esconder o que eu fui e não tenho uma avaliação negativa. (…) Tenho uma visão bastante realista daquele período. Eu tinha 22 anos, o mundo era outro, o Brasil era outro. Muita coisa a gente aprendeu. Não tem similaridade o que eu acho da vida hoje".
Casou-se novamente. Tentou ter uma vida mais pacata, mas não conseguiu. Seu marido Araújo, ao ser preso, deixou a vida financeira de Dilza estabilizada e mesmo com muito dinheiro a organização em que participava não conseguiu se manter. Houve uma divisão de militares focados na luta armada e visando sempre a classe operária. Com esta ruptura, Dilza ficou no segundo grupo. Envolvida com o movimento foi presa novamente e em algumas ocasiões em que se encontrava com o marido no mesmo presídio, discutuiam sobre os processos militares que ambos respondiam. Foi em uma dessas visitas íntimas que eles se reconciliaram, planejando reatarem a vida conjugal após a prisão. Depois de ser torturada e acusada de vários crimes, Dilza teve sua liberdade concedida. Voltou para a casa dos pais, emagreceu 10 quilos, e se dedicou aos livros, uma de suas paixões até hoje. Recebeu convites para voltar ao mundo político, estagiou aqui, e incendiou a todos com o apagão ali. Sempre autoritária e com muito vigor foi ministra de minas e energia e ministra-chefa da casa civil no mandato do atual presidente do nosso pais, Mula da Silva.
Hoje, foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil. Conseguiu encurtar ainda mais os cabelos. Conseguiu pintá-los de vermelho para combinar com o broche estrela do PT. Conseguiu desbancar o Serrote e deixar a Malvina Silva em terceiro lugar. Obteve 56% dos votos válidos. Ganhou uma matéria exclusiva no Show da Vida. Foi capa por duas vezes da Veja. Foi a mais comentada no twitter nos últimos dois dias. Ganhou um especial dentro do Jornal Nacional. Deve tirar férias e espantar os puxa-sacos. E está na mira dos 100% dos votos que dividiu com o segundo candidato.
"Vou fazer um governo comprometido com a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Mas, humildemente, faço um chamado à nação, aos empresários, trabalhadores, imprensa, pessoas de bem do país para que me ajudem."
[*****texto escrito baseado na história de vida da candidata eleita presidente do Brasil em 2010, Dilma Rousseff]

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Testemunho


Ela sempre pedia as peças de carne de um jeito diferente. E eu sempre peço para os fregueses não encostarem no vidro. Estranhava o olhar ao solicitar os 5kg de colchão duro. Era uma senhora distinta, perfumada, de lápis nos olhos e unhas bem trabalhadas pintadas de vermelho. Sempre quando estendia a mão para apanhar as carnes no balcão suas unhas estavam pintadas de vermelho. Não se importava quando o sangue, sem querer, pingava em seu braço. Dizia que em casa ela limpava. Aparecida aparecia toda quarta. Quinta, sexta e sábado nunca deu as caras. Fico imaginado o que ela faz neste horário, segunda, terça e domingo. O trajeto que ela faz. O trejeito de andar. Quem ela encara na rua ou quem da rua que a encara. Se eu reparava ela? Claro! Até no escuro eu repararia. Era bonita demais. Menos o buço que, às vezes, estava por fazer. Acho feio mulher que não faz o buço. Para não estragar a beleza, quase não reparava lá. Levaria café na cama todos os dias pra Aparecida. Mas eu nem sabia se ela era solteira. Eu sou! Teria o prazer em viver com ela. Agora se fosse casada não tem problema porque não sou ciumento. Meus amigos me falavam que sim, que a Dona é bonita demais para ser solteira. Eu ficava na dúvida. Ela comia muita carne, né? Eu enjoei só de ver. Trabalho com isso muitos anos. Vai indo a gente enjoa. Ela não. Comprava é muita e de uma vez só toda semana. Não faltava uma quarta-feira. Fazia sol, fazia chuva ela estava lá encostada no vidro do balcão. Isso me irritava. Qualquer freguês que encostava no balcão me irritava. Eu falava: Não bota a peça ai não, senhor! Vai sujar a blusa ai senhora. Fingiam que nem estavam escutando. Até o dia em que fui lá pra fora fumar de raiva. Foi até bom porque vi a Aparecida. Ela estava carregando uma bolsa que parecia pesada. Já ia atravessando a rua para tentar ajudá-la quando o sinal fechou e tive que esperar. Mal deu tempo de ir atrás dela. Meu celular tocou e quando eu atendia, desligavam. Chamou por três vezes. Não aparecia o número não senhor. Se eu imaginava quem era? Talvez o pessoal do açougue. Eu estava no horário de trabalho. Se eu vi onde ela entrou? Vi sim. Entrou em uma casa na Rua do ouro no bairro serra. Uma casa bonita, sabe? Eu achei que era ali que ela morava. Fiquei com receio de chamar e voltei. Quando eu olhei para trás uma luz verde acendeu. Como eu vi? Eu vi pela janela que estava entre aberta. Dava para ver. Voltei para perto do portão. Fiquei por dois minutos e entrei no quintal. Pensei em bater na porta, mas desisti. Tomei coragem e quando percebi já estava dentro da casa. Se alguém me viu? Olha, acho que não viu não. Não tinha gente na rua. Quer dizer... Uns três rapazes passaram pela calçada em quanto eu estava lá. Não. Não conheço nenhum deles. Porque estou mentindo? To mentindo não senhor. É tudo verdade. Pode escrever ai. Se eu posso continuar? Posso sim. Fui em direção ao corredor. Não havia móveis na sala nem quadros na parede. Achei tudo muito estranho e fui ficando com medo. Queria mesmo é saber onde ela estava. Eu gritava: Aparecida! Aparecida!! E ela não respondia nada. Empurrei a porta do cômodo da luz verde e, minha nossa senhora. Fiz o sinal da cruz e arregalei os olhos para o que vi. Tenho nem coragem de contar. Se eu não disser estarei ocultando informações? Deus me livre. Quero atrapalhar nada não. Nesse caso eu conto. Pode escrever ai.
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Belo Horizonte, 22 de outubro de 2010.
Local: Rua do Ouro, nº 16520 Bairro Serra, Belo Horizonte, Minas Gerais.
No dia 14 de agosto de 2010, às 20h45min, o réu, Fernando de Oliveira Brito de 26 anos, pardo manteve relações sexuais com a vítima Aparecida de Jesus Nepomuceno de 43 anos, branca, antes e depois de morta em cima de carne de animal aparentemente de boi e de porco que estava espalhada pelo local. O réu foi pego em flagrante cometendo atos sexuais com a vítima já falecida e declarou que sentiu a necessidade de praticar sexo tendo como fetiche a carne de animal que levou sem autorização de superiores para o local do crime. Foram encontradas uma faca no chão coberta de sangue e uma câmera filmadora com a bateria arriada.
Fica determinado que a pena por crime hediondo previsto neste artigo na Lei 20002/72 será cumprida em regime fechado por 35 anos. Já condenado, não cabe mais ao réu o direito de recorrer por liberdade. Condenado ainda por falso testemunho por 15 anos previsto na Lei 023698/89. O réu não tem mais o direito de resposta.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ela é assim!

Ela é assim. Uma mulher à frente do tempo. Sem limites. Sem medo. Se arrisca até aonde não precisa. Sempre mete o bedelho onde não é chamada. Praticamente uma Pagu. Líder nata. Pele morena, sangue de negro. Cabelo sarará escondido pela química. Simplesmente ela. Manda em quem não pode e obedece quem não deve. Contraditória quando quer convencer alguém de que aquilo é o melhor para ela. Do contrário, segue firme na palavra. Vai até o fim. Uma mulher que para o século XXI é exagerada até demais. É escandalosa, com veneno e antipatia. Decidida a mostrar ao mundo que não veio a passeio. Certamente fará coisas ousadas quando crescer. Movida à razão na maioria das vezes. Sofre calada, extravasa no olhar que lança sobre as pessoas. Ela é assim. Simplesmente assim. Amada, essa é a grande verdade. Tem como aliada à vaidade. Usa espelho até por dentro. Parece que precisa enxergar a alma. Exige da vida e esquece dela. Cobra de todos e paga gorjeta para os erros cometidos. Grita, xinga, fala alto, fala mais alto ainda. Não abaixa a cabeça. Te joga uma bigorna. Se joga no impossível. Fica lá. Quieta. Muda. Fala quando quer. Mente para sobreviver. Se apertar fala a verdade. Quando precisa mente a idade. Ela é assim. Indaga pra você ver o que acontece. Chega a ser insuportável. Quando quer é até amável. Contraditória mesmo, ta vendo? E assim ela vai. Desliga o celular. Só atende quem interessa. Bate a porta e sai depressa. Não adianta nem chamar. Vai dar de ombros para você. Usa brinco de argola, quando sai ajeita a gola, se a irrita te degola. Ela é assim. Não duvido que um dia possa ter xantodermia.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Resposta sem título 24/10/2006

Por onde quer que eu ande ou o que, quer que eu faça, tem uma coisa que ocupa um espaço que não abre mão. Um espaço pequeno para o tamanho da coisa. É como se eu andasse e, um fio puxado fosse ficando amarrado ou laçado em outras coisas quaisquer. Essa coisa é você, mas nisso não há novidade nenhuma. Agora estou aqui com um aperto tão grande que me encolhe por dentro e por fora. Sinto tanta, mas tanta saudade sua que me sufoco e a incerteza me pertuba. Me canso ao ponto de não fazer nada. E a saudade não morre nem mata. "De uma coisa esteja certo, amor, a porta vai estar sempre aberta e meus olhos farão uma festa quando te reencontrar." Acho que é isso. Espero que você esteja bem. Que você já tenha almoçado. Que nosso roteiro esteja indo melhor.

Att,
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eu jurei, eu sei.

Eu jurei eu sei que prometi ser somente sua. Que só você beijaria esta boca carnuda e passaria a mão nas minhas coxas. Jurei também sempre não olhar para trás quando você cruzasse aquela porta. E que as batidas do meu coração iriam se calar quando eu te visse em pensamento. Quando seu retrato neste momento estivesse virado para baixo como um chinelo em superstição. Jurei que não contaria nada a ninguém e principalmente a sua mulher, aquela vaca. Disse também que minhas unhas jamais seriam pintadas de branco. No máximo um nude. Que o toque do meu celular seria um pagode com juras de amor só para lembrar de você. Que eu lamberia a tampa do iogurte e colocaria o dedo do meio na boca depois só para te provocar. Disse que não daria mais gorjeta ao entregador de gás porquê seu dinheiro não é mato. Que não atenderia mais alô ao telefone e sempre, pronto, com a voz firme. Que quando a vizinha me pedisse uma xícara de qualquer coisa emprestada eu fingiria não ouvir ao chamado só para ficar aqui, sozinha, calada, te esperando. Jurei, eu sei, que não olharia com desejo o marido da Maria. Que colocaria o biquine bem enfiado e tomaria sol, terça, quinta e sexta. Que a cerveja seria somente Antarctica que dói menos minha cabeça. O tira-gosto de amendoim comeria 1 dia antes de você chegar. E que falaria mais de futebol para as pessoas pensarem que eu sou sapatão e não desconfiassem que te amo. Jurei, eu sei, parar de fazer fofoca com a Marina e contar como você é na cama. Que não acenderia mais vela na falta de luz. Que o dinheiro que eu ganhei ontem botaria na poupança e o que você me dá, esse eu gastaria comprando lingerie e maquiagem. Passaria panqueque e depois uma base. Blushe acentuando as maçãs do rosto, sombra verde para combinar com seus olhos e uma boca contornada de vermelho Ivete. Um salto não muito alto porque não tenho mais idade para suportar cruzar da pampulha até o centro. A bolsa pequena com a identidade, batom, lápis e a sacanagem da madruga. A saia rodada imitando griffe. Meia nem pensar que atrapalha e o perfume que comprei na revista que é pra todo mundo sentir e dizer, alá, ta chegando a Sabrina. Me olho no espelho, me chamo de gostosa. Enxugo as lágrimas que é para não borrar e em dois tempos eu chego no lugar. Eu jurei, eu sei.

Você e Ele

Às vezes eu quero você

Outras quero ele

Você por que é bonita

Mais que isso, me cativa.

Ele porque tem as mãos bem compridas

Como esse verso

Quero você despida

Ele com a bermuda fodida

É dele as delícias

E suas as meninices

Quero você e a boca

Quero ele e a mosca

Que ronda nossas pernas

Não vamos ver novela

Vamos fazê-la

Você minha estrela das oito

Ele comercial de biscoito

Você e seus vários cabelos

Ele com cachos pretos

Vamos viajar e eu sei

Que ambos adoram a praia

Vamos nadar no salgado

Que é a nossa estrada

De paixões impossíveis

Só por mim almejadas.


sábado, 21 de agosto de 2010

...AUMENTA UM PONTO, JOAQUINA FOI...

Calço, vejo

Onde vou reconheço

Alguém, alguém viu

A Joaquina passar por aqui

Nesta esquina?

“Joaquina decidiu fugir de casa. O motivo ninguém conhece”.

Mentira! Mentira!

Calço, vejo

Onde vou reconheço

Alguém, alguém me disse assim:

Joaquina gosta de mim.

“Joaquina fugiu de casa por causa de um amor impossível”.

Mentira! Mentira!

Calço, vejo

Onde vou reconheço.

Alguém, alguém

Viu Joaquina chorar

No canto da outra esquina.

“Joaquina não gostava do seu prometido por isso decidiu fugir”

Mentira! Mentira!

Calço, vejo

Onde vou reconheço.

Alguém, alguém ofereceu a Joaquina um bom lugar.

“Joaquina gostava de caminhar. Joaquina só foi passear”.

Joaquina? Joaquina! Joaquina. Joaquina! Joaquina? Ah, Joaquina...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Na Solidão

Na solidão do meu quarto

Eu e meu lençol

Ah, e um travesseiro

Jogado ao sol

Vê a noite cair

Eu assistindo na TV

Um filme sobre Piaf

Penso: como é lindo morrer!

Na solidão do meu fardo

Eu sem nenhum quadro

Mas pilha de revistas para colorir

Penso na vergonha que vivo

E me torturo: para o que eu nasci?

Na solidão dos meus braços

Abro gavetas e refaço

O arco da flecha do querubim

Um amor: penso em amar antes a mim

Num livro quase intocado

Vejo Clarice e seu legado

E termino assim:

“E eis que depois de uma tarde de ‘quem sou eu’ e de acordar à uma hora da madrugada em desespero. Eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida, mas, por enquanto, olha pra mim e me ama! Não! Tu te olhas para ti e te amas. É o que está certo”.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Felipe

Claude tinha quase trinta quando parou para se ver. Foi quase um susto. Viu-se velho no espírito. Por isso chorou. Viu jovens e invejou-se. Inveja mesmo. Seu dorso suava. Sua barriga estufava a camisa. Claude viu-se nu na vida e achou-se feio. Feio mesmo. Ligou-me minutos antes de se jogar na frente de um automóvel. Matou a si e a inocentes. Esta história é sobre um destes inocentes. Felipe. O motorista da pick’up. Felipe mesmo.
Quando tirou carteira, garoto, tinha 17 pra 18. Comemorou jogando sinuca num boteco sujo. Agora que tinha a carta faltava-lhe o carro. Economias? Nada. Pai falecido, mãe pensionista. Tios? Alguns, todos falidos. Era preciso trabalhar e juntar. Foi trabalhar de peão. Segundo grau completo, pouca oferta. Mercado severo, não tinha escolhas. Montava bicicletas. Do que ganhava um pouco guardava, um outro torrava e com trocos procurava agradar a mãe. Lenços, toalhas, mini-frascos de perfumes importados. Acho. Não demorou muito pôde ter o primeiro carro. Depois trocou. Mais troca. E uma última sua pick’up. Dirigia pela movimentada Avenida Pedro II quando, da batida suicida, morreu. A camionete rodara, capotara e por fim chocou-se num poste. Com Felipe morreu também Nair, um amigo da Monark. A avenida empalideceu-se, afinal eram três jovens moços em banho de sangue. Todos morreram ali mesmo. Minto, parece que Nair chegou a ser socorrido, mas a caminho faleceu.
Lembro, com muito gosto, da paixão por carros. Também tenho os meus. Penso em acidentes, em fraturas e perdas de dentes e continuo dirigindo. Por sorte ninguém se jogou a frente do meu carro. Por sorte apenas pequenas batidas. Pequena mesmo. Porque sei dirigir e o faço com prudência. Quando me distraio, me corrijo. Por isso evito o retrovisor. Às vezes me sinto assim, Claude e velho de mais. Vejo moças lindas, quase nuas e seus dotes de conquistar os bofes. E eu assim, como Claude, meio sozinho. Meio feio, velho, tristinho. Hoje é carnaval e tantos jovens me assustam. Suados nas ruas a pular e beber mil biritas. Inveja mesmo. Pego o telefone e desligo. Depois redisco. Meus amigos...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vida Real - Final

Fiquei muito nervoso. O homem desligou o celular e correu em direção a rua. Foi andando muito depressa. Uma kombi branca passou tão perto que quase o atropelou. Ele desceu a rua São Paulo em direção a praça Sete. Chegando na Afonso Pena entrou no edifício Almirante Lemos. Havia um senhor parado na portaria que fez um sinal com a mão e seguiu em direção a rodoviária. O prédio parecia um labirinto. Fui até o segundo andar e ouvi barulho de música e de pessoas falando. Todas as portas estavam fechadas. Fui para o terceiro andar quando vi o homem entrar no apartamento 303. Logo em seguida o menino da lanchonete saiu com uma mochila. Eu o segurei e levei para a escada do prédio. Ameacei chamar a polícia até que me contasse o que estava se passando. Ouvi passos no corredor e tampei a boca dele com minha mão para que ninguém nos ouvisse. Uma mulher chorava muito alto. Uma outra implorava para ir embora e oferecia dinheiro a alguém. Empurrei a porta da escadaria e vi o homem da pasta marrom. Esperei tudo se acalmar e indaguei o menino que me disse que o homem se chamava Boca Rica e que pagava para ele vigiar mulheres gordas pelo centro de Belo Horizonte. Liguei para polícia e informei o endereço. Em cinco minutos ouvi uma gritaria no primeiro andar. Soltei o menino que ficou aos cuidados do cabo Aurélio. Subimos mais dois lances de escada e sentimos um odor muito forte. A polícia foi até o final do corredor e abriu, a força, a porta do apartamento 501. Segundo o menino, era o local onde ficava o Boca Rica. Todos levaram um susto. Havia mulheres mortas pelo chão e todas gordas. O homem estava nú em cima de três corpos em uma cama enconstada a direita da parede do quarto de frente ao banheiro. Na mesa, ao lado da cama, tinha um envelope, dinheiro, uma arma e uma foto da senhora da C&A. O cabo Aurélio augemou o homem que, calmamente, dizia que matava por amor. Sandra era a mais nervosa e aparentava ter trinta e cinco anos. Ela gritava que Boca Rica seduzia as mulheres e matava por dinheiro e loucura. A Gabriela, chorava copiosamente balançando a cabeça de uma lado para outro enquanto o menino queria saber do dinheiro dele. O policial Gomes encontrou colado dentro do armário umas cinquenta fotos de mulheres e mostrou para ele que gritava chamando-se de assassino. "Eu sou assassino!" "Um assassino!".

terça-feira, 15 de junho de 2010

Vida Real - Parte II

Fiquei desesperado quando vi aquela mulher morta. Sai correndo sem direção e fiquei parado na rua por cerca de cinco minutos sem saber o que fazer. Desci a Rio de Janeiro atravessei a rua entrando no popkid. Pedi uma água gelada que bebi de uma vez só. Nessa hora o sinal fechou. Aproveitei para atravessar novamente quando um pálio cinza parou. Era a Raquel. Entrei desesperado dentro do carro. Ela não entendendo nada e eu não conseguindo explicar só disse que uma tragédia havia acontecido e que era preciso chamar a polícia. Aproveitei o sinal e desci do carro em disparada. Ela me olhava assustada enquanto eu virava a esquerda. Vi um policial e expliquei para ele o que tinha acontecido. Ele acionou a central da polícia militar que confirmou o acidente na Afonso Pena. Seguimos até a loja C&A que estava muito cheia por causa do assassinato da mulher. O policial anotou meu nome, identidade, endereço e pediu minha ficha pelo rádio. Eu relatei tudo. Disse que havia visto um homem sair de dentro do provador de roupas e que eu havia anotado a placa do táxi. Mais policiais chegaram no local e isolaram a área. Logo em seguida o perito chegou pedindo que as pessoas saíssem de lá. Eu queria muito saber o motivo do assassinato e fiquei. De repente um dos peritos pegou debaixo da senhora um envelope com dinheiro. Tiraram fotos e colheram digitais. O cabo Aurélio me disse que era melhor eu ir embora e que aquela ocorrência demoraria. Liguei para minha mãe, mas ela não atendeu. Liguei para o meu trabalho e a Cristina me disse que o chefe estava furioso com meu atraso. Pedi para ela que avisasse que só voltaria no outro dia pela manhã e que explicaria quando chegasse. Fiquei na dúvida se voltaria ou não para casa. Queria muito saber o motivo da morte. Resolvi ficar. Fui até a lanchonete e pedi uma coxinha e uma coca-cola. Não consegui comer tudo. Um garoto de rua me pediu um pedaço dizendo que estava com fome. Dei tudo a ele. Esfomiado ele sentou no banco deixando cair um papel com um número de telefone e uma frase que dizia: "quando for embora me avise". Peguei o papel e perguntei ao garoto do que se tratava aquilo. Ele correu desesperado e pedia para não denunciá-lo a polícia. Comecei a ficar preocupado de novo. Peguei meu celuar e liguei para o número. Para minha surpresa na primeira chamada, um telefone tocou ao meu lado. Puta que pariu. Era ele. O homem da pasta marrom.

domingo, 13 de junho de 2010

Vida Real


Foi exatamente assim que aconteceu. Eu estava no ponto na avenida Afonso Pena, quando meu ônibus passou muito cheio e eu não consegui entrar. Estava muito rápido e bateu na guarita arrancando a estrutura do lugar. Nessa hora caiu uma senhora muito gorda e teve o vestido rasgado na queda quando tentou se segurar na porta do coletivo. Só ouvi os gritos das pessoas em desespero e solidariedade a senhora que sangrava muito e não conseguia se levantar. Ela, ainda no chão, abriu a bolsa e sacou uma arma, que no primeiro momento parecia ser de brinquedo e, atirou sem direção fazendo com que os gritos fossem de desespero. Ninguém estava entendendo nada. Um rapaz que usava uma camisa verde e amarela foi atingido na perna ao mesmo tempo em que uma criança que estava no colo da mãe pediu água. A mãe que se abaixou para pegar a garrafa que carregava na mochila que estava apoiada em seu pé, por pouco não foi atingida por um dos tiros. E a gritaria não parava. A senhora gorda se levantou tentando fugir, atravessou a Afonso Pena e quebrou a direita na rua Espírito Santo. Eu sai correndo atrás dela na tentativa de detê-la. O rapaz atingido gritava: corre! Corre! Pega essa assassina! Quanto mais ele gritava, mas eu corria. A senhora foi tirando o vestido rasgado e corria tanto que eu não consegui alcançá-la. Peguei meu celular no bolso e chamei a polícia. Quando dei por mim, já estava na rua Rio de Janeiro em frente ao shopping cidade. Pouquíssimas pessoas na entrada. Eu perguntava se tinham visto a senhora, mas todos diziam que não. Comecei a ficar preocupado com o sumiço da gorda e com o que estava acontecendo lá na Afonso Pena com o ônibus e com o rapaz ferido. Eu não desisti. Entrei na galeria da c&a, ainda na Rio de Janeiro, e fui atrás dela. Quando subi a escada rolante eu vi um senhor de roupa esquisita, saindo do provador. Tive de dar a volta pelo corredor do segundo andar para descer a escada e verificar aquele homem. Ele estava aparentemente nervoso e carregava uma pasta de couro marrom. Era magro, esguio e bonito. Tirou do bolso um lenço branco e secava o suor do rosto. Eu podia jurar que ele estava envolvido no sumiço daquela senhora. Ele já estava saindo da galeria quando meu celular tocou. Era minha mãe querendo saber se eu ia para casa almoçar. Ela, se eu me lembro bem, tinha feito bife de pernil e couve e queria deixar tudo fresquinho na hora que eu chegasse. Atendi e disse que retornaria. Saí atrás daquele homem. Ele não percebeu que eu o seguia. Os passos aumentavam a medida em que a nuvem escondia o sol. Ele foi em direção a Afonso Pena. Desceu a rua até chegar na praça sete. Ficou ao lado do banco real espiando a polícia ir embora e liberar o motorista do ônibus. A avenida voltou com o fluxo normal dos carros depois que todos deram o parecer do ocorrido. Eu por pouco não perdia o homem de vista. Quando eu me aproximei dele, um táxi parou e o safado evaporou lá dentro. É claro que eu anotei a placa. Eu saí correndo em direção a c&a atrás da mulher que desapareceu. Subindo a Rio de Janeiro fui de marquise em marquise. Uma chuva horrível desabou no centro. Com o coração acelerado e uma dor de cabeça insuportável, peguei uma roupa qualquer na arara como desculpa para entrar no provador. A primeira cabine do lado direito estava ocupada. Era um menino com as calças arriadas. A segunda cabine parecia vazia. Quando abri a cortina vi o que procurava. A senhora gorda estava lá. Morta, ensanguentada, deformada. Irreconhecível.

domingo, 30 de maio de 2010

Frutas da estação

Mesmo quando não temos muito a dizer se faz necessária a palavra. Dita rasgadamente ou aquela dita aos sussurros. Ao pé do ouvido. E olha que nem precisa ser doce, as palavras. Mesmo que ao dizer, elas saiam perfumadas de frutas da estação que você devora copiosamente. Não peço isso de você. Não peço mesmo. Elas saem gritadas de seu diafragma quando você só quer sussurrar. Não quero nem mencionar o contrário. Você fica mais bonita assim, se desmintindo com as palavras. Você é uma mentira. A contradição de uma verdade infundada. Você é a suspeita de dar uma facada no companheiro e acaba baleada em cima do colchão. O vício do amor escondido no cofre. Por isso diga tudo. Xingue a vizinha que me canta. Que te encanta. Por isso as palavras amargas, mesmo que elas saiam perfumadas de frutas da estação que você devora copiosamente. Você é aquela capaz de tudo. Até de se esconder debaixo da cama em dia de fla, flu para chamar atenção. De desligar o padrão de luz e acreditar que ela acabou. De chamar a polícia para me fazerem desligar o 39. De cismar que o iogurte natural fica mais barato quando feito em casa. Prefiro quando suas palavras são assim, contraditórias. Quando elas, suas palavras, aparecem nos meus sonhos e invadem minha boca como moscas desnorteadas. Grite mais alto. Sou capaz de gozar ouvindo você se lamantar. Se lamente, meu amor. Se lamente. Xingue sua mãe, minha mãe, nossas mães. Mande o porteiro tomar naquele lugar. Dê chazinho as crianças e bote-as para dormir mais cedo. Tenha mais tempo para brigar comigo, mas nunca sussurre aos meus ouvidos. Você é melhor assim, dissimulada, falsa. Imaginativa para mim e para você.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Perdeu, playboy!

Perdeu, playboy! Passa pra cá o seu amor, anda! Nem desfaz as malas da viagem que eu tô com pressa. Junta meia dúzia de cueca e rua. Deixa aqui só o seu amor por mim. Você não precisa mais dele. Lá fora tem muito. Perdeu, playboy. O roteiro ta confiscado. Vou mudar o final do beijo roubado. Não esquece de me pagar sua dívida e de que a chave não tá mais debaixo do tapete. Tenho outro esconderijo. Dessa vez mais inteligente.
Vou mudar de sabonete, comprar novos copos, gastar menos arroz com feijão. Vou fazer economia. Pagar a conta da padaria e quebrar o seu cartão. Perdeu, playboy. Passa pra cá sua alegria. Anda, tô com pressa! Cata seus livros na estante e rasgue nossas fotos. Queime-as que é melhor. Não precisa deixar rastros. Ninguém notou o nosso amor. Vou doar as suas roupas e seus sapatos. Fazer um bazar beneficente e ajudar os carentes. Aos que precisam de atenção. De afeto. O que ainda faz aqui? Vamos, você perdeu, playboy. Acenda a luz para descer as escadas, mas apague no final. Fecha o portão com jeitinho, diga tchau para o vizinho sem rancor. Pegue o primeiro ônibus que passar. Jogue a mochila no arrudas e me esceva uma carta de amor.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Rima da desilusão

Não mereço sua piedade. Reparou a minha idade? Não sou criança para aguentar seus desaforos. Esqueça meu telefone. Me abandone. Assuma que não me quer mais. Ainda é tempo de voltar atrás. Veja como estou confuso. Ta tudo muito obscuro. Os horários são os mesmos e isso que me agonia. Você sempre me joga na ventania. Ligou uma vez e foi decisivo. E recebe uma mensagem, pensa só no seu umbigo. Não adianta retornar. Eu não quero mais falar. Já ligou a segunda vez, me contando 1,2,3..... Para que ficar nervoso? Vou da vida eu cuidar. Tenho contas pra pagar. E ligou a terceira vez se fazendo de coitado. Eu já disse pra você que não tô mais preocupado. Vê se deixa eu trabalhar, tenho contas pra pagar. Se fui doce de manhã foi porque ainda queria. Se agora fui grosseiro, você bem que merecia. E na quarta ligação o celular eu desliguei. Vê se para de insistir pra você não sou mais rei.

Vou mandar pintar a casa para sumir com suas digitais

No sofrimento é que percebemos o quanto amamos alguém. O amor fraterno, amigável, de homem. Não importa. Sempre que sofremos a dor transborda. É como deixar de fumar. Você quer, mas os gestos, horários e momentos te fazem lembrar do vício. No caso do amor, o vício é do bem e, se amamos de verdade não queremos deixar de amar, certo? Aí que mora a questão. O que leva alguém que diz que gosta querer ficar longe? De fora da roda. Do convívio. Abandonar a cadeira na mesa de jantar. Abandonar os chinelos, a escova de dente, o fio dental endurecido no ralo da pia do banheiro. Esquecer os papéis que eram importantes e, que hoje: "pode jogar fora!" Esse é o amor? O vício do amor? Oras, não me venha com conversas sem sentido. De que precisa estar longe para sentir o outro. Para enxergar o quanto gosta. Oras, chega de disse me disse, meu bem. Diga a verdade. Na lata. Na cara. Mesmo que doa no outro, mas diga. Diga tudo. Vomite. Escarre. Cuspa. Chore as dores. Alivie a alma. Sofra junto, mas sofra. Não banque o durão. Não olhe para o chão. Erga-se. Grite o mais alto que puder, mas emita algum som. Não me deixe jogar-te no meu baú ou esfregar a cama até que a marca de seu corpo suma. Não permita eu recolher pela casa seus restos. Copos vazios, roupas, perfume, remédio, meias, cuecas.... restos de unhas esquecidas ao pé do sofá naquele momento de descontração enquanto tomávamos nosso refresco preferido. Anime-se! Vamos, corra pelo menos três quarteirões. Mudamos os hábitos? Mas são eles que marcam nossa história, oras. Isso, ore. Peça ajuda a Deus. Aos santos protetores. Proteja sua orelha na certeza de que vai ficar vermelha. Eu estou afirmando isso. Descasque as frutas de outras estações. Reeinvente um novo café de domingo que não seja no domingo. Domingo eu só sou boa companhia para você! Esqueça o canal 39. Desprograme-o de sua TV. Ou vai querer lembrar de mim o resto da sua vida? Finja estar triste se preferir. Eu vou rir, mas vou aceitar, ou não. Não sei. Já disse que não sei. Sem falar nas comidas. Na solidão da cozinha. Eu e as panelas. E você lá grudado no 39. Avante! Vamos! Vamos! Quem gosta de panquecas levanta a mão! Gollllllllllllllllllllllll. E eu grito: Bollllllllllllllllllllllllll. Acho que não vou conseguir vê-lo nem na minha estante. Pendurado na parede nem pensar. Deixa pra lá. Vou mandar pintar a casa para sumir com suas digitais. Trocar os móveis coloniais por algo mais moderno. Totalmente 2010. Trocar de nome talvez ajuda. Inserir um "Y" no lugar o "i" já é um bom começo. Assim quem sabe eu perceba que já posso andar sozinho, sem andador ou rodinhas na bicicleta. Queria mesmo é te mandar plantar batatas concretas, não simbólicas. Te deixar o apartamento de frente para a curitiba e as caixas de capuccino. Porque se eu tomava, você tomava também.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Isso sim é respeito com o povo

Fonte: Paulo Henrique Lobato - Estado de Minas

Circuito Cultural Praça da Liberdade. Pessoas, artistas, políticos, ambulantes e cadeiras. Comemorar uma conquista mesmo que premeditada politicamente é aceitável. Sim porque tudo foi pensado né não Oscar Niemayer? A cidade administrativa ficou um pitel. Né não Aécio? O povo estava querendo é curtição mesmo. Outros não. Queriam ver o artista. Reparar o figurino. E para isso foi preciso esticar bem os pés, braços, pescoço e apoiar em algum ombro amigo. Subir nas estrutras que carregavam a luz e as caixas de som foi outra solução, já que não havia espaço decente para os pobres eleitores se movimentarem, quer dizer, pobre plateia. Espaço se quer para ficar lá, quietinho ouvindo o som do palco distante, bem distante. Como a praça é cercada por grama, delimitaram todo o espaço com grades. A Liberade por horas se transformou na praça da prisão. Ficamos espremidos, sem ar, sem lugar, sem ver. E como tinha gente achando que iam distribuir senhas para a casa própria, né não fulano? Os mineiros tomaram conta da praça e aproveitaram, pelo menos, a água fresca que lá tem em abundância. Uma bica artificial com água natural. Eita coisa boa! Não posso negar que ter um espaço cultural é muito legal. A rima foi proposital. Né não cicrano? Ganhamos lugar para a cultura popular, museus, salas de exposição, de espetáculos e cursos. Ganhamos um show de Milton Nascimento. Viva o Milton Nascimento que cantou 'tristesse". Vaia para as cadeiras que atrapalharam a harmonia do show. Viva para Marina Machado que cantou com Bituca. Vaia para as palmeiras que atrapalharam nossa visão. Viva para Rogério Flausino e Lô Borges que cantaram "paisagem da janela lateral". Vaia para o show que foi muito curto. Viva para Fernanda Takai que errou a letra da canção e pediu desculpas voltando desde o início. Isso sim é respeito com o povo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Vão à Igreja

FONTE: Márcio Costa // Igreja São José/BH
Estou aqui, agora neste exato momento dentro da igreja São José no centro de Belo Horizonte. Ouvindo desatento a todos que cantam a palavra do Senhor. Distante do padre impecavelmente bem vestido. O que me importa aqui é estar dentro de uma igreja. Coisa que não faço ha muito tempo. Feliz de relembrar como é linda. Todos de pé. Amigos, familiares e estranhos. Olhos fechados. Abertos. Crianças impacientes e que tapam os ouvidos quando um agudo, um lindo agudo ressoa nesta casa gigante. Pessoas emocionadas, com sono, mas principalmente felizes aqui. Esqueçam a religião que possuem. Reforcem as suas, mas vão a igreja. Agora, "como é grande o meu amor por você” que muitos preferem na voz de outro a Roberto Carlos. E eu ouvindo nas muitas vozes presentes aqui. Bancos de madeira cheirando gente. Gente que busca um conforto na alma. Esqueçam a religião ou reforce a sua, mas vão a igreja nem que seja para admirá-la.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Rima de Carnaval


Foi com muito calor que os foliões aproveitaram o carnaval. Suor e muita cervejinha fizeram de fevereiro o mês do “rebolation” e do “beijar na boca”. Para muitos, nada mal. Para os mais animados o mês foi mais que isso. Radical! Passaram da conta. Do limite. Incluindo até o do cartão de crédito. Uma paquera aqui outra dali. Nada a declarar disse a senhorinha a espiar da janela. Indiscreta que nada. Tava lá a bisbilhotar as moças de saias e os rapazes idem. “Quem não chora não mama segura meu bem a chupeta....” cantava um mocinho fantasiado de capeta. “Vai uma cervejinha ai, Dona?” gritava o ambulante proibido de perambular pelas orlas cariocas. “Cervejinha não. Quero um cervejão”, respondeu a magrela fazendo alusão ao comercial que passa repetidas vezes na televisão. E dali “rebolation” na lage. A lona fazendo de telhado. Churrasco cheirando longe e o marido reclamando do biquíni cavado. “Deixa minha marquinha”, falou a bonitinha. O abre alas que eu quero passar. Um com muita mordomia e outro só falou que ia. Ficou na vigília obrigado pelo pai que orou os quatro dias. Isso é o carnaval! Camarote milionário e milionário no camarote. Não faltou princesa e dote. Estrangeira convidada que não pagou nada. Celebridade só no tchauzinho, fazendo trenzinho, comendo pouquinho e dando beijinho. “Oh, lá em casa” gritou o fortão quando viu a Paola Oliveira descer até o chão. Rainha de bateria tinha de todos os tipos. Morena torneada, pequena arretada e lourão com bundão. E tinha mais. Velha assanhada, toda depilada e fazendo carão. Esse foi o carnaval do brasileiro que reclama não ter dinheiro, mas gasta com avião. E o tempo já passou. Hora de descansar. Quarta feira com cara de segunda. Hora de trabalhar. O amor de carnaval não sei onde foi parar. Já chegamos à cidade com vontade de voltar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Que maravilha!

Dois mil e dez. Muitas vezes não me sinto aqui. Neste ano. Ano 3 na numerologia. Mas assim mesmo eu vou correndo atrás do prejuízo. Ou quem sabe na frente dele. Subindo e descendo escada. Os degraus da vida. Por que se lá fora está chovendo, reclamam. E se chove por dentro, reclamam mais ainda. Isso também se fazia lá na época de Elis e de Camargo Mariano. Tempo em que a música me parecia mais importante. Que maravilha! E serve aos amantes também. O amor tinha mais gosto, parece. É lá que eu queria ter estado. Presenciado aos festivais e ter ouvido ao pé do ouvido a voz doce das Divas. Que maravilha! A chuva que molhava a alma e não só o corpo vestido. Branco, preto, cinza, azul... Paletas de cores. Amarelo, vermelho, lilás.... Cores de Amodóvar. Rosa, laranja e marrom... de Frida Cahllo. Cores que ditavam a moda e os modos. Automóveis sem luxo hoje, e muito luxosos ontem. O fusquinha clássico que corria e tocava as Divas da época numa época de Guerra Mundial. O cinema no estacionamento que mesmo com chuva dava para ver o seu (meu) amor. Que maravilha! Todos lado a lado. E até agora disse o que não vivi. Disse onde gostaria de estar até agora. Ouvindo repetidas vezes as vozes das Divas. O que guardo na mente e no coração são as lembranças do Tivoli Park às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. A roda gigante a girar. Que maravilha! Eu, ali, sentado dentro do minhocão banguelo. E meu pai, lá, de fora pedindo para eu sorrir e ficar bonito na foto. Tempo bom, ta vendo? Quando se vive é melhor ainda. Mas fazer história não é fácil. Ser compreendido então, nem se fala. Por isso que queria estar lá. Ouvindo as vozes das Divas ao pé do ouvido. A intenção não é fazer história. É contar uma. Duas, três....................... e girar, a girar por ai. Esqueça a chuva que molha o seu (meu) amor e gira, gira e gira.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

H.A.I.T.I. Escrito assim com pontos. Como se escreve S.O.S

Sem muito a acrescentar. Lastimar apenas. H.A.I.T.I. Escrito assim com pontos. Como se escreve S.O.S. Um pedido de socorro, HELP! Um povo sofrido e que sofre ainda mais agora em tempos de aquecimento global. E em tempos de espetacularização também. A televisão mundial destina os horários nobres e periféricos para revelar o caos que se instalou por lá. H.A.I.T.I é cenário de uma política mal resolvida, mas que conta com a ajuda da amiga ONU que mantém uma força de estabilização enorme no país. Lugar que já foi responsável pela produção de 75% do açúcar consumido no mundo. Tudo bem que foi no século XVIII. E desde então o desenvolvimento não se propagou. Pelo contrário, regrediu e com ele o povo: Sofrido, sofrido. Isso todos já sabem. E quanto ao futuro? O amanhã? Tem gente que se importa mais em saber na quantia doada por Madonna e Gisele Budchen, a saber, como este dinheiro será gasto. Dizem por aí que o melhor a se fazer é pagar a dívida externa. Amortizar os juros e recomeçar. Vida nova ao H.A.I.T.I. Vamos ajudar meu povo! Vamos usar a televisão como arma e arrecadar fundos para cobrir todas as despesas. Ajudar esse povo a ser saudável. A ser feliz!

domingo, 17 de janeiro de 2010

UMA FUTILIDADE

Uma futilidade

Você a tarde

Me fazendo dormir

E a noite

As onze

Você no telefone

Desfazendo de mim

Sua futilidade

Está presa

Quando me faz sair

E esquecer os problemas

Que nós dois temos aqui

Futilidade você

Me tratar sem fingir

Me ama se convém

Me dispensa

Aos outros que vem

Uma futilidade

Você falando bem

De mim, dos outros

E o seu meu nada ter.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Não vou e não vamos te deixar sozinha.

Rafa...........
...................Ela que por muitas vezes se sentiu traída e amargurada, resolveu acabar com a sua vida. Atear fogo no corpo era uma solução. Mas para qualquer ação, Ela precisaria de alguém. Que graça existe sem ninguém para ver? Se contabilizarmos já temos duas pessoas. Alguém e ninguém!!!
Estava decidida. Atear fogo seria a solução de seus problemas. Com ninguém e alguém, Ela se desmanchava toda. Se desmilinguia toda aos som de Pagú. Não estava ligando para o que iriam pensar sobre ela. Ela então........ se ia. Derretia-se. Acabava-se. Morria. Ali. Perto de ninguém e de alguém. A história de Ela que queria morrer perto de alguém e não sozinha. Que mesmo na morte ninguém se importava com Ela.
Senhoras, senhores. Jovens. Homens e mulheres. Ela se foi. Foi porque quis. Por que não suportava estar sozinha numa selva de pedras cheia de pedras e não de pessoas. Pedras! De repente, não mais que de repente, Ela ouve uma voz vinda ao fundo. Acorda! Acorda! Acorda! Era Rafa despertando de um terrível sonho. De um pesadelo tido com Ela.
Não vou e não vamos te deixar sozinha.