domingo, 19 de dezembro de 2010
Agora
domingo, 5 de dezembro de 2010
Só pra ser feliz
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dilza 13
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Testemunho
Ela sempre pedia as peças de carne de um jeito diferente. E eu sempre peço para os fregueses não encostarem no vidro. Estranhava o olhar ao solicitar os 5kg de colchão duro. Era uma senhora distinta, perfumada, de lápis nos olhos e unhas bem trabalhadas pintadas de vermelho. Sempre quando estendia a mão para apanhar as carnes no balcão suas unhas estavam pintadas de vermelho. Não se importava quando o sangue, sem querer, pingava em seu braço. Dizia que em casa ela limpava. Aparecida aparecia toda quarta. Quinta, sexta e sábado nunca deu as caras. Fico imaginado o que ela faz neste horário, segunda, terça e domingo. O trajeto que ela faz. O trejeito de andar. Quem ela encara na rua ou quem da rua que a encara. Se eu reparava ela? Claro! Até no escuro eu repararia. Era bonita demais. Menos o buço que, às vezes, estava por fazer. Acho feio mulher que não faz o buço. Para não estragar a beleza, quase não reparava lá. Levaria café na cama todos os dias pra Aparecida. Mas eu nem sabia se ela era solteira. Eu sou! Teria o prazer em viver com ela. Agora se fosse casada não tem problema porque não sou ciumento. Meus amigos me falavam que sim, que a Dona é bonita demais para ser solteira. Eu ficava na dúvida. Ela comia muita carne, né? Eu enjoei só de ver. Trabalho com isso muitos anos. Vai indo a gente enjoa. Ela não. Comprava é muita e de uma vez só toda semana. Não faltava uma quarta-feira. Fazia sol, fazia chuva ela estava lá encostada no vidro do balcão. Isso me irritava. Qualquer freguês que encostava no balcão me irritava. Eu falava: Não bota a peça ai não, senhor! Vai sujar a blusa ai senhora. Fingiam que nem estavam escutando. Até o dia em que fui lá pra fora fumar de raiva. Foi até bom porque vi a Aparecida. Ela estava carregando uma bolsa que parecia pesada. Já ia atravessando a rua para tentar ajudá-la quando o sinal fechou e tive que esperar. Mal deu tempo de ir atrás dela. Meu celular tocou e quando eu atendia, desligavam. Chamou por três vezes. Não aparecia o número não senhor. Se eu imaginava quem era? Talvez o pessoal do açougue. Eu estava no horário de trabalho. Se eu vi onde ela entrou? Vi sim. Entrou em uma casa na Rua do ouro no bairro serra. Uma casa bonita, sabe? Eu achei que era ali que ela morava. Fiquei com receio de chamar e voltei. Quando eu olhei para trás uma luz verde acendeu. Como eu vi? Eu vi pela janela que estava entre aberta. Dava para ver. Voltei para perto do portão. Fiquei por dois minutos e entrei no quintal. Pensei em bater na porta, mas desisti. Tomei coragem e quando percebi já estava dentro da casa. Se alguém me viu? Olha, acho que não viu não. Não tinha gente na rua. Quer dizer... Uns três rapazes passaram pela calçada em quanto eu estava lá. Não. Não conheço nenhum deles. Porque estou mentindo? To mentindo não senhor. É tudo verdade. Pode escrever ai. Se eu posso continuar? Posso sim. Fui em direção ao corredor. Não havia móveis na sala nem quadros na parede. Achei tudo muito estranho e fui ficando com medo. Queria mesmo é saber onde ela estava. Eu gritava: Aparecida! Aparecida!! E ela não respondia nada. Empurrei a porta do cômodo da luz verde e, minha nossa senhora. Fiz o sinal da cruz e arregalei os olhos para o que vi. Tenho nem coragem de contar. Se eu não disser estarei ocultando informações? Deus me livre. Quero atrapalhar nada não. Nesse caso eu conto. Pode escrever ai.
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Belo Horizonte, 22 de outubro de 2010.
Local: Rua do Ouro, nº 16520 Bairro Serra, Belo Horizonte, Minas Gerais.
No dia 14 de agosto de 2010, às 20h45min, o réu, Fernando de Oliveira Brito de 26 anos, pardo manteve relações sexuais com a vítima Aparecida de Jesus Nepomuceno de 43 anos, branca, antes e depois de morta em cima de carne de animal aparentemente de boi e de porco que estava espalhada pelo local. O réu foi pego em flagrante cometendo atos sexuais com a vítima já falecida e declarou que sentiu a necessidade de praticar sexo tendo como fetiche a carne de animal que levou sem autorização de superiores para o local do crime. Foram encontradas uma faca no chão coberta de sangue e uma câmera filmadora com a bateria arriada.
Fica determinado que a pena por crime hediondo previsto neste artigo na Lei 20002/72 será cumprida em regime fechado por 35 anos. Já condenado, não cabe mais ao réu o direito de recorrer por liberdade. Condenado ainda por falso testemunho por 15 anos previsto na Lei 023698/89. O réu não tem mais o direito de resposta.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Ela é assim!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Resposta sem título 24/10/2006
Att,
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Eu jurei, eu sei.
Você e Ele
Às vezes eu quero você
Outras quero ele
Você por que é bonita
Mais que isso, me cativa.
Ele porque tem as mãos bem compridas
Como esse verso
Quero você despida
Ele com a bermuda fodida
É dele as delícias
E suas as meninices
Quero você e a boca
Quero ele e a mosca
Que ronda nossas pernas
Não vamos ver novela
Vamos fazê-la
Você minha estrela das oito
Ele comercial de biscoito
Você e seus vários cabelos
Ele com cachos pretos
Vamos viajar e eu sei
Que ambos adoram a praia
Vamos nadar no salgado
Que é a nossa estrada
De paixões impossíveis
Só por mim almejadas.
sábado, 21 de agosto de 2010
...AUMENTA UM PONTO, JOAQUINA FOI...
Calço, vejo
Onde vou reconheço
Alguém, alguém viu
A Joaquina passar por aqui
Nesta esquina?
“Joaquina decidiu fugir de casa. O motivo ninguém conhece”.
Mentira! Mentira!
Calço, vejo
Onde vou reconheço
Alguém, alguém me disse assim:
Joaquina gosta de mim.
“Joaquina fugiu de casa por causa de um amor impossível”.
Mentira! Mentira!
Calço, vejo
Onde vou reconheço.
Alguém, alguém
Viu Joaquina chorar
No canto da outra esquina.
“Joaquina não gostava do seu prometido por isso decidiu fugir”
Mentira! Mentira!
Calço, vejo
Onde vou reconheço.
Alguém, alguém ofereceu a Joaquina um bom lugar.
“Joaquina gostava de caminhar. Joaquina só foi passear”.
Joaquina? Joaquina! Joaquina. Joaquina! Joaquina? Ah, Joaquina...
terça-feira, 6 de julho de 2010
Na Solidão
Na solidão do meu quarto
Eu e meu lençol
Ah, e um travesseiro
Jogado ao sol
Vê a noite cair
Eu assistindo na TV
Um filme sobre Piaf
Penso: como é lindo morrer!
Na solidão do meu fardo
Eu sem nenhum quadro
Mas pilha de revistas para colorir
Penso na vergonha que vivo
E me torturo: para o que eu nasci?
Na solidão dos meus braços
Abro gavetas e refaço
O arco da flecha do querubim
Um amor: penso em amar antes a mim
Num livro quase intocado
Vejo Clarice e seu legado
E termino assim:
“E eis que depois de uma tarde de ‘quem sou eu’ e de acordar à uma hora da madrugada em desespero. Eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida, mas, por enquanto, olha pra mim e me ama! Não! Tu te olhas para ti e te amas. É o que está certo”.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Felipe
Quando tirou carteira, garoto, tinha 17 pra 18. Comemorou jogando sinuca num boteco sujo. Agora que tinha a carta faltava-lhe o carro. Economias? Nada. Pai falecido, mãe pensionista. Tios? Alguns, todos falidos. Era preciso trabalhar e juntar. Foi trabalhar de peão. Segundo grau completo, pouca oferta. Mercado severo, não tinha escolhas. Montava bicicletas. Do que ganhava um pouco guardava, um outro torrava e com trocos procurava agradar a mãe. Lenços, toalhas, mini-frascos de perfumes importados. Acho. Não demorou muito pôde ter o primeiro carro. Depois trocou. Mais troca. E uma última sua pick’up. Dirigia pela movimentada Avenida Pedro II quando, da batida suicida, morreu. A camionete rodara, capotara e por fim chocou-se num poste. Com Felipe morreu também Nair, um amigo da Monark. A avenida empalideceu-se, afinal eram três jovens moços em banho de sangue. Todos morreram ali mesmo. Minto, parece que Nair chegou a ser socorrido, mas a caminho faleceu.
Lembro, com muito gosto, da paixão por carros. Também tenho os meus. Penso em acidentes, em fraturas e perdas de dentes e continuo dirigindo. Por sorte ninguém se jogou a frente do meu carro. Por sorte apenas pequenas batidas. Pequena mesmo. Porque sei dirigir e o faço com prudência. Quando me distraio, me corrijo. Por isso evito o retrovisor. Às vezes me sinto assim, Claude e velho de mais. Vejo moças lindas, quase nuas e seus dotes de conquistar os bofes. E eu assim, como Claude, meio sozinho. Meio feio, velho, tristinho. Hoje é carnaval e tantos jovens me assustam. Suados nas ruas a pular e beber mil biritas. Inveja mesmo. Pego o telefone e desligo. Depois redisco. Meus amigos...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Vida Real - Final
terça-feira, 15 de junho de 2010
Vida Real - Parte II
domingo, 13 de junho de 2010
Vida Real

domingo, 30 de maio de 2010
Frutas da estação
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Perdeu, playboy!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Rima da desilusão
Vou mandar pintar a casa para sumir com suas digitais
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Êo, êo eaaaa............ ... a festa vai apenas começar!
segunda-feira, 22 de março de 2010
Isso sim é respeito com o povo
Fonte: Paulo Henrique Lobato - Estado de Minasquinta-feira, 4 de março de 2010
Vão à Igreja
FONTE: Márcio Costa // Igreja São José/BHquinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Rima de Carnaval
Foi com muito calor que os foliões aproveitaram o carnaval. Suor e muita cervejinha fizeram de fevereiro o mês do “rebolation” e do “beijar na boca”. Para muitos, nada mal. Para os mais animados o mês foi mais que isso. Radical! Passaram da conta. Do limite. Incluindo até o do cartão de crédito. Uma paquera aqui outra dali. Nada a declarar disse a senhorinha a espiar da janela. Indiscreta que nada. Tava lá a bisbilhotar as moças de saias e os rapazes idem. “Quem não chora não mama segura meu bem a chupeta....” cantava um mocinho fantasiado de capeta. “Vai uma cervejinha ai, Dona?” gritava o ambulante proibido de perambular pelas orlas cariocas. “Cervejinha não. Quero um cervejão”, respondeu a magrela fazendo alusão ao comercial que passa repetidas vezes na televisão. E dali “rebolation” na lage. A lona fazendo de telhado. Churrasco cheirando longe e o marido reclamando do biquíni cavado. “Deixa minha marquinha”, falou a bonitinha. O abre alas que eu quero passar. Um com muita mordomia e outro só falou que ia. Ficou na vigília obrigado pelo pai que orou os quatro dias. Isso é o carnaval! Camarote milionário e milionário no camarote. Não faltou princesa e dote. Estrangeira convidada que não pagou nada. Celebridade só no tchauzinho, fazendo trenzinho, comendo pouquinho e dando beijinho. “Oh, lá em casa” gritou o fortão quando viu a Paola Oliveira descer até o chão. Rainha de bateria tinha de todos os tipos. Morena torneada, pequena arretada e lourão com bundão. E tinha mais. Velha assanhada, toda depilada e fazendo carão. Esse foi o carnaval do brasileiro que reclama não ter dinheiro, mas gasta com avião. E o tempo já passou. Hora de descansar. Quarta feira com cara de segunda. Hora de trabalhar. O amor de carnaval não sei onde foi parar. Já chegamos à cidade com vontade de voltar.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Que maravilha!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
H.A.I.T.I. Escrito assim com pontos. Como se escreve S.O.S
domingo, 17 de janeiro de 2010
UMA FUTILIDADE
Uma futilidade
Você a tarde
Me fazendo dormir
E a noite
As onze
Você no telefone
Desfazendo de mim
Sua futilidade
Está presa
Quando me faz sair
E esquecer os problemas
Que nós dois temos aqui
Futilidade você
Me tratar sem fingir
Me ama se convém
Me dispensa
Aos outros que vem
Uma futilidade
Você falando bem
De mim, dos outros
E o seu meu nada ter.