quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Sorria São Pedro!


Qual o problema em ser clichê no fim do ano? O clichê no seu significado mais natural vale mesmo é ai, em dezembro. Mês em que São Pedro chora as mágoas inundando campos e alagando ruas. Podíamos telefonar para São Pedro e pedir chuva quando as plantações estivessem precisando e os rios secando e os bichos com sede. Este texto, por exemplo. Começou bem clichê. Porque falar de chuva em dezembro é muito isso tudo. Atrapalha as festas e a entrada do novo ano fica suja. Neste caso de lama, de lodo, de chuva..... Por isso chega de tanto o céu desabar. E as crenças e mandingas do que valem? Desenhar um sol na rua, no asfalto só tem sabor quando se é criança. Enquanto adulto, vale e olhe lá, oferecer a Santa Clara sabão em barra. Deve-se jogar no telhado de casa. Não no do vizinho. Nele, no vizinho, é bom ir mais tarde para filar a bóia, a ceia, o vinho ou chandon. Muitas pessoas prefrem sangue de boi à chandon. Qual o problema? Eu prefiro a tradicional cerveja. Gelada. Parecendo canela de pedreiro. Aprendi essa esses dias. Pois bem...... Valha-me de chuva. Estou úmido, pálido, com sono e com fome. Sintomas de uma boa chuva. De um tempo nublado. Sintomas de dezembro. Do mês 12 que se somarmos os números 1 + 2 resulta, claro, em 3 que significa, segundo a numerologia de Aparecida Liberato: otimismo, talento, bom gosto, comunicação, cordialidade, sociabilidade, expressividade, amor a vida, bom gosto, interesse em todas as coisas. E que tem como características negativas: futilidade, prepotência, exibicionismo, superficialidade, extravagância, vaidade, fraude, o ser anti-social. Por isso, meus caros, sempre existe o outro lado. E o outro lado da chuva, é o sol. Este que agora, aqui no sudeste, traria boa entrada para muita gente. E o clichê de bons fluídos e de um Feliz 2010 cairia muito bem. Não vamos nos entregar a tempestade. Torcer para que São Pedro esteja feliz e não chore nem de alegria. Ele devolveria a paz nos lares dos desabrigados, dos tristes, dos desesperançosos..... Sorria São Pedro. Sim, você está sendo filmado. Sorria, São Pedro. Sorria, São Pedro.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TEMPO

Não comungar o tempo
É de todas as atitudes
A mais egoísta
A expressão que diz
mEU tempo
É equivalente àquela que diz
sEU tempo
E ambas não socializam
Como se fosse possível
Fazer do tempo potes
Não entendendo
Que a condição primeira
Do próprio tempo
É fazer parte
E qualquer coisa partida
É no mínimo duas
(Wester de Castro)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Partir


Acho que já posso partir.
Já posso partir.
Já posso.
Eu posso.
Vivi quase trinta anos.
Vivenciei brigas, amores, paixões...
....Dos outros e minhas paixões, amores e brigas.
Já chamei tudo de trem e ainda chamo.
O trem que deveras é, o chamo de metrô.
A minhoca de metal dita por Falcão.
Eu que já pisei num palco como artista.
Que fiz um mundo torto de autista.
Que vi por muitas vezes Maria Rita
E por muito mais ousei cantá-la.
Degustá-la em minha vitrola.
Que assisti Bethânia. Que dormi Bethânia.
Que comi Bethânia. Que fui lá ver...
Bethânia-me! Bethânia-me!
Que fui mais que fã por ai.
E até por aqui.
Que recebi axé.
Um abraço apertado....
Mesmo não sendo de namorado.
Que me retribui carinho de amigo.
Eu já me posso partir.
Por ter a Cozza por perto
Por amar a Cozza.
Por ela ser mais do que é.
Ela é. Sim, ela é.
Reservo este tempo para contar
Pra você ter o que lembrar.
A música me dá alegrias
Mas preciso partir.
Acho que já posso partir.
Já posso partir.
Já posso.
Eu posso.

CLAUDIA


karina, quando criança, tinha jeito de criança. Sem nenhuma prioridade anormal. Gostava de coisas típicas de criança. Sistematicamente. Quando começou a ter corpo, ou melhor, quando seu corpo começou a ter mais forma feminina que infantil nada de estranho lhe era visto. Gostava de vaidades e tudo que lhe atribui. Cabelos, cheiro e espelho. Karina foi durante muito tempo como o tempo queria. Ela, simpática, tinha muitas pessoas que lhe queria bem. Sempre havia a sua volta um mimo. Conhecia muito bem alguns amigos e dividia com eles certos lugares. Bares, cinemas e escola. Mas foi na rua, coisa de tropeço, que Karina conheceu Claudia. E esta história é sobre Claudia. Ate onde se pode contar.
Claudia é digna de mil detalhes, mas vou me ater a um. Tinha dezesseis anos. Com dezesseis anos já se fez muita coisa. Nadou no mar, menstruou-se, brigou por coisas inúteis, etc, etc e etc. Coisas de dezesseis anos. Foi na esquina da Álvares Cabral com Augusto de Lima, dois grandes homens, que as duas, como disse anteriormente, tropeçaram. O sinal fechado para pedestres uma de lá, outra de cá. Um olhar que se cruza. Uma paixão que não se explica. O sinal abriu e ninguém atravessou. Houve medo do desencontro. Se olharam a distância de uma rua durante mais um tempo. O tempo de um sinal. Claudia atravessou e, já do outro lado, apenas sorriu. As duas passaram aquela tarde falando sobre tudo. Olhos concentrados em qualquer resposta. Mal sabiam que passaria dezesseis anos juntas. Amando de dar inveja. Felizes de dar inveja.
Logo decidiram namorar e que isso implicava responsabilidade. Apresentaram-se a quem deviam e seguiram. Beijavam com muita beleza e se falavam por códigos que só os amantes estruturam. Pensaram no futuro e em seus filhos que com certeza teriam. Não dividiam os perfumes. Cozinhavam uma para outra quando estavam acampadas na serra. Gostavam de música, cantavam juntas.
Claudia era simples, gostava de sandálias e amarrava o cabelo com passadeiras verdes e douradas. Tinha enxaqueca e pavor de lagartos. Chamava Karina de Nariza. O porque não sei. Mas achava lindo. Nariza é um apelido lindo. Coisas que só amantes entendem.
Claudia se desesperou quando Karina sofreu um acidente na porta da faculdade. Foi preciso socorro, internação e reserva de sangue. Descobriram que era hora de se casarem. E se casaram. Os melhores amigos levaram coisas. Cartões, panos-de-pratos, panelas e flores. Fizeram compras, compraram anéis e vasos. Pensaram em crianças e foram ao médico. E lá Claudia descobrira que jamais poderia ser mãe. Passaria por uma cirurgia de urgência. Sofreram e sofreram para sempre. Claudia estava feia, karina se enfeara junto. Claudia sobreviveu a todas noticias e procedimentos. Ficou de repouso. Tomou drogas fortíssimas e não se formou. Deprimida com tudo, pediu para Karina a deixar. Tinha ela trinta e dois anos quando viu sair Karina sem lhe dizer nada. Tão pouco levar nada. Isso doeu. Não brigaram. Isso doeu. Não choraram. Isso, também doeu. Claudia estava só. Sozinha cozinhou menos naquele sábado. Comeu menos. Deitou mais cedo e não dormiu. Passou o sábado, o domingo e a segunda sem dormir. Com fortes dores de cabeça, pediu que sua mãe lhe visitasse e na terça-feira lá estava sua mãe fazendo coisas de mãe. Chá, carinho e broncas. Passaram as dores e muito tempo. Claudia tinha agora uma idade que preferia não revelar.
Dentro de suas preferidas frivolidades está o jogo de cartas e as cartas que escreve para ela própria. Às vezes no silêncio de sua casa ri quando ela mesma lhe põe apelidos. Já se chamou de Doris, de Chata e de Pesle. Não me pergunte porque. Pesle porque, talvez, tenha a ver com seu ritmo lento de fazer as coisas, como se tivesse pés de lesma. Claudia detesta fazer compras. Isso lhe faz lembrar tantas coisas. Que há pouco dinheiro, que precisa emagrecer e o iogurte que Karina adorava, mamão com aveia, saiu de linha. Saiu de linha, também, o creme de cabelo que Karina usava. Dizer que Claudia não esquece Karina um instante sequer é mentira. Mas gosta de pensar nela de supetão.
Karina é, hoje, uma senhora sem nenhuma grande anormalidade. Não tem filhos e usa óculos. Vive praticamente para cozinhar e ler. Evita supermercados. Escreve para Claudia, mas não envia. Fez algumas coisas que não podem ser ditas. Mora muito próxima da casa onde morava quando criança. Passa muitas vezes pela avenida Augusto de Lima e sempre espera o sinal abrir duas vezes para atravessar. Sorte e tempo ou tempo e sorte. Mal sabem as duas que ambas morrerão daqui dezesseis anos sem nenhuma possibilidade de reencontro ou tropeço.

sábado, 21 de novembro de 2009

Amor, Festa e Devoção

Ela dispensa comentários. Sua voz é única e seu talento incomparável. Maria Bethânia que acaba de lançar dois CDs, "Encanteria" pelo selo Quitanda e "Tua" pela Biscoito Fino, estreia turnê nacional com o show Amor, Festa e Devoção. Com os ingressos esgotados onde quer que se apresente, a cantora abre o espetáculo com "Santa Bárbara", a dona das rosas vermelhas. Uma devoção a fé do povo baiano. E para compor ainda mais as surpresas do show, quando abre-se as cortinas lá está ela, linda a frente de um cenário coberto por rosas. As mesmas que são versos da canção de Roque Ferreira. O público que no primeiro momento reage embasbacado com tanto capricho e cuidado, delira-se com a música "É o amor" quando Bethânia insere o refrão "Do jeito que você me olha vai dar namoro" e volta novamente para "É o amor". Incrível, incrível, incrível. Somente uma cantora como ela consegue fazer isso. Orgulho-me de ter Maria Bethânia como patrimônio histórico e cultural do Brasil. Mulher que faz da voz instrumento que transforma as pessoas. Quando a ouço descubro que nasci na década errada. Que estou hoje aqui para acompanhar as novas, mas tendo ela como referência sempre. Amor, Festa e Devoção nada mais é do que um momento para deixar as lágrimas cairem. Deixar a emoção tomar conta da nossa mente. Refletir o amor, o amor e o amor. Amor de irmão. De pai. Dos homens e sobre tudo o amor de mãe. Espetáculo todo dedicado a Dona Canô. Um viva a Bethânia! Ela é a "Ê Senhora" , ela é "Feita na Bahia", a "Coroa do Mar", ela é "Tua", do Brasil. Outro Viva a Bethânia. Bethânia-me, como disse Dona Omara outrora. Assistam Bethânia. Procurem por ela.

Foto: Márcio Costa


Santa Bárbara - Roque Ferreira


É o amor - Zezé di Camargo


Do jeito que você me olha - Bruno e Marrone


Feita Na Bahia - Roque Ferreira


Coroa do Mar - Roque Ferreira


Tua - Adriana Calcanhoto


Ê senhora - Vanessa da Mata

sábado, 17 de outubro de 2009

Morro do Macaco, RJ, 17/10

Texto escrito pela cantora Fabiana Cozza twitter: @FabianaCozza

A madrugada começou com "fogos de artifício" anunciava meu pensamento preguiçoso ainda de um sono recente. Sábado cinza, às 3h20. Aos poucos, o que poderia ser uma festa - diga-se de passagem de gente muito animada - foi se cristalizando em rajadas amarelas, alaranjadas que cortavam o céu da Zona Norte do RJ, em Vila Isabel, pertinho do Morro do Macaco.A Vila, que já foi de Noel e de Luis Carlos, dava sinais de sobrevida e cheirava a sangue. Senti uma dor no estômago forte, uma agonia mesmo estando "protegida" a alguns metros do bombardeio. Era como se eu estivesse ali, junto a mães, crianças, velhos, homens e mulheres, trabalhadores em meio as rajadas e explosões de tiros, muitos tiros. Uma dor pela minha infinita pequenez humana e impotência diante do que rugia em meus ouvidos. Uma dor pela nossa miséria humana, pelos aplausos às Olimpíadas de 2016, ao choro emocionado do presidente Lula, ao sorriso forçado do governador da cidade maravilhosa Sergio Cabral Filho, à festa na praia de Copacabana, princesinha do mar 50 anos atrás.Uma dor pelo tráfico ser uma economia rentável e mortal para a maioria dos jovens que nascem e vivem nos morros e nas periferias das nossas cidades. Um desespero pela nossa desestrutura, pelas filas de doentes sem convênio médico nos hospitais públicos, a luta pela caixa do remédio que dá uma sobrevida aos velhos, o esgoto onde as crianças brincam como se estivessem num rio, o lixão que é o pão e a mesa de muita gente, tristeza pela máscara que pusemos na cara e o perfume que disfarça nosso fedor.Morremos todos. Não é possível... meu tormento na madrugada era este: "não é possível". É sim Fabiana. E está aí, pra quem quiser ver, pra você ver. E não são baratas que podem ser esmagadas numa batida de chinelo. Já foram todos bebês. Quem somos? O que queremos? Que mundo a gente quer efetivamente e qual o tamanho da força que precisamos para conquistá-lo?!Milhares de outros ataques virão. E não tem nada de pessimismo nisso. É manchete no jornal, sensacional. Esse discursinho babaca de quem vive bem e acha que o problema está muito, muito longe. Mentira!Aqui em SP a gente gosta desta fala, falsa. Está tudo aqui, no nosso Haiti.Somos todos iguais nesta noite.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Ouçam, leiam, procurem por ela. "

Foto: Marcos Hermes

Texto escrito pela cantora Maria Rita

Fonte: http://www.maria-rita.com/



Desde ontem sou tomada por uma mistura curiosa de emoções. Primeiro veio a triste notícia do grave estado de saúde de Mercedes Sosa. Em seguida veio o acalanto de uma alma que compreende que a morte não é o final. No caso de Mercedes, é só mais um momento. De tantos outros. E nesta situação estranha de aceitação do eventual partir de uma entidade, chega uma imensidão de lembranças, curtas imagens.Meu primeiro contato com Mercedes foi ainda em Nova Iorque, em 1996 ou 97. Estudando, conheci a voz que mexeu comigo tão intensamente. Nenhum privilégio nisso. La Negra já havia feito tão mais. Sua história é de Guerra, é de entrega. É de chorar as vítimas dos medos, das sombras, das entranhas latino-americanas. É de entregar as raízes sincretizadas. É de delatar o feio, o imundo, o horror. É de honrar os seus. É uma história feminina, acima de tudo e no seu máximo.Quando em 2007 surgiu a possibilidade de uma apresentação com ela, não dei muita atenção. Não por arrogância. Mas por pânico. Jamais compreenderei a generosidade daquela alma gigante para comigo. A confirmação de duas apresentações me puseram a chorar no escuro no meu quarto.


Ao vê-la pessoalmente, na sala de sua casa, andando vagarosamente, a grandeza de sua pessoa, de sua história me atropelou. Me levantei em respeito, como haviam me ensinado quando pequena, mas inesperada e ingenuamente corri para seus braços. Ela colocou sua cabeça no meu colo, mulher de pequeno porte que é, e eu só fiz chorar. Em meio a um silêncio ensurdecedor instalado naquela sala. Pude confirmar a força que aquela mulher tem. é só ouvir atentamente tudo o que ela já cantou, e como o fez.Hoje me deparo com a possibilidade do partir. A perda é grande. Não somente para os argentinos. Mas a beleza da Música é que ela nos permite guardar nossos ídolos, para além das lembranças. Ouçam, leiam, procurem por ela. Hoje e sempre. Os anjos das luzes e das sombras podem estar se preparando para um momento único. Mas La Negra nos deu sua eternidade.Maria Rita

domingo, 23 de agosto de 2009

Maria Rita Esperança

FONTE: globo.com

Ela é polêmica e não se fala mais nisso. Não sabemos ao certo se existe uma intenção, mas a cantora Maria Rita não consegue agradar a todos. Vestida de boneca na última edição do programa Criança Esperança da TV Globo, Maria Rita solta o vozerão com a canção "O Homem Falou", de Gonzaguinha. Como toda estreia deixa o artista digamos que um pouco diferente, a cantora disse: "Estou lisonjeada com o convite. Foi uma das maiores emoções. Sai do palco tremendo de tanta adrenalina. É muito intenso. Estou maravilhada. Sempre que eu puder e que me quiserem eu vou estar aqui!"* Dizem até que ela desafinou. Segundo dicionário Aurélio, desafinar consiste em: fazer perder, ou perder, a afinação. E ainda segundo Aurélio vibrato é: que faz vibrar. Que produz ou é acompanhado de vibração. Pois bem.... Maria Rita exagerou no vibrato. E nos ê o, ê o ê a ........ deixou claro que não conhece seu limite de grave já que os agudos foram impecáveis. Para o músico Sérgio Lima, o que aconteceu foi um enstusiasmo. Uma emoção muito grande e que quando se está ao vivo a voz pode tremer em função de uma insegurança, pois a voz é um instrumento controlado por emoção e pela razão e fica difícil, em determinados momentos, saber a hora de usar essa catarse.

Pela televisão deu para perceber um público frio e não muito ligado ao nome e a pessoa. Ou será que foi só impressão? Não importa. O intuito ali era de arrecadar dinheiro em prol das crianças de todo o Brasil e o artista de emprestar sua imagem para conseguir mais dinheiro. Um bom epetáculo precisa de um bom público. Na verdade acho que importa sim. A 24ª edição do Criança Esperança não vendeu ingressos. Foram distribuidos para as redes de ensino estadual e municipal além do projeto "Nós no morro" e da Cufa estimando cerca de sete mil pessoas. E ai eu volto naquela de que o artista precisa de público e melhor que isso, precisa do seu público. Maria Rita não empolgou a platéia e nem todos que estavam em casa. O que faltou foi um horizonte para se olhar. Um gesto peculiar que ela encontra em seus shows. Um carinho que é dela. De pessoas que ela conseguiria levar para lá por causa do seu talento. Pessoas que nunca ajudaram, mas que faria diferente este ano. O melhor de tudo é que Maria Rita fez ao vivo a sua participação e mostrou que realmente estava engajada no projeto, apesar de não pedir que o seu fiel público ligasse para o 0800 e doasse o suado dinheiro. Devo dizer que acredito no Criança Esperança e que causas sociais são sempre bem vindas.

*http://criancaesperanca.globo.com/CriancaEsperanca/0,,17260-p-1277202,00.html

sábado, 8 de agosto de 2009

As Traças da paixão

Assisti ontem ao espetáculo As Traças da Paixão escrito por Alcides Nogueira e direção de Marco Antônio Braz no Teatro Sesiminas-BH. No elenco apenas os atores Maurício Machado e Lucélia Santos que contaram a história de um rapaz que viajava atrás de sua suposta mãe e que viveram uma paixão incestuosa que não fica clara no enredo. Nem mesmo uma atriz como Lucélia Santos, a eterna Sinhá Moça, atraiu público para a estreia do espetáculo. A casa estava vazia e a platéia morna.
O cenário é muito bom. Usam elementos reais encontrados em um boteco de interior como linguiça, garrafas e uma caixa registradora. E é exatamente ai que quero fazer uma observação. Eles usaram esses elementos realistas em cena e na hora os atores encenaram com bebidas invisíveis?! Sim porque tinha garrafa de conhaque, copo próprio para beber conhaque e mesa, mas o conhaque era de mentira. Não tinha liquido na garrafa. Elementos cênicos precisam ir de encontro com a corrente realista que era presente em quase todo o espetáculo. E não é só isso. Marinalva Revólver atirava com sua arma e o som do gatilho estava lá colocando a atuação da atriz em segundo plano. Era tosco ouvir o "cleque" da arma. E em um desses tiros, galinhas que apareciam em som e sombra em um telão são mortas e penas caíam de cima do teatro no público. Isso foi muito engraçado e desnecessário. Posso dizer que no geral não gostei do que vi. Nota 5!

Maria Rita - Perfil

Não é um novo trabalho, mas quem estava esperando uma novidade da cantora Maria Rita, a Som Livre acaba de lançar um CD que reúne canções dos seus três álbuns Maria Rita de 2003, Segundo de 2005 e Samba Meu de 2007. A quem diga que ainda é cedo uma coletânea Perfil, eu mesmo acho desnecessário neste momento, mas as lojas já estão divulgando o disco que pode ser encontrado a R$22,90 em alguns sites especializados. Para quem ainda não sabe quais músicas contemplam o Perfil, abaixo, a lista e o ano da gravação.


1. A Festa (Sobre Adapt de la Bamba) - 2003
2. Ta Perdoado - 2005
3. Cara Valente - 2003
4. Caminho das Águas - 2005
5. Encontros e Despedidas - 2003
6. Num Corpo Só - 2007
7. Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero) - 2005
8. Menina da Lua - 2003
9. Casa Pré-Fabricada - 2005
10. Maltratar, Não é Direto - 2007
11. Santa Chuva - 2003
12. Corpitcho - 2007
13. Feliz - 2005
14. O Homem Falou - 2007
15. Recado - 2005
16. Samba Meu - 2007

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Estreia hoje Fabiana Cozza em Belo Horizonte

Estreia hoje em Belo Horizonte a turnê oficial de Fabiana Cozza. " A cantora fará, em única apresentação, no grande teatro do Palácio das Artes o espetáculo "Quando o céu clarear" que é título do seu segundo disco.
Local: Palácio das Artes: Av Afonso Pena, 1537 - Centro - Belo Horizonte - MG /Cep: 30130004
Telefone: (0xx)31 3237-7399
Valor: R$10,00 (inteira) R$5,00 (meia entrada)

Lançamento.
Cantora escolheu Belo Horizonte para apresentar o show de seu segundo CD, ‘Quando o Céu Clarear". Fabiana cozza estreia turnê
por Rodrigo Soares
Fabiana Cozza é nascida em São Paulo e teve forte influência do samba desde os primeiros anos de sua vida: seu pai, Osvaldo dos Santos, era um importante integrante da escola de samba Camisa Verde e Branco (localizada no bairro da Barra Funda)..Entretanto, não será a sua cidade de origem que primeiro assistirá ao show de seu mais recente CD, "Quando o Céu Clarear". A turnê estreia, na noite de hoje, em Belo Horizonte, e o principal motivo dessa escolha é a proximidade que a sambista têm com a capital mineira.."Desde a primeira vez que fui aí, há dois anos, tive uma imensa identificação com o público. E acho que eles também tiveram comigo, afinal, são pessoas que sempre me recebem bem, que demonstram gostar do meu trabalho. Meu segundo maior público (atrás apenas de São Paulo), está aí", conta..No show, Fabiana estará acompanhada de dois mineiros: Sérgio Pererê e Maurício Tizumba. Ambos já acompanham a trajetória da cantora há algum tempo e são muito respeitados por ela."O Tizumba eu conheci através da Titane e, sinceramente, o vejo como um grande ícone da cultura mineira. O Sérgio foi pelo Tambolelê. Desde o primeiro momento quis tê-lo por perto e, hoje, com alguns anos de amizade, o considero um irmão", comenta..No palco, ela mostrará o que considera um trabalho que a "sedimentou" no cenário musical. "Se meu CD de estreia (‘O Samba É Meu Dom’), me colocava como ‘revelação’, o segundo me põe num lugar mais confortável, onde as pessoas já conhecem um pouco mais do meu jeito, da minha música, do meu estilo no palco. Há um respeito que conquistei desde o início da minha trajetória.".Show. Sobre a apresentação ser em um teatro - cenário que em muito se distancia das rodas de samba onde Fabiana foi criada -, a cantora faz questão de frisar que, na essência, a apresentação é a mesma.
Não muda, seja no teatro ou em um local aberto, sempre sou eu, o meu estilo. Mas o teatro há um ganho não só de qualidade, mas também de conforto para o público que o torna um espaço interessante", comenta ela, que após Belo Horizonte excursionará pelo país pelo menos até o fim do ano.
Futuro.
Cantora pensa em novo CD
Apesar de iniciar agora a turnê do CD “Quando o Céu Clarear”, a cantora fabiana cozza já começa a pensar em como será seu terceiro trabalho. “Acho que o espetáculo ‘Quando o Céu Clarear’ vai render muito pelos palcos do país, mas já começo a olhar algumas coisas de repertório, sobre o que pode ser interessante para um projeto futuro”, revela a artista..Uma das certezas que a cantora tem é que, “Estrela Guia” será uma das músicas presentes no próximo trabalho. A composição foi um presente de Sérgio Pererê para a intérprete paulista. .“Desde a primeira vez que ouvi essa canção, percebi que faria parte de algum trabalho meu. E, como estou entrando em turnê, é interessante cantá-la para que o público já conheça, se habitue com algo que, efetivamente, será lançado mais a frente”, comenta Fabiana Cozza, que também mostrará “Santa Bamba”, de Kiko Dinucci, outra que integrará o novo CD. (RS).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Todo dia é dia....

Tenho me sentido estranho esses dias. Não sei na verdade o que se passa. Tenho certeza apenas de que não é bipolaridade. Acontece que de repente, não mas que de repente me sinto preocupado. Viver é muito bom, mas existe pressão demais por aí. Julgamentos descabidos e alguns até cabíveis se é que querem saber. A pressão funciona comigo. Ela dura pouco, mas funciona. Mesmo porque vem outra que toma o lugar da outra e por ai vai..... O que realmente preciso dar conta é da minha personalidade. Não estou dizendo que sou duas caras. Não, não... Estou dizendo que a minha cara é essa mesma que todos vêem. Eu sou esse mesmo sempre. É que conviver com pessoas distintas é um negócio complicado. Hoje estou mais aliviado. A preocupação já é outra. É um ciclo, não adianta. Todo dia é dia de preocupação. Acho que tem alguma coisa que nos motiva. Seja qual for, mas tem. Família, amigos, amor, casamento, trabalho.... Sempre temos motivos para buscarmos a felicidade. Mas continuo me sentindo estranho... E acho que o dia em que eu me senti normal, estará tudo acabado.

domingo, 12 de julho de 2009

Eu sou a outra

Taí uma letra de música que se transforma na voz de Maria Bethânia. Música que pertence ao álbum de 1988 composto por Ricardo Galeno que pode ser visto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QU69EGEMaTQ . Música que de tão brega é atual. O brega que de tão clichê se faz presente. Que se assume, que se transforma. Simplesmente incrível. Uma letra contemporânea sempre. Que nos faz lembrar dos casos das amantes que o pai já teve. Amante que é condenada e odiada por nós quando está em nosso meio. Mas quando esquecido os casos e a história é com a vizinha, a história tem outro tom.

Ele é casado e eu sou a outra,
Na vida dele,
Que vive qual uma brasa,
Por lhe faltar
Tudo em casa.
Ele é casado e eu sou a outra,
Que o mundo difama,
Que a vida, ingrata, maltrata,
E, sem dó, cobre de lama.
Quem me condena, como se condena
Uma mulher perdida,
Só me vêem na vida dele,
Mas não o vêem, na minha vida.
Não tenho nome, trago o coração ferido,
Mas tenho muito mais classe,
Do quem não soube prender o marido.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

AMADO MICHAEL (Tom Zé)

Leia "Amado Michael", poesia de Tom Zé em homenagem a Michael Jackson

da Folha Online

O cantor Tom Zé fez, com exclusividade para a Folha Online, uma poesia em homenagem a Michael Jackson, morto na última quinta-feira (25) após uma parada cardíaca. Leia a íntegra da poesia de "Amado Michael".

Negro da luz que desbota branco
Tanto talento tormento tanto
Tanta afronta de pouca monta.
Eia! virtudes em farta ceia
Todo encanto que pode o canto
Toda fiança que adoça a dança.
Que deus nos furta vida tão curta?
Mundo lamenta: ele mal cinquenta!
A ninguém ilude essa bruxa rude.
Paroxismo desse Narciso
Que achou desgosto no próprio rosto
E apedrejou-se com faca e foice.
Avança a rua (uma dor que dança)
E em seus telhados mandibulados
Requebra os hinos do dançarino.
Niños, rapazes, se sentem azes
Herdeiros todos e seus parceiros
Revelam parque, porto e favela.
II

Da Grécia três te trouxeram Graças
Arcas repletas de belas artes
Arcas que deram ciúme às Parcas.
Que luz trarias tu, mitologia,
Para um tal desatino de destino
Que o espandongado toma por fado?
Porque o povo grego disse que
Se a hybris o herói consigo quis,
Se condiz ao lado dela ser feliz
Ele mesmo será pão e maldição
Enquanto gera para os olhos de Megera.

Me diz!

Pra que fingir
Se na verdade, assim
Você não quer mentir?

Claro, sou eu quem tô dizendo.
Sofrendo, perdendo....

E você está feliz?
Me diz!

Balance a cabeça, se sim.
Balance a cabeça, se não.
Mas balance.

Não se faz de morta
Anda, atriz!

Meu coração que corta.
Já disse, me diz!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Presente das Cozzitas


Foto: Márcio Costa

Tem como não admirar Fabiana Cozza? Não, não tem! Além de excelente cantora, Fabi, como é chamada pelos fãs, agradece no seu blog oficial (http://www.fabianacozza.blogspot.com/) o carinho que recebe do público.

"Já falei de um grupo de gente muito querida por mim que se auto-intitula "cozzitas" né?! Pois então, nos conhecemos há um ano por conta do show/gravação do DVD (que está saindo do forno logo, logo) em São Paulo, no Auditório Ibirapuera, em maio.Para comemorar esse um ano, eles prepararam um vídeo homenagem com diferentes momentos, encontros. http://www.youtube.com/watch?v=GQ8kogYNVWo&NR=1. Divido com vocês a alegria e a emoção de receber esse carinho todo. Pras "cozzitas" (meninas e meninos) meu abraço sempre apertado e agradecido!ps: Marcinho e meninas de BH, meus bonecos já estão iluminando a casa. O André mandou um beijão pra vocês e adorou o "sósia"! "

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Podem comemorar

Fonte: Divulgação
FONTE: imagem captada do DVD
Hoje faz exatamente 1 ano que a cantora Maria Rita gravou seu último DVD, Samba Meu, com direção de Hugo Prata, no Vivo Rio no Rio de Janeiro. O DVD que trouxe para o cenário musical a regravação de Não deixe o samba morrer (Edson Conceição e Aloísio), também deu vida a canções como Muito Pouco (Moska), Caminho das àguas, (Rodrigo Maranhão) e, em algumas apresentações, Santa Chuva (Marcelo Camelo). Músicas que ganharam um arranjo diferenciado para compor o ambiente do samba e que fizeram e fazem o público aplaudir e pedir muito bis. O projeto Samba Meu que se tornou sucesso nacional contempla também as canções Trajetória (Arlindo Cruz, Serginho Meriti e Franco), O homem falou (Gonzaguinha) e Num Corpo Só (Arlindo Cruz e Picolé). Vale lembrar que a cantora ganhou o Grammy latino de melhor álbum de Samba em 2008 e é uma das recordistas de vendas de CD e DVD.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ler por prazer ou por obrigação?

Mas será que a escola efetivamente educa para a leitura? Em outras palavras: o leitor formado pela escola torna-se um leitor permanente?
Essa questão merece uma discussão muito profunda, uma vez que se trata da formação de um estudante-cidadão. É claro que vários fatores teriam de ser levados em conta, mas vou tratar apenas de dois: o prazer e a obrigação.


Ler é um ato que está diretamente associado à escola. Desde pequeno quando a criança tem seu primeiro contato com o livro, já é induzida, de forma oculta, a leitura por obrigação. O mais interessante seria impor de forma natural o hábito de ler. Mesmo que obrigatório, acredito que a criança ou o adulto passam por transformações culturais dentro do imaginário. É na hora da leitura que o jogo começa.


De um lado a informação (científica ou literária) e de outro, a catarse. Sentimentos bons ou ruins são despertados no leitor e a interação acontece de forma natural dentro da obrigação. Pode parecer meio confuso, mas não é. A capacidade de "viajar" pelas páginas de um livro é algo instintivo e enriquecedor.


Ler por prazer é um processo de mutação cultural e social. Fazer o que gosta, de maneira geral, é muito bom. Em se tratando da leitura, o jogo é muito mais divertido e, nesse caso só tem um ganhador sempre, o leitor.


A escola tem por obrigação formar pessoas capacitadas tanto a ler quanto em entender o que esta lendo. Isso só não acontece por culpa dos governantes que pagam mal os professores e cia limitada e por que o hábtito de ler não vem de casa.


O âmbito familiar com leitura também forma pessoas cultas e dispostas a ler. Se os pais interagissem com seus filhos dessa forma, o obrigação, talvez, jamais existiria.

O importante é que os livros entrem para a vida das crianças antes delas começarem a ir à escola para que se tornem brinquedos e atividades do dia-a-dia. Depois, na escola, não teriam problemas com a leitura obrigada.


A escola apenas induz o hábito de ler. O gosto pela leitura se adquire com o tempo tornando-se instrumento cultural. Pessoas melhores seriam aquelas que ocupassem pelo menos uma hora do seu dia para ler e não resumisse seu histórico cultural no tempo em que teve na escola. É como se o tempo não tivesse passado e ficasse parado por lá.



*Texto escrito em 21/09/2004.

domingo, 31 de maio de 2009

ÉTICA (Wester de Castro)

Essa chatíssima da Ética
Sem cor de muito neutra
Sem ação de muito parada
Essa irritante ainda me paga
Ao troco de pagar a ela
Ética: imposto adquirido
Taxas a quitar de fábrica
Eu que tenho poucos bens
Poucos amigos e bichos
Mando a Ética as favas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Fabiana Cozza em Belo Horizonte

Fonte: Márcio Costa
A cantora Fabiana Cozza já se encontra em terras mineiras. Ontem, no período da tarde, a paulista passou o som na casa de shows Lapa Multishow, em Belo Horizonte. O show ao lado de Sérgio Pererê começa as 22 horas de hoje e promete muita animação.
R. Alvares Maciel, 312 Sta Efigênia. Belo Horizonte - MG - (31) 3241-2074




Fabiana Cozza, 31, começou sua carreira em 1996 no grupo vocal “Novella” coordenado pela cantora Jane Duboc. Em 1998 gravou no CD “Pra tirar o chapéu” de Eduardo Gudin, com quem se apresentou em shows ao lado de Ivan Lins, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Leila Pinheiro, Hermeto Paschoal, Chico César.


No teatro participou das montagens dos musicais "Os Lusíadas" (1999 – direção de Iacov Hillel), "A Luta Secreta de Maria da Encarnação" (2001 – escrito por Guarnieri). Também atuou em "Rainha Quelé - Tributo a Clementina de Jesus", "O Canto da Guerreira" e "Do Guarani ao Guaraná – 100 anos de Lamartine Babo”, dirigidos por Heron Coelho., e "Aquarelas de Ary Barroso", dirigido por Sérgio Lima.
Recentemente tem se apresentado ao lado de artistas como João Bosco, o grupo instrumental Zimbo Trio, Nei Lopes, D. Ivone Lara, Almir Guineto entre outros.
Fonte: http://www.fabianacozza.com.br/

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Satisfação do Cliente - Uma filosofia empresarial

Desde a abertura do mercado brasileiro à competição estrangeira, a partir de 1990, observam-se transformações na estratégia mercadológica das empresas nacionais. Isso vem acontecendo paralelamente à globalização das economias mundiais, demandando, das empresas candidatas à sobrevivência, aumento de produtividade, redução de custos, padronização da qualidade dos produtos e, espera-se, preços mais baixos para o consumidor final.
Entretanto, esse mercado global impõe um novo desafio às empresas: o desenvolvimento de uma vantagem competitiva sustentável, ou seja, algo que o cliente perceba como um diferencial entre o produto de uma empresa e o da concorrência. Segundo 615 executivos americanos ouvidos pelo Instituto Gallup, o atendimento de qualidade ao cliente é o que determinará o crescimento das empresas na próxima década.
Atender o cliente com qualidade, ou satisfazê-lo, é uma filosofia empresarial baseada na parceria. É fundamental compreender-se que atender o cliente com qualidade não se resume a tratá-lo bem, com cortesia. Mais do que isso, hoje significa agregar valor (leia-se benefícios) a produtos e serviços objetivando superar as expectativas do cliente. Para tal, é necessário se estabelecer um canal de comunicação direto entre cliente e empresa, através do qual o cliente é atenta e permanentemente ouvido e suas críticas e sugestões transformadas em especificações de melhores produtos e serviços, na ótica do cliente.
Essa filosofia, que prioriza as necessidades e interesses do cliente, não os da própria empresa, como se viu até então, leva ironicamente a um aumento do volume de negócios, principalmente dado à fidelidade do cliente à empresa. Ademais, estudos demonstram que, para a maioria das pessoas, a qualidade do serviço é pelo menos 8% mais importante do que seu preço; daí, consumidores estão dispostos a pagar entre 9 e 16% mais caro por serviços de qualidade.
A implementação dessa filosofia requer (1) a inversão das responsabilidades hierárquicas na empresa, passando a gerência a dar maior autonomia e apoio ao pessoal de linha de frente, e (2) a coordenação entre os departamentos de recursos humanos, operações e marketing visando à melhor seleção, treinamento e motivação da força de trabalho para que se entregue ao cliente o produto/serviço que lhe foi prometido. Em outras palavras, a empresa tem que estabelecer uma parceria não só com o cliente, mas também com seu funcionário já que sem sua cooperação qualquer plano está fadado ao insucesso.
Esgotou-se o tempo para egocentrismos e prepotência empresariais. Isso porque o poder agora está nas mãos do cliente através do seu direito de escolha. Se uma empresa não procurar conhecer seu cliente para assim atender suas necessidades e expectativas, certamente haverá uma outra na esquina ao lado que o fará. Além disso, estudos indicam que 90% dos clientes insatisfeitos com uma empresa nunca mais a procurarão e ainda comentarão sobre sua experiência negativa com 10 a 12 conhecidos. Segundo a especialista americana Joyce Sullivan, 'empresas não fazem propaganda; clientes, sim'.
A crescente difusão e aplicação do Código de Defesa do Consumidor contra aquelas empresas desrespeitosas denota a tomada de consciência do consumidor brasileiro quanto à proteção dos seus direitos individuais; entretanto, as verdadeiras conquistas se darão no âmbito do próprio mercado com o grosso dos clientes determinando a empresa que fica, e a que sai. Esse, sim, é o pleno exercício do Direito do Consumidor.
A exemplo do que já acontece nos Estados Unidos, quem sabe não vamos ver em breve no Brasil, num daqueles dias de filas saindo pela porta do banco, caixas pararem o serviço interno e abrirem para o público, assim reduzindo a espera dos clientes; ou mesmo obter-se uma carteira de motorista num período de duas horas e ainda poder tirar a foto e pagar a taxa de R$ 7,00 no próprio Detran com cartão de crédito; ou ainda receber uma carta da companhia telefônica, com um vaucher de R$ 30,00 em anexo, desculpando-se por um transtorno causado. Perfeitamente possível, desde que a satisfação do cliente se torne a norma empresarial no Brasil.
Tudo isso pode parecer irrelevante ou mesmo utópico para alguns empresários ou consumidores. Porém, tal julgamento é influenciado pelas experiências anteriores e, conseqüentemente, pelo referencial de qualidade de cada um.
*Artigo publicado no jornal O Globo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Maluquês

Hoje em dia é muito comum as pessoas ganharem nome de enlouquecidas. Isso acontece a medida em que o mundo se transforma. Na verdade, a correria e o transtorno do dia a dia, fazem com que o ser humano se torne mais estressado e sua capacidade de raciocínio seja anulada em função do cansaço. Dessa forma, frases como "olha a louca lá!", 'Fulano é louco", são muito comuns.
É claro que, em alguns casos, esse tipo de "distúrbio" pode ser fatal. É preciso, então, uma clinica especializada que atenda de maneira eficaz as necessidades do paciente. Algumas casas do ramo cobram muito caro, mas o resultado pode ser excelente.
Uma das formas de se tratar é a terapia. Utilizam instrumentos musicais como o alarme, por exemplo. O som emitido acalma e ajuda a recuperar a auto-estima.
O importante é diagnosticar os casos bem cedo. Alguns deles são depressão proveniente da rotina e outros de "maluquês" nata. É importante ainda, saber o perfil dos funcionários das casas especializadas, pois os mesmos podem ser proteínas vegetal a ponto de maltratarem os pacientes.
*Achei esse texto que fiz na época da faculdade em 17/08/04. Não sei se termina assim, mas só achei essa parte. Não sei porque fiz, mas acho que devia ter um tema na aula de Leitura e Produção de Textos III.

domingo, 10 de maio de 2009

As rosas não falam (Cartola)

Para quem ainda não assistiu ao DVD Vanessa da Mata ao vivo, assistam. Está perfeito. Vanessa no palco como nunca vi.
A interpretação da música "as rosas não falam" está simplesmente maravilhosa..


Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão, enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim.


terça-feira, 5 de maio de 2009

O Baile 2

Ainda era dia. Ela se arrumava para o baile de mais tarde. Ele, menos preocupado, também se ajeitava. Cabelo penteado. Fantasia engomada. Cabelo escovado. Fantasia na costureira. Maquiagem semi-pronta. Combinava com o tom adocicado do vestido. Tudo quase pronto para o grande dia: Faltava a permissão do pai.
--Ora, deixe a menina ir.
--Cala-te. Sua insignificância não sabe falar.
Homem severo. Coração amragurado. Sem amor. Ela chorava e implorava por um sim. Menina bonita de olhos bonitos. Educada. falava somente o necessário. Ele, ancioso, também se ajeitava. Cabelo penteado. Fantasia no corpo. Já era nove horas. Esperava um grande amor. Ele não a conhece. Não sabe seu destino. Ela já o viu na praça. Família honesta. Pobre. Ele nada sabe. Família rica era a dela. O relógio marca vinte e duas horas. Ela chega. O pai permitiu. Vestido rodado. Fantasia de princesa. Ele também. Vestia preto. Máscara atraente. Se olham. Dançam. Era tarde. Ela precisava voltar. Para ele, ainda cedo. Podia ficar. Só mais um pouco. Meia hora.
Se beijam.
--Tenho de ir.
--Não fique.
--Não poso. É meu pai.
--Quem?
--Meu pai!
--Te amo!
--Não ouvi.
--Te amo.
--Eu também.
--Não sabe quem sou.
--Sei sim.
--Quem?
--Menina bonita. Parece princesa.
--Tristeza.
--Não, princesa.
--Tristeza. Tenho de ir agora.
--Não, volta.
--Não posso. Adeus.
--A Deus, eu peço que fique. Falo com seu pai.
--Não dá mais.
Outro beijo.
Despedia. Coração apertado. Talvez em um novo encontro. Não está certo ainda.
Despedida. Coração acelerado. Certeza de um novo encontro. Tudo certo.
Grande amor. Um só coração. paixão.
Ele chora... Ela também....
Familia foi embora. Portugal.
Grande amor. Apenas um encontro.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Chorei de medo e de vergonha

Não chega ser uma chacina. As mortes são diárias e aos poucos nas periferias do Rio de Janeiro. Uma juventude deslumbrada por um poder absoluto que reina apenas a uma parte do bairro dominado. "Fogo cruzado. Eu tô no fogo cruzado. Vivendo em fogo cruzado. E eu me sinto encurralado de novo no gueto. O medo abala quem ainda corre atrás do fascínio que traz o medo da escuridão que é a vida."

Com a vontade de ganhar o mundo, traficantes medem forças uns contra os outros a fim de definir quem é o melhor. Civis que acordam cedo para trabalhar e que chegam tarde depois de um dia tomado pelo cansaço mal podem abrir os portões de casa, isso quando os tem. A vida realmente não está fácil para essas pessoas que buscam sei lá o que.

Constatei que a população ao redor do tráfico não move forças para tentar diminuir a violência e que essa já faz parte do cotidiano delas. O barulho dos tiros soam como uma batida de mais um funk carregado de apologias. Ao invés de se esconderem debaixo das camas ou em pontos mais baixos para fugir de uma bala perdida, a maioria das pessoas correm para as janelas na tentativa de encontrar o melhor ângulo para aquele espetáculo. Não sei. Me senti acuado a tal situação a ponto de perder o controle e chorar. Chorei de medo e de vergonha. “No gueto o medo ilude e seduz com o poder da cocaína. Quem comanda o sucesso das bocas de fumo da esquina.” Vi crianças armadas com metralhadoras e rádios de comunicação em plena virada de ano. Vi mãe de traficantes esnobar a vizinhança com fogos de artifícios com várias cores de Almodóvar.

“Mas a favela não é mãe de toda dúvida letal. Talvez seja de maneira mais direta e radical. O sol que assola esses jardins suspensos da má distribuição. Que arranham o céu, mas não percebem o firmamento que se banham a beira-mar, mas não se limpam por dentro.”

Vi carros roubados e largados nas ruas ao meio do dia com a chuva castigando uma cidade cheia de extremos. Sinceramente eu não sei de mais nada. Perdi o sentido da vida naquele instante. Depois dos tiros e da entrada do novo ano, a chuva continuava a castigar o Rio e, o janeiro apenas começava. A paz desejada a meia noite parecia não ser de coração ou que Deus não ouvi as preces das milhares de pessoas que são figurantes de uma novela que parece não ter fim. "Que se orgulham do Cristo de braços abertos, mas não abrem as mãos para novos ventos.” Sinceramente eu não sei de mais nada. Perdi o sentido da vida naquele instante. Vi um adolescente de não mais de dezessete anos der chamado pelo rádio a comparecer a entrada da favela para ser eliminado por ter abandonado seu posto de vigia no auge da guerra entre polícia e bandido. Vi a mãe desse mesmo adolescente comprar pão no dia seguinte na padaria da esquina. “Tô no fogo cruzado, vivendo em fogo cruzado. Entre a Bélgica e a índia, entre a Jamaica e o Japão. Entre o Congo e o Canadá onde a guerra nunca ta. Entre o norte e o sul. Entre o mínimo e o máximo denominador comum.”

*Texto escrito em janeiro de 2007. Relato de acontecimentos reais no bairro de Bangu na cidade do Rio de Janeiro. Consta a letra da música Fogo Cruzado da banda O Rappa entre aspas e itálico.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Buda Peste

Um mundo igual ao outro
Criado pelas palavras.
Descrição.
Duas visões.
Um outro.

Imagens, personagens, livro.
Dúbio. Duplo. Dois.
Você e eu.
Sujeito individual.
Coletivo.
Ambos.

Mentalidade
Mundo social
Igual a outro.

Contrapõe. O autor.
O leitor:
Alguma visão. Interpretação.
Sua vida. Minha vida.

Ideologia. Sociedade.
O público: "Puta que pariu".
Estratégia. O leitor.
Captação! Palavrão?

Húngaro. Língua diabólica.
Metódica.
Dois mundo. Um igual ao outro.
Obra literária.
Que fala.
Que pensa.
Catarse. Mundo social.
Igual.

Palavras. Uma peste.....
Interpretação dúbia.
Buda, crença.
Cidade. Juntas.
Peste-Buda.
Buda-Peste.

*Poema escrito em 18/05/2004, baseado no livro Buda Peste de Chico Buarque de Holanda, 2003.

Café e Rebu

A cama arrumada
Ela penteada, maquiada, determinada.
Antes de mais nada, ela.
Andava sozinha pela cidade.
Seu perfume barato esalava
Sem maldade,
Foram cinco borrifadas, tem idade.

Luzes acesas.
Andava sozinha pela cidade
Artificiais, cadeiras, mesas
Postes paralelos,
Neon, muito neon.

Decidiu entrar.
Entrou.
Andava acompanhada pelo lugar
Luzes acesas
Naturais, Lua, calor.

A fumaça do cigarro ao fundo
Vários olhares ao razo.

Sentou, olhou, com licença
Alguém se aproximou.
Ela permitiu. Gostou.

Unhas vermelho rebú
Colar de pérola cor de pérola.
Feita sobrancelha.

Um beijo de leve
Napolitano: Batom barato, cerveja e cigarro.

O cabelo atrapalhou o desempenho
Arrumou.
Se olharam.

Unhas café
Não usava colar
Somente seu perfume
Cinco borrifadas,
Não houve cantada.

As mãos se entrelaçaram
Café e Rebu
Como reza ou oração
A Deus pediram benção
Pra uma nova relação.

*Poema escrito em 31/07/2004 - 17:25hs

sábado, 25 de abril de 2009

Alô...Alô? Cem Anos de Carmem Miranda

FONTE: Márcio Costa
Belo Horizonte pôde se encantar ontem, 24/04/09 com o show que comemora o centenário de Carmem Miranda, em única apresentação no Palácio das Artes. Alô...Alô? Cem anos de Carmem Miranda, reuniu Pedro Luiz, Marcos Sacramento, Beatriz Faria e Roberta Sá que cantaram grandes músicas da cantora como Chica Chica Boom Chic, Disseram que voltei americanizada e Tai, Pra você gostar de mim. Esta última você confere no video abaixo.

A direção do espetáculo é de Luís Filipe de Lima que também participou tocando violão. A banda formada por Eduardo Naves (sax e flauta), João Callado (cavaquinho), Paulinho Dias e Fábio Cazes (percussão) deixaram a platéia satisfeita com a qualidade dos arranjos.
O show teve como apresentador o biógrafo Ruy Castro que, através de depoimentos, projetados em um telão, narrava a vida e obra de Carmem Miranda desde o sucesso em Hollywood e Broadway como aqui no Brasil. Os ritmos eram bem variados. A cantora cantava desde marchinhas de carnaval como 'forró" junino.
Tudo isso nas interpretações de excelentes cantores que souberam transmitir quem foi Carmem Miranda. Cantora que mais gravou músicas de Ary Barroso e Assis Valente e que fez seu nome na história da música popular brasileira. Foi a primeira artista que conseguiu atravessar fronteiras e quebrar protocolos americanos com seu jeito único de cantar. Carmem foi uma artista com um dos maiores salários e vendagens de discos no pais. Ruy Castro conta que Carmem era popular e se formou cantora nas ruas do Rio de Janeiro, na Lapa, no meio de malandros, vagabundos, boêmios, jornalistas e cronistas.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Três... Dois M’s e, um I

Imagem: Márcio Costa

Um pouco do pai.
Um pouco da mãe.
Muito dele mesmo!
Garoto levado, antenado.
De um lado, alegria na boca.
De outro, tristeza nos olhos.
Apenas um. O suficiente para enxergar! Um pouco do pai!
Um pouco da mãe!

Tem dois olhos.
Enxerga o mundo, e além.
Pensa, repensa. Um balão de gás...
... chega a flutuar.
Cai de novo.
Parece anormal.
Não é. É legal.
É mãe.
É pai.
É tia.
É prima também!
Hoje é avó!
Dessas preocupadas
Com as desocupadas.
Que ajudam a encher sua cabeça.

Teve problemas
Como todo mundo.
Veste esperança
Até o pescoço.
Somente uma orelha é do seu filho.
Pensa, repensa.
Volta atrás,
Mas continua andando. Ou será pensando?
Sabe fazer o bem como ninguém.

Esse é muito normal? É cara de pau.
Homem comum.
Com 2.
Com 3.
Com 4.
Com 5.
Sua família!
Parece nervoso,
Alinhado.
Chega tarde.
Atrasado.
Tudo bem!
A cabeça agüenta!
Ela pensa, repensa.
Veste esperança
Até o pescoço,
Mas às vezes também
Veste vermelho.

Ele toma vergonha dia
E noite.
Sol e chuva.
Chora e pede desculpa.
Coisa de pai.
Seu nariz indica algo de bom...

MALÚ

Malú!
Quem serás tu?
Moça divina
De pele clarina
Olhar azul!
Cor do céu alegre!
Dor da vida
Linda cabeça
Preto feito anu.
Quem será tu?
Malú!
M de mulher
Que sabe o quer!
Dissílabo, trivial,
M de mal
De malú.

Também tem alguém,
Não sabe que tem.
Pobre Malú.
Olhar cinza!
Cor do céu triste!
Dor na cabeça
Linda vida!
Verde feito esperança.
Quem será tu
Malú!

Tentativa

Quero aprender, procuro saber o que é mais importante na vida.
É por isso que descobri algumas coisas: o sorriso das pessoas,
O vento que bate na janela,
A música que vem de longe.
Saudades da infância.

Meu primeiro beijo sem
a tradução do dicionário.
O valor da primeira briga.
As mentiras que aparecem,
As verdades que são muitas.

Quero aprender,
Procuro saber
O que é mais importante na vida.
Solidão que me devora.
Alegria que implora por
Um sorriso meu.

Amores e desamores.
Que vão, que vem.
Uns ficam eternamente.
Outros também.
Cada um a sua maneira.

Resgato um alguém eterno
Que sempre quis meu sorriso,
Ora de alegria, ora de tristeza.
Hoje, ele tenta se encontrar
Sozinho.
Fica no ninho, sem proteção.

O mundo, agora é que devora.
Alegria que implora por um sorriso meu.

LIVRE-A-IDADE


A liberdade que arde numa fogueira de desilusões. É isso mesmo, o velho ditado ainda serve: “ninguém está satisfeito com o que tem”. Um pobre rapaz, numa dessas de admirar o tempo, questionou-se quanto à liberdade que lhe foi imposta. Por que saio a hora que quero? Por que falto a compromissos sem nenhuma explicação? O meu quarto, anda sempre bagunçado, é tudo meio engraçado.
O desejo de construir uma vida mesmo com ajuda da família ainda é um problema pra esses adolescentes que sempre tem razão. Enquanto prisioneiro da barra de uma saia, à vontade de não dormir a noite misturada com a influência do pito é sem dúvida, um instrumento de muita dor de cabeça. Eu é que o diga.
Não sabem como morar sozinhos sem o guarda que sai pra trabalhar e só chega à noite, e a gata borralheira que lhe prepara o jantar. E ainda tem parte de uma sociedade que, para eles não fazem nenhuma diferença. Ou será que eles são a diferença? “Mamãe, o fulano fez isso. Papai cicrano fez aquilo”. Pra que servem os irmãos? Para enxerem o saco. Nem sempre.
Talvez, esses jovens de pouca experiência, nessa trajetória tão peculiar e importante de suas vidas, ainda não buscaram a real identificação. Quando uma porta fechar, um não que ouvirem, o dinheiro que faltar, somente, assim, o valor virá.
Uma mistura de sentimentos irá desabar sobre suas cabeças. Chega a hora de ouvir a voz da sabedoria, que ria e até chorava em situações.
A voz de seus pais que moram lá longe, no interior seja onde for, o desabafo que consola.
Como faz falta o quarto sempre arrumado, a comida sempre pronta, o carinho do irmão, aquele mesmo que vocês tanto odeiam. Como queriam aquela briga na hora do banho.
A tal liberdade que arde numa fogueira de desilusões sempre vem acompanhada de ditos verdadeiros. “O bom filho a casa retorna” mesmo que seja só de passagem, pois o sonho tem que continuar.


terça-feira, 21 de abril de 2009

Já votou hoje?

Só para lembrar: dá pra votar diariamente! As categorias são:
Melhor Cantora: Maria Rita
Melhor Clipe: Não Deixe o Samba Morrer
Melhor Música : Não Deixe o Samba Morrer
Melhor DVD de Música: Samba Meu
Melhor Show: Samba Meu
Melhor Instrumentista: Jota Moraes (piano) ou Sylvinho Mazzucca (baixo acústico) ou Tuca Alves (violão) ou Camilo Mariano (bateria) ou Márcio Almeida (cavaquinho) ou André Siqueira (percussão) ou Marcelinho Moreira (percussão)
Já votou hoje? Acesse o site do Multishow agora mesmo!

sábado, 18 de abril de 2009

Marcelo Camelo

É impressionante como estou enlouquecido pelo Marcelo Camelo. Ele é incrivelmente incrível. Aqui cabe todas as redundâncias possíveis. Só me dei conta de que Camelo é o cara, agora. Hoje. Em tempos atuais.... Nada de Ana Júlia. Esquece. Digo hoje mesmo em 2009. Abril. Não que Ana Júlia seja ruim... É só porque Santa Chuva é melhor. Porque Doce Solidão é um poema lindo de seis estrofes que conta uma história solitária com personagens ótimos. Como uma pessoa pode dizer que estar só e ao mesmo tempo ser de todo mundo? Não é incrível!? Narrar em música a vida de casais então...... é muito bom. Só posso dizer a todos, conheçam Camelo. Descubram o Marcelo. Acho ótimo ele chamar o homem de vil. Será um auto-retrato? Não sei. Só sei que ele brinca sutilmente com as palavras, homem viu se torna homem vil. Sim, são dois homens distintos em um só. Uma mulher presa por ela mesma dentro do quarto, imagino eu. Que não quer abrir a porta e, que para ele se faz de morta. Fala sério! Isso é muito bom. Mais um motivo para eu dizer que Marcelo Camelo é um artista. Do lado de dentro é uma música que não sai da cabeça. Porque é difícil de encontrar as notas para quem não canta, é claro. A Flor... Como um gesto, uma delicadeza quando se entrega uma flor ao outro pode gerar uma desconforto. Ela achar ser de um outro rapaz.... "eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim, mas mesmo assim..." "...Minha flor serviu pra que você achasse alguém um outro alguém que me tomou o seu amor". Coitado desse moço.... Isso é o Camelo. Fala do cotidiano. Descreve o sentimento poeticamente com um rock bom de se ouvir.

Doce Solidão

Posso estar só, mas sou de todo mundo
Por eu ser só um
A nem, a não, a nem dá solidão
Foge que eu te encontro que eu já tenho asa
Isso lá é bom
Doce solidão?
(Marcelo Camelo)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Do lado de dentro

Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo
- Abre essa porta, que direito você tem de me privar desse castelo que eu construí pra te guardar de todo mal, desse universo que eu desenhei pra nós ... pra nós. Abre essa porta, não se faz de morta, diz o que é que foi. Já que eu armei tudo pra ti, já que eu cerquei tudo ao redor. Abre essa porta, vai, por favor, que eu sou teu homem... Viu. Que eu sou teu homem vil.
- Cala esta boca que isso é coisa pouca perto do que passei. Eu que lavei os seus lençóis sujos de tantas outras paixões, que ignorei as outras muitas, muitas. Vai, depois liga diz pra sua irmã passar que eu vou mandar tudo que é seu que tem aqui tudo que eu não quero guardar que é pra esquecer de uma só vez que este castelo só me prendeu, viu?
Mas o universo hoje se expandiu. E aqui de dentro a porta se abriu.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O baile 03/08/2004

Um baile. De um lado as garotas da cidade. Vestiam roupas elegantes com cores distintas. Não era permitido repetição. De outro lado, os rapazes. Todos elegantes usavam distintivos com as mesmas cores dos vestidos das damas. Ao fundo do salão surgia uma luz bela que enfeitiçava a todos. A meia noite fora servido o jantar. As duas da manhã licores e doces. As seis, um café.

Helena, uma das moças da festa usava o vestido de cor lilás. Pedro tinha o distintivo correspondente. Durante o baile dançaram e conversaram.... Surgiu uma paquera.

---Você é a mais bela da noite.
---São seus olhos.
---É verdade. Nunca vi mulher mais linda.

...............................Se beijaram........................


---Tenho de ir.
---Espera mais um pouco. Tome pelo menos o café.
---Não posso já está tarde.

Nunca mais se viram. A esperança de Helena era reencontrar Pedro no próximo baile. Ano que vem, quem sabe.

---Com licença.
---Pois não.
---Desculpe, mas a senhorita deixou cair o leque.
---Obrigada.
---Helena?
---Pedro?
---Sim, é Pedro.
---Que bom revê-la.
---Digo o mesmo. Vamos sair daqui. A música está muito alta.
---Vamos?
---Pra onde?
---Pra fora.
---Que hora?
---Lá fora, no jardim!
---Pra mim?
---Eu te amo!
---Engano?
---Não eu te amo!

Banana tipo exportação

No Brasil a discriminação acontece através da hierarquia social que é uma ideologia herdada por Portugal. Não temos como fugir disso, já é cultural. É claro que também somos produtores e transformadores da cultura por causa do nosso meio. Temos uma mentalidade de "cooperação" entre os diferentes e mesmo que passe o tempo não vamos mudar nossas ações.
Circula pela internet uma piada de muito mau gosto (olha o racismo aí) que descreve exatamente o racismo oculto por nós.

"Daiane dos Santos liga de Atenas, para sua mãe:

--Mamãe, tem ouro e prata. Qual a senhora prefere?
--Nenhum dos dois, minha filha. Prefiro mesmo é caturra."

O mesmo país que acredita e aposta em um negro é capaz de destruí-lo com a mesma intensidade. Como o caso de Daiane. Pele escura, pobre e com sonhos calcados na vitória. Bandeira VERDE e AMARELA e até as serpentinas de carnaval são válidas na hora da torcida. A Grécia se tornou pequena demais para essa "brasileirinha".

Foi esatabelecido um pacto: Os Meios de Comunicação de Massa veículam belas notícias carregadas de emoção com o intuíto de informar e de enriquecer culturalmente o povo brasileiro que compra o jornal, que assiste à TV, assina a internet e, que aumenta significativamente o faturamento desses empresas que visam à informação.

Como um país que dá a vida para garantir recordes nas olimpíadas (que na verdade chama-se "fábrica de dinheiro" ou "indústria cultural"), tem uma atitude, ora explicita, ora mascarada, a ponto de discriminar não só a pobre menina mulata, mas também a si mesmo?

É muito simples. Se Daiane tivesse ganhado, milhões de reais apareceriam em publicidade para ela e o faturamento das empresas duplicariam. O ouro é nosso! A trajetória de vida da menina de ouro seria exposta aos quatro cantos com o slogan: "Ela merece" ou quem sabe "Do Brasil para o mundo".

Nada disso. Ela perdeu. O sonho olímpico acabou. O Brasil teve um prejuízo moral muito grande. Suas crianças perderam a vontade de praticar esporte e a população inteira ganhou uma banana. Quanta hipocrisia. A macaca mór.... Morreu.

Como já dizia a música "Brasil, mostra a sua cara". O que ocorre é uma mistura de raças para a camada superior sustentar a inferior, ou vice-versa. Mas sem esquecer de uma coisa. Cada macaco no seu galho. Será esse o caso de Daiane? Para que temos de fingir que gostamos dela ou dele, disso ou daquilo se já existe uma concepção racista?

Há uma pseudo-tolerância das misturas de raças dentro dos conflitos existentes na sociedade quando se trata de aceitação. Essa mistura de raças nada mais é do que fruto de determinismo biológico que dissimula o preconceito. E não há nada mais racista do que a própria exaltação da identidade racial.

Nós tendemos a criar lendas em cima da idéia da fusão das raças: índio, negro e branco. Buscamos explicações culturais em cima dessa ideologia que na verdade mascara o conflito. Assumimos de uma vez por todas que somos preconceituosos sim e que tudo vai mudar? Ou concordaremos para sempre com os Meios de Comunicação de Masssa que não são a favor do racismo; muito pelo contrário, eles até noticiam cotas para negros em universidades?
obs: Texto escrito em 2004.

27/08/2004

Vou tentar. Não sei se consigo. Não minto. Até choro. Rio também. Não o de Janeiro, mas o fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, NOVEMBRO, dezembro. Um ano. Dois, três. Vou tentar. Eu consigo, não minto. Até Rio. Choro também...

Felicidades

Bem lá no alto,
Uma estrela
Linda, bela
Sensacional....
Linda, bela
Uma estela
Bem lá no alto.......

Eu olhei. Você olhou.
Brilhava tanto aquela estrela....
Pensei que fosse minha.
Você, sua.

Não era Natal!
Esperávamos o bloco passar...
"Bandeira branca amor"
Fantasiados para amar.

Andarilho os meus olhos
Acompanhava a bela estrela.
E ela refletia você.

Por isso pensou que era tua
E não minha.
Por isso ela é minha.

Mas como era fevereiro
Bem distante do Natal
Não poderia te desejar....
Então.... feliz carnaval.

Mas hoje é Natal
Bem pertinho do Carnaval
Por isso te desejo......

sábado, 21 de março de 2009

Chuvas, Viagens, Sovacos e Cebolas


Uma dica teatral....
Chuvas Viagens Sovacos e Cebolas
Um casal que viaja, um outro que se cheira e um casal que não se forma. Sutilezas compartilhadas em três historias que se tangem. Seis personagens que se encontram e revelam, sutilmente, suas personalidades. Uma terapeuta solitária, uma veterinária viajada e um homem que odeia mosquitos são algumas das figuras nessa peça de novelas peculiares.


Asterisco cia de Teatro, Estreia Chuvas Viagens Sovacos e Cebolas.

Asterisco Cia de Teatro

Teatro Marília - Avenida Alfredo Balena, 586 - Belo Horizonte - Minas Gerais

02 a 26 de Abril

Quinta a sábado 20h

Domingo 19h

Meia entrada: R$10,00

quarta-feira, 18 de março de 2009

Espero que no Céu não tenha TV

Ontem morreu um dos maiores artistas que eu conheço. Considero o Clodovil um artista incrível. Um cara que carregava uma história há 71 anos. Sua carreira polêmica por falar demais, e por estar ligado a moda que sofreu mudanças e se tornou cada vez mais comercial deixando a alta costura de lado. A televisão que não abre espaço para velhos mesmo talentosos..... Ontem, a Sônia Abrão ficou remoendo o programa inteiro a doença de Clodovil. Sensacionalismo demais. Me soou que ela queria a confirmação da falência dos órgãos para que pudesse, em primeira mão, anunciar a morte dele. Como se não bastasse, hoje um outro programa da mesma casa, usou e abusou de imagens e de celebridades não tão famosas como rebatedores do programa. Mais sensacionalismo..... O pior de tudo foi ver a apresentadora, que não me lembro o nome, não mesmo, sair do tom triste e ir direto para o tom grave dos merchandising com um sorriso estampado no rosto. Ou será no bolso? Aff, aff....
Gente, a televisão nos engana. Tudo, ou quase tudo que é exibido, é feito de forma a ser maior, ou seja, o fato quando narrado tem uma proporção apelativa e quase imperceptível ao grande público. A imagem narrada por esses apresentadores/jornalistas tende a ser exagerada. Eu diria que estamos na era do grotesco onde a estética do contrário é acentuada. Contrária a normalidade humana. Divulgar a morte de Clodovil, por exemplo é natural nos meios de comunicação. Mas, essa divulgação foge da estética correta, artística e jornalística. Torna-se horrível, grotesco mesmo, escandalosa, rível. A culpa disso tudo é dos programas de auditório que tomou conta da televisão mundial. Por quê? Porque a televisão dá mais valor ao que atinge a grande massa. Entende-se a televisão como empresa e ora, como comunicação. Atinge a todas as classes sociais e chega na casa de todos ao mesmo tempo. É aquela velha máxima. O ter e o aparecer são melhores do que ser. Cria a ilusão e foge do real. Ai entra uma outra história. Devemos procurar um psicólogo, talvez!? E o pior de tudo é que tem uma pesquisa (foi comentada em um livro que li, "1000 perguntas - Teoria da Comunicação" de 2005) que constatou que a audiência de alguns programas variava de acordo com o perfil do apresentador, da roupa que vestia e da forma com que falava e não por causa do assunto tratado como pauta. Fala sério!
Por isso que a morte de Clodovil virou essa bagunça na televisão. Ontem eu chorei um pouco. Choro mesmo. Me emociono. Não tem jeito. Gostava dele. Não o tinha como ídolo, mas admirava a coragem pautada na idade, é claro. Clodovil era inteligente e tinha uma boa memória. Isso me impressionava. Ele era mais interessante do que o artista convidado. Essa idéia que tenho do Clodovil não foi fruto da televisão. Muito pelo contrário. A televisão criticava o jeito irreverente, sóbrio, sarcástico e rude com que falava das coisas e pessoas. Ontem, dia 17/03/09 era aniversário de nascimento de Elis Regina e a morte de um grande homem. Conscidência? Me parece que os dois foram grandes amigos. Me lembrei de outra coisa. Hoje teve um programa de tv que colocou a imagem do Clodovil e, ao fundo, a voz de Elis cantando "Atrás da porta". A parte da música em questão era..... Quando olhastes bem nos olhos meus. E teu olhar era de adeus, juro que não acreditei.... Sabe o que me incomoda? É que mesmo sabendo que a televisão não presta, eu a assisto. É um vício assumido. Tenho visto cada vez menos, mas sempre me recorro a ela. Sou, como muitos, um ser contagiado por esse mal necessário. É nela que nos informamos.... O impresso está caro. A Revista está absurdamente no superávit. E a televisão é de graça. Só temos dinheiro para comprar a Caras. Quer saber tudo o que rola na casa mais vijiada do país? Assine o pay-per-view! Aff, aff.... O importante mesmo é saber que o banco real dá 10 dias sem juros no cheque especial. Aproveite essa mamata e assine a tv. Aproveite essa oportunidade e compre a titi. Adquira as batas brilhantes de caminho das índias. Compre o esmalte usado pela Maia e, de quebra, o brinco de ouro. Tome sorvete e beba muita coca-cola. Só posso desejar um descanso lindo ao Clodovil e torcer para que no céu não tenha televisão.

domingo, 15 de março de 2009

Como eu queria isso

Quem me conhece sabe que eu simplesmente adoro o Samba Meu de Maria Rita. Gosto do projeto. Da forma fácil que foi recebido no meio artístico, ou melhor, pelos sambistas. Gosto porque vi uma artista mais bonita no palco. Vi um dos sorrisos mais lindo do mundo. Vi uma mulher plena, feliz e realizada profissionalmente. Podem dizer tudo que quiserem.... Não vou entrar em méritos que não precisam de méritos. Deixe o troféu apenas para ela que definitivamente não vai deixar o samba morrer. Samba Meu consagra Maria Rita - MR como uma interprete ímpar. Ela sabe percorrer seu caminho como ninguém. Mesmo anciosa para subir no palco, ela é segura. Sabe o que esta fazendo. Como pode isso? É claro que seu público a deixa mais calma. Eu acho. Acho mesmo.
Mas não quero falar só de samba. Quero dizer a vocês que hoje ouvi, várias vezes, algumas das músicas mais bonitas que existe. Senti muita vontade de ver MR cantando vero, tristesse, santa chuva. Não posso morrer sem assistir um show com Veja bem meu bem, sobre todas as coisas e menina da lua. Entre outras canções que me emocionam. Agora, por exemplo, tristesse entra em meus ouvidos..... Linda, linda, linda, linda, linda..... Volta a pensar então, Maria Rita. Nos deixe mais felizes com sucessos antigos que permeiam nossos pensamentos e corações. Como eu queria isso!

domingo, 8 de março de 2009

Vamos Twittar

Esse tal de TWITTER é de fato muito engraçado. A idéia é você seguir alguém e ser seguido. Estava vendo na revista, REVISTA DA SEMANA, não me lembro qual edição, uma matéria que dizia que os twitteiros adquirem características infantis. E não é que é "verdade"? Aff para o twiiter. Eu acho, acho mesmo, que tem gente lá fazendo jabá. Não sei se é dinheiro que ganha ou se tem a conta do telefone paga todo mês durante um ano. Não é bem uma pomoção dessas de produtos para o lar. É jabá mesmo! E ter a conta do celular paga todos mês não é dinheiro? Claro que é. Como eu só acho, deixo baixo aqui. Pois bem..... O troço é todo em inglês. É uma espécie de blog. Um miniblog que comporta até 140 caracteres. Mais Márcio você até agora não disse o porquê desse tal twiiter infantilizar as pessoas.
A cientista que também é "neura" disse que a exposição repetida a flashes de imagens em programas de TV, jogos de videogame ou redes sociais pode infantilizar o cérebro, tornando-o similar ao de uma criança pequena, que se atrai por manifestações sonoras e luminosas.
Sempre que atualizo esse troço meus olhos correm em direção a quem escreveu. Mas não é só por isso não. Nos tornamos infantis porque "falamos" encurtando as palavras. Porque escrevemos como se todos estivessem interessados na conversa. Porque criamos amigos de mentira, virtual e, mais que isso. Porque quem queremos ser amigos de verdade, nos quer bem longe. Na cama tomando mamadeira. Em casa vendo TV em um dia de domingo. Somos infantis por acreditar que somos queridos por todos. Infantis por acreditar que sabemos muita coisa de muita gente e, bota gente nisso. Gente fina! Quer mais?
Infantis porque esperamos o update do outro a toda hora. Mais ainda por achar que o twitter é mais um canal de comunicação e porque a Direct Messages são para poucos. Mesmo apanhando para aprender a lidar com esse passarinho.... eu tô lá. Todos os dias. Tenho 36 followers_me, 47 following_me e 123 updates. O que a cientista esqueceu de nos dizer é que os infantis também aprendem inglês. Não importa em qual nível, mas com certeza muitos abrem o dicionário Michaelis inglês/português para traduzirem palavras. Dicionário? Aff, aff.... Estamos na era Google! Na era virtual. E porque não podemos enviar um recado on-line, um torpedo via sms, um e-mail com cópia ou um recado no Orkut? Podemos sim, oras. Tem gente que prefere o velho e bom telefonema. Quem quer economizar é melhor optar pelos recados virtuais já que pagam um absurdo de internet banda larga. Só para ficar on-line e postar nos sites de relacionamentos. Vamos ser adultos e admitir que a tecnologia nos trouxe muita comodidade. Nos poupa tempo. Nos proporciona videos incríveis e textos mais ainda.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Visite o Rio de Janeiro

Fim de semana badalado em plena Rio de Janeiro e com certeza muitas histórias tenho para contar. E porque não escrever? Porquê tô cansado. Nem precisa dizer.... Ih, ele tá igual a Maria Rita no Twitter, reclamando de cansaço. E quando tô assim, cansado, meu humor varia tanto. Não só o humor. Meu paladar também. Falando em "comida". Comi peixe uma única vez. Paguei R$3,50 em um cachorro-quente (pão com salsicha mesmo!) no Forte de Copacabana. Comprei duas (2) pêras no Supermercado zona sul (esqueci elas lá), ou seja, paguei mais não levei. Me deliciei com o famoso queijo na brasa. Resisti as espigas de milho por toda a orla. E claro, muita água e cerveja. Fiquei levemente bêbado e me joguei no bloco de Ipanema. Mas, antes estive no Cordão do Bola Preta - BP. Meu Deus! Quanta gente. Confesso que fui conferir a Maria Rita como Rainha do BP, mas fiquei impressionado com o poder do bloco. O interessante foi ver a multidão (estatística de 1 milhão de pessoas) brincando, cantando, bebendo e roubando na Avenida Rio Branco no centro do Rio. Valeu a pena? Claro! Conheci o famoso Bola Preta. Vi a Maria Rita rebolar até o chão e ainda abracei grandes amigos cariocas. Quer coisa melhor?
Se é melhor eu ainda não sei. Vi Copacabana lá do alto da Roda Gigante. Conheci Diogo Nogueira e Moisés Marques e, de quebra, dei um abraço apertado na Fabiana Cozza. Isso sim que é ter disposição. Sambei com a burguesia em massa que não se importava em pagar R$4,00 por uma lata de coca cola. Eu não sou pão duro, mas quero dizer a todos o quanto custa passar o carnaval na cidade maravilhosa. Tudo bem que o pessoal queria mesmo era tomar cerveja. Nem adianta me perguntar o preço que eu não quis nem saber. Só sei que tinha skol.

Estar no Rio de Janeiro é diferente de morar nele. Tive a impressão de que o copacabanense (morador de Copacabana) está satisfeito em morar naquele bairro. Não pelo glamour apenas, mas porque não se vê mais evolução. Nada mudou desde que estive por lá em junho do ano passado, por exemplo. Eles, os moradores, querem assim. Prédios antigos, velhos e velhas em cadeira de rodas por toda a calçada. Velhas esticadas, de batom vermelho e óculos escuro. E muito louro acobreado nos fios de cabelos das morenas. Ou são louras, ou não são aceitas. E claro, as madames e seus poodles e afins, e as babás uniformizadas empurrando os carrinhos de bebês.

Mais a frente, chegamos em Ipanema. Lugar bonito. Quero dizer, lindo. Jovens executivos exibem suas maletas de couro mesmo em pleno carnaval. Mulheres gatíssimas e gostosíssimas saíndo dos prédios modernos de um bairro que esbanja glamour e dinheiro. Ali, sim, uma cerveja custa R$5,00. É claro que eu comprei as geladíssimas do ambulante a R$2,50. Eu não moro em Ipanema. Um bairro que cresceu junto com a zona sul. Prédios modernos, bares mais ainda. Shoppings gelados com o calor do Ipanemense. Meu voto é por Ipanema! Foi eu ficar ali por cinco minutos e ver alguns famosos. Essa não era a minha meta. Aliás eu não tinha nenhuma meta. Não sei se posso dizer isso, mas a Monique Evans estava saíndo da areia quando a encontrei. Pálida, a titia concedeu um sorriso e disse: não estou bem.

Em Copacabana só tem turista! Pra não dizer que não vi ninguém por lá, Galisteu gravou uma matéria na altura do posto 5 mostrando um artesão. O cara é um gênio em fazer esculturas de areia. Ela, assim como muitos outros, mente para o público. Quer entender melhor o que estou dizendo? Assista ao programa dela pela Band (não sei se já estreou) e verá, mas veja esta matéria. Ah, ela deu ao gênio R$50,00.

Já diziam os compositores Ronaldo Barcelos e Picolé... "oportunidade não cruza o rebouças, é muito louca a vida por aqui".... o Rio de Janeiro continua lindo. Sim, a zona sul do Rio é linda. Porque vou te contar....... é muita hipocrisia. É muita pobreza. É muita desigualdade. É muito preconceito. Dois moradores do prédio que fiquei na Rua Bolivar me olharam torto no elevador. Isso porque sou turista e estava no pedaço deles. No quadrado deles, né? Vou te contar..... Como eles sabiam que eu era turista? Eles sabem de tudo. O que eles não sabem é que eu ajudo a financiar a cidade deles. Tudo bem que eu nasci no Rio, mas sou turista. Eu ajudo a por fim na crise mundial na cidade do Rio de Janeiro. Turistas injetam muita grana na economia local. Gera emprego temporário para muita gente que desce do morro para vender o melhor queijo na brasa do mundo. Neguinho vende artesanato e ainda é xingado de marginal. Tem marginal que se passa de neguinho também. Ai temos de ficar de olho! Visite o Rio de Janeiro. Jogue água no cabelo de laquê das plastificadas. Façam miau perto dos cachorrinhos de marca. Só não deixem os carrinhos de bebê caírem no chão, mas peçam o telefone das babás. Exija o documento fiscal dos bares mais caros. Não pague 10%. Deixe o troco para o ambulante. Visite o Rio de Janeiro!



domingo, 15 de fevereiro de 2009

Meu aniversário, simples assim!




Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Hoje é meu aniversario, e acordei, parei, pensei que eu queria uma coisa simples, não queria pensar demais, falar demais (vou tentar)...Eu apenas nasci? Foi a pergunta, as coisas realmente são como são? É que hoje eu estou realmente cafona, mas aniversario não é cafona, romântico e inocente? A data que se repete só no numero, na verdade ela aconteceu apenas uma vez. Mas tudo bem hoje eu preciso sersimples e cafona, me darei esse direito sem o meu alter ego me encher o saco! Hoje eu posso! Por exemplo, as frases feitas, os adágios ou provérbios que eu nunca me permito falar a não ser que eu queira ser simples assim. Estou no mundo a passeio? Acho que não, de jeito nenhum, dou umas corridinhas de vez em quando, pego no rabo do bicho, chacoalho, mordo, respondo, mato de rir e morro de raiva, de rir também, mas é preciso renascer e renascer e renascer sem se sentir estranha, é preciso fazer de tudo e com que tudo me dê uma sensação de gostoso neste mundo, é preciso estar com pessoas e em um lugar de máximo respeito, e eu devo isso a mim, sou eu quem escolhe. Não gosto de certas coisas, e não as trago comigo. Não gosto da dor, da raiva, da maluquice, do descontrole, mas, quando acontecem, eu lido com eles, e com uma certa calma. A gente corre contra o tempo, mas o melhor é que a gente correndo contra o tempo, está esgotando o tempo, esta frase é completamente errada, na verdade a gente não corre contra ele, se a gente corre a gente o mata, eu então corro para ele, engolindo-o, tomando-o, esgotando-o. Mas hoje ele não me escapa, eu o perceberei minuto a minuto.Eu me lembro outro dia que eu fazia dez anos de idade, outro dia mesmo e não é que eu tenha parado lá, ou qualquer coisa do tipo, mas eu me lembro, eu paquerava pela primeira vez e era delicioso, eu me lembro do "meu cachorro me sorrir latindo" (risos), na musica de Roberto, do Brasil inteiro cantar com a Rita Lee "Lança Perfume". Eu adorava imitá-la andando de patins perto de minha casa. Mas nessa época eu deveria ter três anos ou quatro não sei. Ih, estou regredindo! Eu estou nos trinta e poucos anos, mas é como se fosse ontem a tardinha que eu fui pela primeira vez a um cinema, que eu senti o coração transloucado e o perfume da paixão pela primeira vez e enlouqueci, e que pela primeira grande vez, eu dei os meus pulinhos e saltos adoráveis e entristeci por uma desilusão amorosa, que nasceram os meus seios irrompendo em uma dor tremenda no que antes era liso, reto, nada. Coisas da vida e de quem esta nesse mundo para viver, me lembro de quando eu saí de casa pela primeira vez por uma pretensão de viver mais todos os dias, uma vontade de buscar significado e compreensão, pela curiosidade e encaixe, coisas de quem acorda e sai todos os dias!O engraçado é que eu não me lembro tanto das outras vezes que essas mesmas coisas se repetiram com tanta empolgação, e hoje eu preciso me lembrar com o mesmo afinco de que todos os dias são uma primeira vez, um único dia, e outra frase feita, que “todo dia é talvez o ultimo dia” (risos) essa é terrível, que é preciso aprender olhando o que parece ser tudo de novo e que não é. Os amores não são a mesma coisa, por mais que pareça. A gente não sente o mesmo, por mais que pareça muitas vezes. Eu acho que muitas vezes os amores, as paixões mudam só o personagem, a doença é a mesma, a invenção é nossa, toda nossa, mas assim não é possível aprender. Por exemplo, vocês já devem ter ouvido os mais velhos e mais turrões dizerem “ah não, se antes eu não mudei, to muito velho pra mudar", frases feitas. Fácil, não? Estacionar o carro velho enguiçado e deixá-lo lá na esquina enferrujando. Eu não quero ser assim, tenho horror disso, quer dizer que se é mais velho é como se não vivesse mais, esta sentada "com a boca cheia de dentes, esperando a morte chegar?” Espere, vai dizer agora que é difícil, mas o tal do difícil é você quem esta dizendo, eu digo que é fácil e faço ser e serei uma mudança ambulante, porque se você vive você muda, e se você é inteligente e quer, você aprende, percebe e automaticamente muda. Eu quero viver aprendendo, e quando se aprende no dia a dia, se está disposto a aprender com o cotidiano sem essas bobagens todas que nos impedem, orgulho, pretensão, pragmatismo, intransigência, preguiça, etc, saber de si é a solução, perceber o que me desperta alegria, boa saudade, elegância da alma, carinho, responsabilidade. Quando se percebe o ruim, se percebe o bom e vice-versa. Cada palavra, cheiro ou som me traz um tipo de memória e essa memória muda o meu dia, me altera. E eu preciso me lembrar de aprender todos os dias, o que não é fácil, com os acontecimentos já estabelecidos, aprender no dia a dia é um luxo e uma proposta um tanto pretensiosa, mas todos somos. Pois isso me tira do meu canto já estabelecido, confortável, seguro, acomodado. É um pouco estranho porque geralmente a gente precisa do novo para ter um choque ou algum tipo de sinc que ilumine. Mas estar vivo não é estar iluminado? Eu não quero e nem precisarei de gritos da vida nem de ninguém para funcionar, para produzir, para acordar, para perceber uma coisa à frente do meu nariz. Ai vem a historia de estar feliz, me sinto feliz quando estou alerta, orgulhosa de mim, quando faço o mínimo para o meu equilíbrio, deixar as coisas ruins do passado no passado, aquela velha frase clichê que todos sabem, mas como? Sei lá, dá-se um jeito, e não vivê-los como se tivessem acontecido ontem. Pensar que só eu sou responsável pelo meu bem estar hoje, e não depender de qualquer um para isso. Tentar até conseguir, como? Sei lá, cada um tem seu jeito, quando tiver puto, pular duzentas vezes, correr cinco em volta do quarteirão, dar cambalhota na cama ou no chão, cortar a grama sua e se não bastar a do vizinho também, gritar e gritar palavras estranhas e rir de si mesmo, adorar! Ler o máximo possível, isso da um orgulho de si além de outras coisas tantas! Eu às vezes acho que se alguns seres humanos pendentes a raiva, massacrados pela magoa e fúria tivessem tido a oportunidade de se perceberem melhor, descoberto o esporte antes de seus crimes, eles jamais teriam se tornado dignos de jaulas. Suando, se exercitando a mente ou o corpo alivia a raiva, o ódio e a tristeza, quase todos sabem disso.Isso dá um alivio de si, e se faz sentir confortável no mundo. Como? É bom não pensar, se pensar muito não dá, pelo menos hoje, não pensar no sofrimento dos outros faz bem, alguém morreu, não quero saber, alguém terminou o casamento o namoro e o diabo a quatro, não quero saber, não me conte, deixe eu curtir a minha existência balzaquiana, simples assim. Fazer com que eu me orgulhe de mim, simples assim, estes são os meus cafunés próprios (risos). Rir de nada e rir de tudo. Garantir as minhas tolices e abastecimento do meu humor. O mais importante é verificar o que está parado há muitos anos, estar de “riso fácil" mas não cômodo, e não deixar que o outro provérbio "saúde o resto a gente corre atrás" seja verdadeiro, porque esse é um dos mais enganadores. A saúde é a primeira a se correr atrás, é o que mais se precisa perceber. De tudo se corre atrás, pois ninguém está aqui a passeio. Só hoje eu quero passear a vontade. Simples assim. Beijos a todos...