quinta-feira, 9 de abril de 2009

O baile 03/08/2004

Um baile. De um lado as garotas da cidade. Vestiam roupas elegantes com cores distintas. Não era permitido repetição. De outro lado, os rapazes. Todos elegantes usavam distintivos com as mesmas cores dos vestidos das damas. Ao fundo do salão surgia uma luz bela que enfeitiçava a todos. A meia noite fora servido o jantar. As duas da manhã licores e doces. As seis, um café.

Helena, uma das moças da festa usava o vestido de cor lilás. Pedro tinha o distintivo correspondente. Durante o baile dançaram e conversaram.... Surgiu uma paquera.

---Você é a mais bela da noite.
---São seus olhos.
---É verdade. Nunca vi mulher mais linda.

...............................Se beijaram........................


---Tenho de ir.
---Espera mais um pouco. Tome pelo menos o café.
---Não posso já está tarde.

Nunca mais se viram. A esperança de Helena era reencontrar Pedro no próximo baile. Ano que vem, quem sabe.

---Com licença.
---Pois não.
---Desculpe, mas a senhorita deixou cair o leque.
---Obrigada.
---Helena?
---Pedro?
---Sim, é Pedro.
---Que bom revê-la.
---Digo o mesmo. Vamos sair daqui. A música está muito alta.
---Vamos?
---Pra onde?
---Pra fora.
---Que hora?
---Lá fora, no jardim!
---Pra mim?
---Eu te amo!
---Engano?
---Não eu te amo!

Banana tipo exportação

No Brasil a discriminação acontece através da hierarquia social que é uma ideologia herdada por Portugal. Não temos como fugir disso, já é cultural. É claro que também somos produtores e transformadores da cultura por causa do nosso meio. Temos uma mentalidade de "cooperação" entre os diferentes e mesmo que passe o tempo não vamos mudar nossas ações.
Circula pela internet uma piada de muito mau gosto (olha o racismo aí) que descreve exatamente o racismo oculto por nós.

"Daiane dos Santos liga de Atenas, para sua mãe:

--Mamãe, tem ouro e prata. Qual a senhora prefere?
--Nenhum dos dois, minha filha. Prefiro mesmo é caturra."

O mesmo país que acredita e aposta em um negro é capaz de destruí-lo com a mesma intensidade. Como o caso de Daiane. Pele escura, pobre e com sonhos calcados na vitória. Bandeira VERDE e AMARELA e até as serpentinas de carnaval são válidas na hora da torcida. A Grécia se tornou pequena demais para essa "brasileirinha".

Foi esatabelecido um pacto: Os Meios de Comunicação de Massa veículam belas notícias carregadas de emoção com o intuíto de informar e de enriquecer culturalmente o povo brasileiro que compra o jornal, que assiste à TV, assina a internet e, que aumenta significativamente o faturamento desses empresas que visam à informação.

Como um país que dá a vida para garantir recordes nas olimpíadas (que na verdade chama-se "fábrica de dinheiro" ou "indústria cultural"), tem uma atitude, ora explicita, ora mascarada, a ponto de discriminar não só a pobre menina mulata, mas também a si mesmo?

É muito simples. Se Daiane tivesse ganhado, milhões de reais apareceriam em publicidade para ela e o faturamento das empresas duplicariam. O ouro é nosso! A trajetória de vida da menina de ouro seria exposta aos quatro cantos com o slogan: "Ela merece" ou quem sabe "Do Brasil para o mundo".

Nada disso. Ela perdeu. O sonho olímpico acabou. O Brasil teve um prejuízo moral muito grande. Suas crianças perderam a vontade de praticar esporte e a população inteira ganhou uma banana. Quanta hipocrisia. A macaca mór.... Morreu.

Como já dizia a música "Brasil, mostra a sua cara". O que ocorre é uma mistura de raças para a camada superior sustentar a inferior, ou vice-versa. Mas sem esquecer de uma coisa. Cada macaco no seu galho. Será esse o caso de Daiane? Para que temos de fingir que gostamos dela ou dele, disso ou daquilo se já existe uma concepção racista?

Há uma pseudo-tolerância das misturas de raças dentro dos conflitos existentes na sociedade quando se trata de aceitação. Essa mistura de raças nada mais é do que fruto de determinismo biológico que dissimula o preconceito. E não há nada mais racista do que a própria exaltação da identidade racial.

Nós tendemos a criar lendas em cima da idéia da fusão das raças: índio, negro e branco. Buscamos explicações culturais em cima dessa ideologia que na verdade mascara o conflito. Assumimos de uma vez por todas que somos preconceituosos sim e que tudo vai mudar? Ou concordaremos para sempre com os Meios de Comunicação de Masssa que não são a favor do racismo; muito pelo contrário, eles até noticiam cotas para negros em universidades?
obs: Texto escrito em 2004.

27/08/2004

Vou tentar. Não sei se consigo. Não minto. Até choro. Rio também. Não o de Janeiro, mas o fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, NOVEMBRO, dezembro. Um ano. Dois, três. Vou tentar. Eu consigo, não minto. Até Rio. Choro também...

Felicidades

Bem lá no alto,
Uma estrela
Linda, bela
Sensacional....
Linda, bela
Uma estela
Bem lá no alto.......

Eu olhei. Você olhou.
Brilhava tanto aquela estrela....
Pensei que fosse minha.
Você, sua.

Não era Natal!
Esperávamos o bloco passar...
"Bandeira branca amor"
Fantasiados para amar.

Andarilho os meus olhos
Acompanhava a bela estrela.
E ela refletia você.

Por isso pensou que era tua
E não minha.
Por isso ela é minha.

Mas como era fevereiro
Bem distante do Natal
Não poderia te desejar....
Então.... feliz carnaval.

Mas hoje é Natal
Bem pertinho do Carnaval
Por isso te desejo......