quinta-feira, 23 de abril de 2009

LIVRE-A-IDADE


A liberdade que arde numa fogueira de desilusões. É isso mesmo, o velho ditado ainda serve: “ninguém está satisfeito com o que tem”. Um pobre rapaz, numa dessas de admirar o tempo, questionou-se quanto à liberdade que lhe foi imposta. Por que saio a hora que quero? Por que falto a compromissos sem nenhuma explicação? O meu quarto, anda sempre bagunçado, é tudo meio engraçado.
O desejo de construir uma vida mesmo com ajuda da família ainda é um problema pra esses adolescentes que sempre tem razão. Enquanto prisioneiro da barra de uma saia, à vontade de não dormir a noite misturada com a influência do pito é sem dúvida, um instrumento de muita dor de cabeça. Eu é que o diga.
Não sabem como morar sozinhos sem o guarda que sai pra trabalhar e só chega à noite, e a gata borralheira que lhe prepara o jantar. E ainda tem parte de uma sociedade que, para eles não fazem nenhuma diferença. Ou será que eles são a diferença? “Mamãe, o fulano fez isso. Papai cicrano fez aquilo”. Pra que servem os irmãos? Para enxerem o saco. Nem sempre.
Talvez, esses jovens de pouca experiência, nessa trajetória tão peculiar e importante de suas vidas, ainda não buscaram a real identificação. Quando uma porta fechar, um não que ouvirem, o dinheiro que faltar, somente, assim, o valor virá.
Uma mistura de sentimentos irá desabar sobre suas cabeças. Chega a hora de ouvir a voz da sabedoria, que ria e até chorava em situações.
A voz de seus pais que moram lá longe, no interior seja onde for, o desabafo que consola.
Como faz falta o quarto sempre arrumado, a comida sempre pronta, o carinho do irmão, aquele mesmo que vocês tanto odeiam. Como queriam aquela briga na hora do banho.
A tal liberdade que arde numa fogueira de desilusões sempre vem acompanhada de ditos verdadeiros. “O bom filho a casa retorna” mesmo que seja só de passagem, pois o sonho tem que continuar.


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