quinta-feira, 30 de abril de 2009

Chorei de medo e de vergonha

Não chega ser uma chacina. As mortes são diárias e aos poucos nas periferias do Rio de Janeiro. Uma juventude deslumbrada por um poder absoluto que reina apenas a uma parte do bairro dominado. "Fogo cruzado. Eu tô no fogo cruzado. Vivendo em fogo cruzado. E eu me sinto encurralado de novo no gueto. O medo abala quem ainda corre atrás do fascínio que traz o medo da escuridão que é a vida."

Com a vontade de ganhar o mundo, traficantes medem forças uns contra os outros a fim de definir quem é o melhor. Civis que acordam cedo para trabalhar e que chegam tarde depois de um dia tomado pelo cansaço mal podem abrir os portões de casa, isso quando os tem. A vida realmente não está fácil para essas pessoas que buscam sei lá o que.

Constatei que a população ao redor do tráfico não move forças para tentar diminuir a violência e que essa já faz parte do cotidiano delas. O barulho dos tiros soam como uma batida de mais um funk carregado de apologias. Ao invés de se esconderem debaixo das camas ou em pontos mais baixos para fugir de uma bala perdida, a maioria das pessoas correm para as janelas na tentativa de encontrar o melhor ângulo para aquele espetáculo. Não sei. Me senti acuado a tal situação a ponto de perder o controle e chorar. Chorei de medo e de vergonha. “No gueto o medo ilude e seduz com o poder da cocaína. Quem comanda o sucesso das bocas de fumo da esquina.” Vi crianças armadas com metralhadoras e rádios de comunicação em plena virada de ano. Vi mãe de traficantes esnobar a vizinhança com fogos de artifícios com várias cores de Almodóvar.

“Mas a favela não é mãe de toda dúvida letal. Talvez seja de maneira mais direta e radical. O sol que assola esses jardins suspensos da má distribuição. Que arranham o céu, mas não percebem o firmamento que se banham a beira-mar, mas não se limpam por dentro.”

Vi carros roubados e largados nas ruas ao meio do dia com a chuva castigando uma cidade cheia de extremos. Sinceramente eu não sei de mais nada. Perdi o sentido da vida naquele instante. Depois dos tiros e da entrada do novo ano, a chuva continuava a castigar o Rio e, o janeiro apenas começava. A paz desejada a meia noite parecia não ser de coração ou que Deus não ouvi as preces das milhares de pessoas que são figurantes de uma novela que parece não ter fim. "Que se orgulham do Cristo de braços abertos, mas não abrem as mãos para novos ventos.” Sinceramente eu não sei de mais nada. Perdi o sentido da vida naquele instante. Vi um adolescente de não mais de dezessete anos der chamado pelo rádio a comparecer a entrada da favela para ser eliminado por ter abandonado seu posto de vigia no auge da guerra entre polícia e bandido. Vi a mãe desse mesmo adolescente comprar pão no dia seguinte na padaria da esquina. “Tô no fogo cruzado, vivendo em fogo cruzado. Entre a Bélgica e a índia, entre a Jamaica e o Japão. Entre o Congo e o Canadá onde a guerra nunca ta. Entre o norte e o sul. Entre o mínimo e o máximo denominador comum.”

*Texto escrito em janeiro de 2007. Relato de acontecimentos reais no bairro de Bangu na cidade do Rio de Janeiro. Consta a letra da música Fogo Cruzado da banda O Rappa entre aspas e itálico.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Buda Peste

Um mundo igual ao outro
Criado pelas palavras.
Descrição.
Duas visões.
Um outro.

Imagens, personagens, livro.
Dúbio. Duplo. Dois.
Você e eu.
Sujeito individual.
Coletivo.
Ambos.

Mentalidade
Mundo social
Igual a outro.

Contrapõe. O autor.
O leitor:
Alguma visão. Interpretação.
Sua vida. Minha vida.

Ideologia. Sociedade.
O público: "Puta que pariu".
Estratégia. O leitor.
Captação! Palavrão?

Húngaro. Língua diabólica.
Metódica.
Dois mundo. Um igual ao outro.
Obra literária.
Que fala.
Que pensa.
Catarse. Mundo social.
Igual.

Palavras. Uma peste.....
Interpretação dúbia.
Buda, crença.
Cidade. Juntas.
Peste-Buda.
Buda-Peste.

*Poema escrito em 18/05/2004, baseado no livro Buda Peste de Chico Buarque de Holanda, 2003.

Café e Rebu

A cama arrumada
Ela penteada, maquiada, determinada.
Antes de mais nada, ela.
Andava sozinha pela cidade.
Seu perfume barato esalava
Sem maldade,
Foram cinco borrifadas, tem idade.

Luzes acesas.
Andava sozinha pela cidade
Artificiais, cadeiras, mesas
Postes paralelos,
Neon, muito neon.

Decidiu entrar.
Entrou.
Andava acompanhada pelo lugar
Luzes acesas
Naturais, Lua, calor.

A fumaça do cigarro ao fundo
Vários olhares ao razo.

Sentou, olhou, com licença
Alguém se aproximou.
Ela permitiu. Gostou.

Unhas vermelho rebú
Colar de pérola cor de pérola.
Feita sobrancelha.

Um beijo de leve
Napolitano: Batom barato, cerveja e cigarro.

O cabelo atrapalhou o desempenho
Arrumou.
Se olharam.

Unhas café
Não usava colar
Somente seu perfume
Cinco borrifadas,
Não houve cantada.

As mãos se entrelaçaram
Café e Rebu
Como reza ou oração
A Deus pediram benção
Pra uma nova relação.

*Poema escrito em 31/07/2004 - 17:25hs

sábado, 25 de abril de 2009

Alô...Alô? Cem Anos de Carmem Miranda

FONTE: Márcio Costa
Belo Horizonte pôde se encantar ontem, 24/04/09 com o show que comemora o centenário de Carmem Miranda, em única apresentação no Palácio das Artes. Alô...Alô? Cem anos de Carmem Miranda, reuniu Pedro Luiz, Marcos Sacramento, Beatriz Faria e Roberta Sá que cantaram grandes músicas da cantora como Chica Chica Boom Chic, Disseram que voltei americanizada e Tai, Pra você gostar de mim. Esta última você confere no video abaixo.

A direção do espetáculo é de Luís Filipe de Lima que também participou tocando violão. A banda formada por Eduardo Naves (sax e flauta), João Callado (cavaquinho), Paulinho Dias e Fábio Cazes (percussão) deixaram a platéia satisfeita com a qualidade dos arranjos.
O show teve como apresentador o biógrafo Ruy Castro que, através de depoimentos, projetados em um telão, narrava a vida e obra de Carmem Miranda desde o sucesso em Hollywood e Broadway como aqui no Brasil. Os ritmos eram bem variados. A cantora cantava desde marchinhas de carnaval como 'forró" junino.
Tudo isso nas interpretações de excelentes cantores que souberam transmitir quem foi Carmem Miranda. Cantora que mais gravou músicas de Ary Barroso e Assis Valente e que fez seu nome na história da música popular brasileira. Foi a primeira artista que conseguiu atravessar fronteiras e quebrar protocolos americanos com seu jeito único de cantar. Carmem foi uma artista com um dos maiores salários e vendagens de discos no pais. Ruy Castro conta que Carmem era popular e se formou cantora nas ruas do Rio de Janeiro, na Lapa, no meio de malandros, vagabundos, boêmios, jornalistas e cronistas.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Três... Dois M’s e, um I

Imagem: Márcio Costa

Um pouco do pai.
Um pouco da mãe.
Muito dele mesmo!
Garoto levado, antenado.
De um lado, alegria na boca.
De outro, tristeza nos olhos.
Apenas um. O suficiente para enxergar! Um pouco do pai!
Um pouco da mãe!

Tem dois olhos.
Enxerga o mundo, e além.
Pensa, repensa. Um balão de gás...
... chega a flutuar.
Cai de novo.
Parece anormal.
Não é. É legal.
É mãe.
É pai.
É tia.
É prima também!
Hoje é avó!
Dessas preocupadas
Com as desocupadas.
Que ajudam a encher sua cabeça.

Teve problemas
Como todo mundo.
Veste esperança
Até o pescoço.
Somente uma orelha é do seu filho.
Pensa, repensa.
Volta atrás,
Mas continua andando. Ou será pensando?
Sabe fazer o bem como ninguém.

Esse é muito normal? É cara de pau.
Homem comum.
Com 2.
Com 3.
Com 4.
Com 5.
Sua família!
Parece nervoso,
Alinhado.
Chega tarde.
Atrasado.
Tudo bem!
A cabeça agüenta!
Ela pensa, repensa.
Veste esperança
Até o pescoço,
Mas às vezes também
Veste vermelho.

Ele toma vergonha dia
E noite.
Sol e chuva.
Chora e pede desculpa.
Coisa de pai.
Seu nariz indica algo de bom...

MALÚ

Malú!
Quem serás tu?
Moça divina
De pele clarina
Olhar azul!
Cor do céu alegre!
Dor da vida
Linda cabeça
Preto feito anu.
Quem será tu?
Malú!
M de mulher
Que sabe o quer!
Dissílabo, trivial,
M de mal
De malú.

Também tem alguém,
Não sabe que tem.
Pobre Malú.
Olhar cinza!
Cor do céu triste!
Dor na cabeça
Linda vida!
Verde feito esperança.
Quem será tu
Malú!

Tentativa

Quero aprender, procuro saber o que é mais importante na vida.
É por isso que descobri algumas coisas: o sorriso das pessoas,
O vento que bate na janela,
A música que vem de longe.
Saudades da infância.

Meu primeiro beijo sem
a tradução do dicionário.
O valor da primeira briga.
As mentiras que aparecem,
As verdades que são muitas.

Quero aprender,
Procuro saber
O que é mais importante na vida.
Solidão que me devora.
Alegria que implora por
Um sorriso meu.

Amores e desamores.
Que vão, que vem.
Uns ficam eternamente.
Outros também.
Cada um a sua maneira.

Resgato um alguém eterno
Que sempre quis meu sorriso,
Ora de alegria, ora de tristeza.
Hoje, ele tenta se encontrar
Sozinho.
Fica no ninho, sem proteção.

O mundo, agora é que devora.
Alegria que implora por um sorriso meu.

LIVRE-A-IDADE


A liberdade que arde numa fogueira de desilusões. É isso mesmo, o velho ditado ainda serve: “ninguém está satisfeito com o que tem”. Um pobre rapaz, numa dessas de admirar o tempo, questionou-se quanto à liberdade que lhe foi imposta. Por que saio a hora que quero? Por que falto a compromissos sem nenhuma explicação? O meu quarto, anda sempre bagunçado, é tudo meio engraçado.
O desejo de construir uma vida mesmo com ajuda da família ainda é um problema pra esses adolescentes que sempre tem razão. Enquanto prisioneiro da barra de uma saia, à vontade de não dormir a noite misturada com a influência do pito é sem dúvida, um instrumento de muita dor de cabeça. Eu é que o diga.
Não sabem como morar sozinhos sem o guarda que sai pra trabalhar e só chega à noite, e a gata borralheira que lhe prepara o jantar. E ainda tem parte de uma sociedade que, para eles não fazem nenhuma diferença. Ou será que eles são a diferença? “Mamãe, o fulano fez isso. Papai cicrano fez aquilo”. Pra que servem os irmãos? Para enxerem o saco. Nem sempre.
Talvez, esses jovens de pouca experiência, nessa trajetória tão peculiar e importante de suas vidas, ainda não buscaram a real identificação. Quando uma porta fechar, um não que ouvirem, o dinheiro que faltar, somente, assim, o valor virá.
Uma mistura de sentimentos irá desabar sobre suas cabeças. Chega a hora de ouvir a voz da sabedoria, que ria e até chorava em situações.
A voz de seus pais que moram lá longe, no interior seja onde for, o desabafo que consola.
Como faz falta o quarto sempre arrumado, a comida sempre pronta, o carinho do irmão, aquele mesmo que vocês tanto odeiam. Como queriam aquela briga na hora do banho.
A tal liberdade que arde numa fogueira de desilusões sempre vem acompanhada de ditos verdadeiros. “O bom filho a casa retorna” mesmo que seja só de passagem, pois o sonho tem que continuar.


terça-feira, 21 de abril de 2009

Já votou hoje?

Só para lembrar: dá pra votar diariamente! As categorias são:
Melhor Cantora: Maria Rita
Melhor Clipe: Não Deixe o Samba Morrer
Melhor Música : Não Deixe o Samba Morrer
Melhor DVD de Música: Samba Meu
Melhor Show: Samba Meu
Melhor Instrumentista: Jota Moraes (piano) ou Sylvinho Mazzucca (baixo acústico) ou Tuca Alves (violão) ou Camilo Mariano (bateria) ou Márcio Almeida (cavaquinho) ou André Siqueira (percussão) ou Marcelinho Moreira (percussão)
Já votou hoje? Acesse o site do Multishow agora mesmo!

sábado, 18 de abril de 2009

Marcelo Camelo

É impressionante como estou enlouquecido pelo Marcelo Camelo. Ele é incrivelmente incrível. Aqui cabe todas as redundâncias possíveis. Só me dei conta de que Camelo é o cara, agora. Hoje. Em tempos atuais.... Nada de Ana Júlia. Esquece. Digo hoje mesmo em 2009. Abril. Não que Ana Júlia seja ruim... É só porque Santa Chuva é melhor. Porque Doce Solidão é um poema lindo de seis estrofes que conta uma história solitária com personagens ótimos. Como uma pessoa pode dizer que estar só e ao mesmo tempo ser de todo mundo? Não é incrível!? Narrar em música a vida de casais então...... é muito bom. Só posso dizer a todos, conheçam Camelo. Descubram o Marcelo. Acho ótimo ele chamar o homem de vil. Será um auto-retrato? Não sei. Só sei que ele brinca sutilmente com as palavras, homem viu se torna homem vil. Sim, são dois homens distintos em um só. Uma mulher presa por ela mesma dentro do quarto, imagino eu. Que não quer abrir a porta e, que para ele se faz de morta. Fala sério! Isso é muito bom. Mais um motivo para eu dizer que Marcelo Camelo é um artista. Do lado de dentro é uma música que não sai da cabeça. Porque é difícil de encontrar as notas para quem não canta, é claro. A Flor... Como um gesto, uma delicadeza quando se entrega uma flor ao outro pode gerar uma desconforto. Ela achar ser de um outro rapaz.... "eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim, mas mesmo assim..." "...Minha flor serviu pra que você achasse alguém um outro alguém que me tomou o seu amor". Coitado desse moço.... Isso é o Camelo. Fala do cotidiano. Descreve o sentimento poeticamente com um rock bom de se ouvir.

Doce Solidão

Posso estar só, mas sou de todo mundo
Por eu ser só um
A nem, a não, a nem dá solidão
Foge que eu te encontro que eu já tenho asa
Isso lá é bom
Doce solidão?
(Marcelo Camelo)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Do lado de dentro

Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo
- Abre essa porta, que direito você tem de me privar desse castelo que eu construí pra te guardar de todo mal, desse universo que eu desenhei pra nós ... pra nós. Abre essa porta, não se faz de morta, diz o que é que foi. Já que eu armei tudo pra ti, já que eu cerquei tudo ao redor. Abre essa porta, vai, por favor, que eu sou teu homem... Viu. Que eu sou teu homem vil.
- Cala esta boca que isso é coisa pouca perto do que passei. Eu que lavei os seus lençóis sujos de tantas outras paixões, que ignorei as outras muitas, muitas. Vai, depois liga diz pra sua irmã passar que eu vou mandar tudo que é seu que tem aqui tudo que eu não quero guardar que é pra esquecer de uma só vez que este castelo só me prendeu, viu?
Mas o universo hoje se expandiu. E aqui de dentro a porta se abriu.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O baile 03/08/2004

Um baile. De um lado as garotas da cidade. Vestiam roupas elegantes com cores distintas. Não era permitido repetição. De outro lado, os rapazes. Todos elegantes usavam distintivos com as mesmas cores dos vestidos das damas. Ao fundo do salão surgia uma luz bela que enfeitiçava a todos. A meia noite fora servido o jantar. As duas da manhã licores e doces. As seis, um café.

Helena, uma das moças da festa usava o vestido de cor lilás. Pedro tinha o distintivo correspondente. Durante o baile dançaram e conversaram.... Surgiu uma paquera.

---Você é a mais bela da noite.
---São seus olhos.
---É verdade. Nunca vi mulher mais linda.

...............................Se beijaram........................


---Tenho de ir.
---Espera mais um pouco. Tome pelo menos o café.
---Não posso já está tarde.

Nunca mais se viram. A esperança de Helena era reencontrar Pedro no próximo baile. Ano que vem, quem sabe.

---Com licença.
---Pois não.
---Desculpe, mas a senhorita deixou cair o leque.
---Obrigada.
---Helena?
---Pedro?
---Sim, é Pedro.
---Que bom revê-la.
---Digo o mesmo. Vamos sair daqui. A música está muito alta.
---Vamos?
---Pra onde?
---Pra fora.
---Que hora?
---Lá fora, no jardim!
---Pra mim?
---Eu te amo!
---Engano?
---Não eu te amo!

Banana tipo exportação

No Brasil a discriminação acontece através da hierarquia social que é uma ideologia herdada por Portugal. Não temos como fugir disso, já é cultural. É claro que também somos produtores e transformadores da cultura por causa do nosso meio. Temos uma mentalidade de "cooperação" entre os diferentes e mesmo que passe o tempo não vamos mudar nossas ações.
Circula pela internet uma piada de muito mau gosto (olha o racismo aí) que descreve exatamente o racismo oculto por nós.

"Daiane dos Santos liga de Atenas, para sua mãe:

--Mamãe, tem ouro e prata. Qual a senhora prefere?
--Nenhum dos dois, minha filha. Prefiro mesmo é caturra."

O mesmo país que acredita e aposta em um negro é capaz de destruí-lo com a mesma intensidade. Como o caso de Daiane. Pele escura, pobre e com sonhos calcados na vitória. Bandeira VERDE e AMARELA e até as serpentinas de carnaval são válidas na hora da torcida. A Grécia se tornou pequena demais para essa "brasileirinha".

Foi esatabelecido um pacto: Os Meios de Comunicação de Massa veículam belas notícias carregadas de emoção com o intuíto de informar e de enriquecer culturalmente o povo brasileiro que compra o jornal, que assiste à TV, assina a internet e, que aumenta significativamente o faturamento desses empresas que visam à informação.

Como um país que dá a vida para garantir recordes nas olimpíadas (que na verdade chama-se "fábrica de dinheiro" ou "indústria cultural"), tem uma atitude, ora explicita, ora mascarada, a ponto de discriminar não só a pobre menina mulata, mas também a si mesmo?

É muito simples. Se Daiane tivesse ganhado, milhões de reais apareceriam em publicidade para ela e o faturamento das empresas duplicariam. O ouro é nosso! A trajetória de vida da menina de ouro seria exposta aos quatro cantos com o slogan: "Ela merece" ou quem sabe "Do Brasil para o mundo".

Nada disso. Ela perdeu. O sonho olímpico acabou. O Brasil teve um prejuízo moral muito grande. Suas crianças perderam a vontade de praticar esporte e a população inteira ganhou uma banana. Quanta hipocrisia. A macaca mór.... Morreu.

Como já dizia a música "Brasil, mostra a sua cara". O que ocorre é uma mistura de raças para a camada superior sustentar a inferior, ou vice-versa. Mas sem esquecer de uma coisa. Cada macaco no seu galho. Será esse o caso de Daiane? Para que temos de fingir que gostamos dela ou dele, disso ou daquilo se já existe uma concepção racista?

Há uma pseudo-tolerância das misturas de raças dentro dos conflitos existentes na sociedade quando se trata de aceitação. Essa mistura de raças nada mais é do que fruto de determinismo biológico que dissimula o preconceito. E não há nada mais racista do que a própria exaltação da identidade racial.

Nós tendemos a criar lendas em cima da idéia da fusão das raças: índio, negro e branco. Buscamos explicações culturais em cima dessa ideologia que na verdade mascara o conflito. Assumimos de uma vez por todas que somos preconceituosos sim e que tudo vai mudar? Ou concordaremos para sempre com os Meios de Comunicação de Masssa que não são a favor do racismo; muito pelo contrário, eles até noticiam cotas para negros em universidades?
obs: Texto escrito em 2004.

27/08/2004

Vou tentar. Não sei se consigo. Não minto. Até choro. Rio também. Não o de Janeiro, mas o fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, NOVEMBRO, dezembro. Um ano. Dois, três. Vou tentar. Eu consigo, não minto. Até Rio. Choro também...

Felicidades

Bem lá no alto,
Uma estrela
Linda, bela
Sensacional....
Linda, bela
Uma estela
Bem lá no alto.......

Eu olhei. Você olhou.
Brilhava tanto aquela estrela....
Pensei que fosse minha.
Você, sua.

Não era Natal!
Esperávamos o bloco passar...
"Bandeira branca amor"
Fantasiados para amar.

Andarilho os meus olhos
Acompanhava a bela estrela.
E ela refletia você.

Por isso pensou que era tua
E não minha.
Por isso ela é minha.

Mas como era fevereiro
Bem distante do Natal
Não poderia te desejar....
Então.... feliz carnaval.

Mas hoje é Natal
Bem pertinho do Carnaval
Por isso te desejo......