Ainda era dia. Ela se arrumava para o baile de mais tarde. Ele, menos preocupado, também se ajeitava. Cabelo penteado. Fantasia engomada. Cabelo escovado. Fantasia na costureira. Maquiagem semi-pronta. Combinava com o tom adocicado do vestido. Tudo quase pronto para o grande dia: Faltava a permissão do pai.
--Ora, deixe a menina ir.
--Cala-te. Sua insignificância não sabe falar.
Homem severo. Coração amragurado. Sem amor. Ela chorava e implorava por um sim. Menina bonita de olhos bonitos. Educada. falava somente o necessário. Ele, ancioso, também se ajeitava. Cabelo penteado. Fantasia no corpo. Já era nove horas. Esperava um grande amor. Ele não a conhece. Não sabe seu destino. Ela já o viu na praça. Família honesta. Pobre. Ele nada sabe. Família rica era a dela. O relógio marca vinte e duas horas. Ela chega. O pai permitiu. Vestido rodado. Fantasia de princesa. Ele também. Vestia preto. Máscara atraente. Se olham. Dançam. Era tarde. Ela precisava voltar. Para ele, ainda cedo. Podia ficar. Só mais um pouco. Meia hora.
Se beijam.
--Tenho de ir.
--Não fique.
--Não poso. É meu pai.
--Quem?
--Meu pai!
--Te amo!
--Não ouvi.
--Te amo.
--Eu também.
--Não sabe quem sou.
--Sei sim.
--Quem?
--Menina bonita. Parece princesa.
--Tristeza.
--Não, princesa.
--Tristeza. Tenho de ir agora.
--Não, volta.
--Não posso. Adeus.
--A Deus, eu peço que fique. Falo com seu pai.
--Não dá mais.
Outro beijo.
Despedia. Coração apertado. Talvez em um novo encontro. Não está certo ainda.
Despedida. Coração acelerado. Certeza de um novo encontro. Tudo certo.
Grande amor. Um só coração. paixão.
Ele chora... Ela também....
Familia foi embora. Portugal.
Grande amor. Apenas um encontro.