quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vamo nóis porque nóis é foda! (Márcio Costa)

Apesar do atraso de uma hora, Maria Rita parece não ter se importado com algumas vaias. Entrou firme e segura com uma voz encantadora deixando todos boquiabertos. As vaias foram substituídas por aplausos e gritos simpáticos como linda, bravo e maravilhosa. E foi assim. Quem não pôde comparecer dia 13 de setembro na casa de shows Freegells Hall, em Belo Horizonte, certamente perdeu uma apresentação ímpar do espetáculo Samba Meu, de Maria Rita. Esbanjando simpatia no palco, a cantora sorria, dançava, pulava e correspondia a cada olhar de seus fãs. Como a cantora mesmo diz: Vamos nóis, porque nóis e foda! Mesmo sem todos entenderem o porquê do sonoro coro “Parabéns pra você”, a casa inteira batia palmas e cantava em comemoração ao aniversário de Maria Rita no último dia 9. Ela, por sua vez, cantou e vibrou junto aos fãs que faziam coreografias vestidos com camisa que contém um símbolo bem familiar aos mineiros, a Santíssima Trindade. No lugar de Libertas quae sera tamen, estampava Botequim da Maria Rita.Homenagens a parte, o repertório seguiu quase que originalmente as canções do DVD gravado em 10 de junho no Rio de Janeiro. Ficou de fora apenas a canção "Novo Amor", de Edu kriege. O bis contou com "Num corpo só", de Picolé e Arlindo Cruz e "Não deixe o Samba Morrer", de Edson e Aluísio. A platéia no mesmo tom solicitava "Santa Chuva". Sucesso na voz de Maria Rita composta por Marcelo Camelo. Música que consta no primeiro CD da cantora, mas que não foi atendida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tempo, tempo, tempo, tempo... (Márcio Costa)

Sou do tempo em que as atrizes tinham alma. Do tempo em que arrastão era do Vinícius, e não um aglomerado de pessoas devastando tudo. Tempo em que os ponteiros do relógio buscavam o encontro do meio dia e da meia noite. Tempo em que estudante não pagava passe de ônibus e que meia entrada era uniforme escolar. Sou do tempo.
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Tempo de se redescobrir. De descobrir as pessoas e suas personalidades. De se encantar. De cantar os outros e as canções. De amar quem quer ser amado, de ser amado e amar quem quer ser amado. Tempo de rir, de ir, de vir, de ficar e de voltar. Tempo de escolhas, de controle remoto. Tempo de voltar ao tempo e de ir ao tempo. Tempo chuvoso, com sol, nuvens carregadas. Santa Chuva!
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Tempo de dar um tempo para você, para mim. Tempo de Rita, de Maria, da Mata e Regina. Tempo de Maria, Bethânia, Vanessa e Elis. Tempo das mulheres. De encontrar novas mulheres. De ouvir Cozza. De batucar e de ir ao encontro de Fabiana. Tempo de música e da música. Do tom alheio, da voz dos outros, da minha voz. Tempo da saudade. Do Lara, Dú Lara! Mariano e seu humor encantador. Saudade da Maria, da minha Maria que me encanta com seu tempo bom. Saudade do Rio. Sou do tempo que se andava no Rio sem a mãe e, daquele que ainda ria porque ainda não tinha recebido a terrível notícia.
Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo.
Saudade daquela que tem Deus como guarda chuva em dias de temporal. Santa Chuva! Lírios do Gueto, da Lucíola. Simplesmente Lú. Sou do tempo de reunião escolar. Reunião sindical. Reunião de amigos e de ideologias. Sou do tempo e sinto falta do tempo das atrizes que tinham alma. Sinto falta dela, da Rafa, Rafaela. Dela que sumiu no tempo, na maresia da Tijuca.

sábado, 6 de setembro de 2008

Trava Língua (Márcio Costa)




Ela se chama Rita. Amada por todos, Maria é estrela. Rita Ressonou Recado no Rossio. Há, há, há, foi assim que eles a conheceram. No palco a diversão, da rua uma canção, do bar constelação. Era de noite. De noitinha quando a Dona Lua chegou. Vestido preto com pedras fixadas na altura do colo, botas preta e bolsa no mesmo tom. A companheira também veio. Fez questão de dizer que estava de tênis para não cansar os pés. Franja escovada revelava outra mulher. O agasalho de praxe estava lá. Na certa coisa da mãe. Voltar para casa aquela hora não mais podia. Vou dormir na madrinha, dizia ela. E foi mesmo. Eu nem vi quando saiu. Também, estava hipnotizado pela Rita. O som tocava alto, o samba corria, a mulher usava salto, a casa enchia, ta chegando cada gato, ela dizia, e o público mão pro alto, ela sorria. Maria é Mole, é molenga, se não é molenga, não é Maria-Mole. Sabe-se lá o que vão pensar de mim. Eu sei que tava lá. Coladinho na grade, gritando Maria! E não é que a moça entrou. A Pequena do meu lado, cerveja na mão, o dedo machucado, parada? Eu não! E não mesmo. Tem um vídeo em que ela aparece dançando quase caindo no chão. Não deixe o samba morrer, não deixa o samba acabar. Mas acabou. Fomos pra fora, embora. Segurança na porta não deixava mais entrar. Por lá? Por cá? Vem Ca! Queremos voltar. A cantora ainda está lá? Podem deixá-los subir. O Rato Roeu a Roupa do Rei de Roma. A Rainha raivosa rasgou o resto. Há, há, há... O segurança vai nos matar. Que nada. Subimos escada. Plano. Fila. Descemos escada. Olha como é o camarim, o homem falou. Interessa? Sim, sim. Nos interessa ver o allstar igual ao dos sobrinhos. Se você quiser saber, Interessa? Sim, sim. Nos interessa. Uma conversa com jeitinho, um abraço e um beijinho. A sorte não é pra todos, talvez só pra mim... Interessa? Sim, sim. Uma foto no cantinho. Uma troca de carinho, a letra do Carvalhinho e o sorriso que diz sim. Interessa? É coisa malemolente, nem mala, nem mola, nem Maria, nem mole. É Roberta, Dona Sá. Tem mais gente que gosta, traz docinhos pro jantar.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Repeat (Márcio Costa)



Fonte: Márcio Costa
Caminhando a caminhada calmo. Pedras, bichos e pessoas. Mais pessoas que pedras e bichos. Ouço música ao fundo, por do sol postal, mais ninguém. Aperto a função repeat. Lembrei das tardes da minha infância. Lembrei da tarde da Mata, onde tudo era moreno demais e os planos dela se misturavam com ele. Planos precoces e platônicos.
No máximo volume, continuo a caminhada calmo. Mais pessoas que pedras e bichos. Outrora, fiz uma canção pra declarar minha saudade. Descobri que amo as Gerais e seu povo alegre. Continuo a trajetória. Nasci na cidade do samba e não o tive. Aqui, aprendi a amá-lo como ele deve ser amado. Conheci mais pessoas que pedras e bichos. Troquei o dia pela noite e a noite pelo dia. Não importa. Conhecia a Rita, a Maria. Não importa. Conheci a música que me faz bem e que me deixa leve.
Fico até quando o céu clarear. Vou ao encontro de pessoas e não de pedras. Faço vídeos sem medo da vergonha e das falas alheias. Não me importo. Vou ao encontro de Cozza e seu batuque bom. Corro para vê-la, a estendo em meu repeat, conto para todos, mostro para você, te dedico, me encanta.
Sou do tempo da música de hoje com muito da de ontem, do jazz, da saudade, daquela que tem Deus como guarda chuva em dias de temporal. Santa Chuva! Precisava repetir isso. Repeat, repeat, repeat. Amo essas mulheres, estou no tempo delas.
Então... Resolvi aceitar a sugestão da minha amiga Lu e criei este blogg. Denominado, Casa dos Xiitas, aqui podemos trocar informações, conversar, opinar e discutir tudo que acontece ao nosso redor. Família, amigos, música, cinema e, claro, sobre nossos encontros pelos botecos de Belo Horizonte.

Feito para nós, fiquem a vontade e divirtam-se.