terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Saudade

Belo Horizonte, 31/12/2008.
Queria Luciana Cezário!
Escrevo para dizer o quanto te sinto. Ao longe, um pouco longe. Na verdade vou recomeçar esta carta.
Beijos. Beijos. Beijos,
Márcio Costa
Começo pelo fim, pois a minha maior vontade é de te dar um beijo. Sim. Sentir sua face rosada e ainda me conceder um apertado abraço. Tem coisas que não precisam ser ditas, mas quero falar. Dizer que lembro sempre das conversas e experiências. Obrigado por me ouvir. Por me achar ridículo quando fui, mesmo afirmando que não. Que me respeitava. Eu tenho certeza que aquele que rir é porque ainda não recebeu a terrível notícia. Como as coisas mudam, não? Como as pessoas vão, não é mesmo? Esqueçamos as certezas, então... Alguém as tem?! Mas continuo dizendo que pé-ssoas se vão. Pé sobre pé. Outras correm mesmo. De medo. De vergonha. Outras ficam de orgulho. Não sei enxergar um mendigo e não me lembrar de você. Não pela tregédia, apesar que é por ela que me faz presente a memória. É pelo significado de uma conversa nossa. Talvez só nossa. Isso é lindo! Lembrar de um conversa só nossa. Sempre te achei forte. Já te disse isso? Já me coloquei em seu lugar. Te admiro, Lu!
"Márcio, tô com um aperto no peito, uma saudade sincera ao pensar em você! Esses dias um amigo me ligou, eu pensei que era você! Pensei: porque não ligo eu??? Resolvi: Vou ligar. Até agora não liguei, né? Mas pretendo cumprir esse combinado que fiz comigo mesma! Vc faz falta, é verdade! Um beijo grande, adoro muito você! Entro em contato em breve! Bjo bjobjo! "
Amigos não precisam de telefonemas. Amigos precisam de amor! E é isso o que sinto por você. Não me entristeço quando não é você quem liga. Choro com quem, de fato não me ama. Ou com quem de fato, se quer pensa em me ligar.
(A preposição "em" indica lugar, causa. O pronome pessoal "me", refere-se a mim. A preposição é o contrário do pronome e vice-versa enquanto palavra e não significado - Gostei disso).
Em tempo.
29/12/2007

"Lú, a vida é mesmo assim. Eu também falho, e às vezes penso que nem falha é, é rotina. Só pensamos que falhamos porque queremos estar mais perto e não podemos. O amor fica dentro da gente... Mostrar que gosta não precisa de telefone e de contato diário. Basta gostar. Um carinho preenche.... e depois sentimos tudo de novo, porque a rotina esvazia incondicionalmente."
É isso! Conscidência ou saudade?
Ps: Pedro disse que minha moral está baixa com os ex-adeusbia. Adorei o termo, mas fiquei me questionando sobre. Lembrei da festa aqui em casa que estou devendo. Coisas do Mariano mesmo. Grande amigo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo!


Às vezes fico incomodado com algumas leituras. Pouco me importo com o que dizem a meu respeito quando o assunto é ler. Leio o que quero e o que me chama atenção. Não vou folhear livros para dizer que sou cult. Tem gente que faz isso que sei. Muitas vezes lia páginas amarelas de catálogo telefônico. Minha alegria era chegar no Rio de Janeiro e abrir um catálago digno de ser ler, enorme. Em Itabira o catálogo era pequeno talvez como a cidade que nunca me sorriu com honestidade. E se conto isso é porque tenho lembranças. Desta forma digo que a nostalgia tem serventia. Como este ano foi bom! Sem pensamentos arraizados na hipocrisia social. Para mim o mundo é uma hipocrisia, mas o que posso fazer se choro quando vejo a desgraça alheia? Mas o que adianta chorar se eu não posso ajudar? Hipocrisia a minha também. Me incomoda essas verdades que julgam verdades. Pessoas que ajudam por que sabem que Deus um dia vai estender a mão. Durante anos carrego um sentimento que de fato não tem explicação. Não sei lidar com deficientes físicos que necessitam de ajuda quando entram no coletivo. (Nada contra os deficientes) Não sei ajudá-los. Na hora sempre penso que o quê deveria ser um gesto natural, solidário, na verdade daquele instante, se torna forçado e logo penso na possível ajuda que terei um dia. Ajuda Divina mesmo. Então, essa verdade torna-se falsa. Não faço. Não consigo. Me constrange. A idéia de generosidade se converte em enganação. Assim se dá para outros casos que não vem ao caso agora. Como disse em outra ocasião, dezembro tem dessas coisas. De nos fazer pensar. E olha que o ano ainda não acabou. Temos mais uma festa pela frente. O branco fica na moda. Se torna a vedete no último dia do ano. Temos 364 dias para declarmos que não temos preconceito, e 1 dia para dizer que o branco tem seu lugar. Conscidência? Pouco importa se ele engorda, se é mais caro. O branco é amuleto de sorte e aproxima as pessoas na conversa no intervalo no trabalho. Ninguém quer saber da retrospectiva que passa tradicionalmente na Globo. O resumo de A Favorita é esquecido. Vamos falar dos modelos de nossos vestidos. Sim porque a cor é branca. Paz. Desejo a Paz sempre, mesmo que em um único dia. Desejo a Paz sempre, mesmo que por trás te dou o bem e velho tapinha nas costas. Feliz Ano Novo! Vai ser assim. Somos capitalistas e pronto. Tentamos ser melhores, mas a correria do dia nos deixa apático, alheio a tudo. Menos ao branco clássico de fim de ano. Esse não morre nunca. Vem acompanhado de acessório prata, preto, amarelo, vermelho.............

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Vinte e quatro de dezembro....

Então.... É Natal! Esta semana fiquei muito emocionado com uma senhora. Ela comprou um vestido e me perguntou o que achava. Disse a ele que tinha ficado lindo e que era de verdade o comentário. Ela disse que nunca havia comprado uma roupa que ficasse como aquela, certa sem nenhum ajuste, sabe? Enquanto ela se trocava senti uma emoção tão forte com a presença dela. Uma coisa inexplicável que raramente eu sinto. Uma vontade de chorar e botar para fora toda minha angústia. Era um sentimento bom. Pedi a ela um abraço que me foi correspondido com a mesma intensidade. Chorei e chorei..... Os olhos saltaram e envermelharam na hora. Meu Deus, eu disse. E assim ficou meu dia, mais leve, mais feliz e muito pensativo. Dezembro tem dessas coisas. De mexer com a gente. Eu sempre ficava angustiado e triste no Natal. Este ano foi bem diferente. Estou feliz com tudo que aconteceu. Com meus amigos, com minha família, até com o trabalho que não está fácil eu estou feliz. E que venha 2009. Que venham mais natais, mais música boa, mais amigos. Tô aqui escrevendo outro momento meu e, ao mesmo tempo, conversando com uma querida do Rio. Me ofereceu cerveja, amarula e ice. Escolheria a primeira opção, mas resolvi optar pela ice em homenagem a outras queridas amigas daqui de Belo Horizonte. Voltando.... Jeny, querida. Feliz Natal! Obrigado pelo carinho e pela ice gelada. Esse troço de msn funciona, né? Nos aproxima mesmo tão distante. E viva a geografia, Dona Laura. Serve para a gente ter saudade. Me fez lembrar de uma música que é mais ou menos assim..... "Preguiça que eu tive sempre de escrever para a família. E de mandar conta pra casa que esse mundo é uma maravilha. E pra saber se a menina já conta as estrelas e sabe a segunda cartilha. E pra saber se o menino já canta cantigas e já não bota mais a mão na braguilha". Acho que é isso mesmo. Ah, tenho que dizer que acabei de ficar surpreso. Sim Dona Tati me ligou da fazenda onde passa seu Natal familiar. Não esperava essa ligação. Fiquei muito feliz! Obrigado, Vó mais linda do mundo. E a menor também.....

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ela é meu carregador

Não consegui conciliar os dias dos shows de dezembro com meus compromissos. Que pena!!!! Mas ainda quero completar meus 10 shows SAMBA MEU!!! Falta 1, pô!!!! Será que vai ter mais ano que vem??? A Dona Maria sempre me deixa feliz. Hoje, por exemplo, fiquei até mais tarde na cama e fiquei conversando comigo e com Deus... Depois cochilei um pouco e acordei (...) Liguei o "som" que fica no meu banheiro e coloquei a Maria para tocar.... Dancei e cantei embaixo do chuveiro.... Pronto. Fui correndo trabalhar com energia, sabe? Ela é meu carregador. Nunca imaginei isso um dia na vida. Quando criança, sim, tinha ídolos. Depois de adulto, aff. Muito legal!!!
Hoje, onde trabalho, apareceu uma mulher que ficou olhando de fora do stand e virou tanto a cabeça que a convidei pra entrar. Ela, meio sem graça, disse que viu a foto da Maria Rita e que queria saber do que se tratava. (Sim, tenho um pôster que ganhei na Tournê Samba Meu em São Paulo colado na parede) Pois bem. Disse a ela que era fã da Maricota e que além do pôster tinha também uma foto autografada no porta-retrato. A mulher ficou louca e dizia: "Eu sou fã dela", "Nossa ela canta muito e eu adoro ela". "Fiquei pensando, será que aqui tem alguma ligação com a Maria Rita?" Adoro essas histórias. Sempre acontece isso. Tempo atrás entrou uma cliente que afirmava para uma amiga que a Maria Rita havia feito lipospiração na barriga. Ai eu entrei na conversa dela e disse que não. Ela continuava afirmando. Quando a cliente viu sobre a mesa a foto e eu ali do lado da Maria... Ela disse: " Ai, meu Deus! Você é parente dela, né?"Hahahaha...... Adorei quando ela disse isso. Me senti, né??? Ai eu fui até o final. Sim, sou. E ela não fez lipo coisa nenhuma, tá? Hahahahahahaha... Pronto. Parente da Dona Maria nem em sonho. Prefiro ser fã mesmo. É mais emocionante.
Beijos....

domingo, 23 de novembro de 2008

São Paulo



Estou em São Paulo pela segunda vez. A primeira foi há alguns anos. Conheci o centro da cidade, o Masp e a Bolsa de Valores e ainda fiz umas compras na vinte cinco com os amigos da faculdade. Desta vez é diferente. Vim para trabalhar e me divertir ainda mais. Minha programação, claro, inclui Fabiana Cozza, Maria Rita e Seres Cantantes. Tímido nesta cidade cinza e friorenta, pelo menos até agora está assim, fui acolhido por umas meninas um tanto quanto gritantes.... Cozzitas Xiitas Seres Cantantes Gritantes, o que acham? E por ai vai.... Recebi tanto abraço e tanto beijo e uma lata recheada de Sonho de Valsa de presente. O bombom preferido da Dê! Quinta feira fui até a Praça da Sé assistir o show da Fabiana... Ela estava linda com um vestido vermelho rodado..... Muita gente aplaudindo e cantando com ela. Foi um show em homenagem ao dia da Consciência Negra. Perdido no meio do povo, a Karú, produtora da Cozza em Belo Horizonte, me viu e me chamou me dando um abraço..... Depois fui embora. É tão ruim estar sozinho, né? Ai, ai.....

Ver a Maria não tem explicação. O show de sexta feira começou morno e esquentou com Muito Pouco. Ela estava simplesmente perfeita no palco. Feliz, animada e sorridente. Reconheceu todos os fãs lá de cima e com gestos e olhares comprimentava um por um. No fim do show ela nos recebeu com tanto carinho que dava até gosto de ver. Autografou, conversou, sorriu, explicou sobre o Grammy, sobre o Japão..... Meu Deus! Linda, linda de verdade. Linda como nunca!

Ontem o show foi ótimo também. Ela deu bronca na gritaria com toda a educação que encontrou. Ela se jogou no palco. E como somos insistentes, ficamos na espera.... Vem, vem, Maria vem! E ela veio.... Fiquei tão feliz. Ela autografou minhas fotos e a camisa do BOTEQUIM DA MARIA RITA MINAS GERAIS.... Dedico as minhas amigas LAURA, FLAVIA, LU, TATI E RAFA. Outra coisa, ela disse que o presente que demos no show em BH está na sala da casa dela. Ainda fez a posição da estátua que era uma mulher com braços para trás que entitulamos Santa Chuva.


Foi mais ou menos isso. Ah! Me perdoem e me permitam dedicar a minha viagem a passeio a Flavita. Sem palavras o carinho dessa mulher comigo. Fofa, preocupada e divertida. Ouviu o show da Maria pelo celular e se emocionava do outro lado. Ficava na espera de uma foto e de uma novidade fresquinha até eu chegar em casa depois do show. Lindo, lindo.... Patroa... obrigado por gostar de mim, por ser honesta, por ser divertida, por me ouvir, por dividir comigo a minha própria alegria aqui nesta cidade e principalmente por confiar em mim. Só nós entendemos nossas suspeitas, anseios, aflitos e sempre o amor pela Maria.


E minha viagem a trabalho dedico a Lú. Obrigado por cuidar de tudo ai com carinho. De ficar na espera de "coisas" novas. Das novidades que irão nos deixar ainda mais animados no dia-a-dia. Na labuta que está apenas começando.


Beijo a todos.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Catarse

Ontem fiquei assustado comigo. Assisti um video em que um jornalista anunciava a morte de Elis. De repente me peguei em lágrimas e soluços. Foi tão forte que fiquei triste durante o dia inteiro. Desliguei o computador e liguei a televisão. Fiquei por lá cinco minutos. Levantei e liguei novamente o computador. Queria vê-lo (o video) com outros olhos. Fui tomado pela catarse. Meu Deus!, que sensação estranha essa. O choro veio e a tristeza aumentou. Comentei com uns amigos sobre as imagens, mas nenhuma conclusão cheguei. Porquê razão de tanto sentimento? Me senti tão próximo da família, dos fãs, da multidão que estava lá. Há tantos anos e agora se faz presente. A vida é engraçada mesmo. Hoje estou ótimo, cheio de idéias e vontades.... Sou um pouco assim, nostálgico. Alguns dizem que sou bastante nostálgico. Gosto de ser assim. Muitas vezes fiquei deprimido, sem ação e sem força, mas o tempo, no sentido de dias, anos, horas e que envolve a noção de presente, passado e futuro, está me fazendo bem. Muito bem....

Ah, eu descobri um motivo.... Pertinente demais e que me cabe muito, menos aqui. Não o motivo que são vários.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Bate Bola com Fabiana Cozza



Para terminar, o último bloco da entrevista de Fabiana Cozza.... Obrigado a todos pelo carinho a mim concedido e a Fabi, que foi muito generosa, simpática e amiga.

Abraços,
Márcio Costa

Fonte Foto: Márcio Costa

Comida - Tudo que seja caseiro e bem temperado. Não consigo jiló.
Cor – Vermelho e Verde
Amor ou paixão – Amor é profundo. Paixão é vendaval. Diferentes.
Signo – Capricórnio com Virgem e Lua em Câncer, pra amenizar.
O que mais gosta na profissão? - A possibilidade de encontrar pessoas maravilhosas
Uma gafe – Esquecer o nome das pessoas. Isso acontece sempre.
Você prefere "Quando o céu clarear" com a luz do sol ou com a luz da lua? (noite ou dia?) - Sou muito solar. Gosto de clarear a noite.
Música – todas que me façam chorar
Tem algum ritual antes de subir ao palco? - aquecimento corporal, vocal, maquiagem e reza com a equipe. Pedido de licença e depois, sonho.
Quem ou o que te emociona? - A dignidade humana
A pergunta que não quer calar. Você está namorando? - Campo minado!!! hehehehe
Filme – Cinema Paradiso
Xiitas – Surpresa boa de 2008. Gente muito querida.
Programa de TV – Ensaio, do mestre Fernando Faro, TV Cultura.
Religião – Respeito as que pregam a maior doutrina do mundo: o Amor. A minha, o Candomblé.
Cantor ou cantora – Todos os que sangram um pouco,
Satisfação pessoal ou retorno financeiro? - Na ordem perguntada: satisfação pessoal e conseqüentemente, retorno financeiro.
Fabiana por Fabiana – "Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar..."

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Segundo Bloco Entrevista Fabiana Cozza


Obrigado a todos pelas manifestações de carinho. Agradecimento em especial a Fabiana Cozza, nossa Fabi, pela generosidade de me conceder esta entrevista. Este blog é para isso. Publicar as emoções, trocar idéias, falar sobre música, cantoras e amigos... Dependo de todos vocês para o sucessso da nossa casa, a Casa dos Xiitas.

Beijo forte,
Márcio Costa

Fonte: Márcio Costa

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Continuação - Segundo Bloco - Pauta Entrevista Fabiana Cozza

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Márcio: O funk está sendo muito divulgado pelas emissoras de rádio e TV. Antigamente, era preciso telefonar para as rádios e pedir insistentemente para tocar as músicas na tentativa de fazer com que o artista se tornasse mais conhecido. O que você pensa sobre isso. Para ter espaço tem que ser fruta?
Fabiana: Não sou fruta, mas sou guerreira. Não acredito nos produtos midiáticos instantâneos, filhos de modismos, da degradação da beleza, da ridicularização e banalização do corpo etc etc. Eles não têm consistência artística e não duram. Estou há 12 anos na estrada e tudo o que conquistei foi respaldado pela música brasileira da qual sou devota acompanhada das pessoas que confio e tenho admiração: músicos, compositores, produtor, diretor de cena, dançarinos que me preparam, figurinista, toda a minha equipe. O público que me conhece e freqüenta os shows me dá esse mesmo respaldo e pede que eu siga nessa “voz”. A crítica tem “lido” meu trabalho de forma muito cuidadosa, respeitosa e fico feliz com isso. O mesmo público que citei acima tem me ajudado a vencer algumas barreiras de visibilidade pedindo as músicas, divulgando meu trabalho pela Internet. No meu caso, a combinação de um trabalho que acredito + público fiel + boas críticas tem feito minha estrada ainda maior.



Márcio: A crise financeira americana tem sido pauta em todos os veículos de comunicação. Aqui no Brasil, o medo é que o país pare de crescer, logo diminui emprego e renda. Você acha que seremos afetados já que o dinheiro para de circular? Isso pode prejudicar de alguma forma o mercado cultural?
Fabiana: O mercado cultural sofre já há algum tempo com a crise financeira mas, a maior crise, é a falta de prestígio que educação e cultura têm quase em todo o mundo. No Brasil, Cultura ainda é encarada apenas como Entretenimento e não desenvolvimento educacional, identidade cultural, exercício da cidadania. Esse é nosso maior prejuízo.



Márcio: Eleições e um monte de roupa suja sendo lavada em programas políticos exibidos pela televisão. Você é uma cidadã politizada e acompanha as plataformas de seus candidatos?
Fabiana: Acompanho tudo e fico envergonhada com as plataformas e estratégias de marketing adotadas pelos coordenadores de campanha e aceitas pelos candidatos. A vida pessoal tornou-se palanque eleitoral. Há uma guerra pela desmoralização do outro com reforço do preconceito social, étnico, religioso, sexual. Isso é intolerante para conquistarmos um ambiente de cidadãos saudáveis moralmente, honestos, pacíficos.



Não percam o terceiro e último bloco ainda esta semana...

sábado, 25 de outubro de 2008

Fabiana Cozza pede passagem....


Chegou a hora.... Ela pede passagem pra incensar sua música com dignidade. Isso mesmo.... Quem tem Deus no coração e só traz felicidade... Fabiana Cozza ..... mostra sua verdade!

Vou postar para vocês a primeira parte da exclusiva entrevista que a cantora Fabiana Cozza concedeu para o blog Casa dos Xiitas e para a comunidade no Orkut: No boteco com Fabiana Cozza.

Sucesso de público e principalmente de crítica, dois Cd's na carreira e um talento que é para poucos, ela nos conta um pouquinho sobre a profissão e a arte de cantar.
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Márcio: Quando Fabiana Cozza pisou pela primeira vez no palco?
Fabiana: Em 1997, ao lado da cantora Jane Duboc e de um grupo que ela criou, a partir do Festival de Inverno de Campos do Jordão de 96. Era um grupo vocal chamado Novella.
Márcio: Fabiana, no programa Vozes do Brasil, você canta a música "Samba pras moças", de Zeca Pagodinho e acrescenta a rumba que é tipicamente cubana. Qual sua relação com a Cuba?
Fabiana: De muita paixão. Respiro Cuba já há muitos anos: seus artistas, história, cultura, culinária. Mais recentemente tive a oportunidade de gravar meu segundo CD com duas participações especialíssimas Julio Padrón (trompetista) e Yaniel Matos (pianista). Durante a convivência, encontros musicais e ensaios percebi o quanto cubana sou. Um dos projetos futuros é gravar algo em Cuba, com os rumbeiros e quem mais eu "ganhar de presente por lá".


Márcio: Em seu primeiro CD, você o intitulou como o "Samba é meu Dom". Percebemos que você sobressai muito bem em outros gêneros da música. Porque o samba como início já que seria "óbvio", uma vez que nasceu no samba?
Fabiana: Eu não escolhi o samba e sim o contrário. Desde berço, com meu pai e seus amigos que iam à casa de minha avó, na Vila Madalena, batucar e "me ensinar" sobre o "riscado". É herança, fui tomada por um amor que tenho por ele.


Márcio: Ainda no primeiro disco, você guardou um espaço enorme nos agradecimentos para seus amigos. É um CD para eles (seus amigos)?
Fabiana: No dia-a-dia me esforço e, acredito que a música tenha me ensinado ainda mais sobre isso, a conjugar o verbo sempre na pessoa "Nós". Não faço nada sozinha, sem meus amigos. São a minha família e me ajudam a olhar o mundo com mais alegria, discernimento e força pra seguir adiante.



Márcio: No CD "Quando o Céu Clarear", percebo uma Fabiana mais focada na música e menos participativa na elaboração do disco. A produção contou com profissionais como Marcelino Freire e Marcos Paiva. Foi um trabalho seu mais direcionado para o canto? Como é a Fabiana produtora?
Fabiana: Participo de todas as etapas de criação para concretizar o que sonhei, num primeiro momento, só. Aí compartilho o sonho com o Marcos Paiva, falo das imagens, sensações, cheiros, personagens, lembranças que as canções me sugerem para que ele componha, por sua vez, o universo musical rico em belas harmonias, timbres. Marcelino vem para traduzir o som em imagem, cores, fotos e outros parceiros que ele encontra e que também chegam para nos ajudar a finalizar o trabalho como um todo.


Márcio: Em São Paulo temos Eliana de Lima que já foi intérprete da Escola de Samba Leandro de Itaquera. Você tem alguma pretensão em ser intérprete da Camisa Verde e Branco? Existe alguma cobrança já que seu pai Osvaldo Santos foi um dos puxadores da escola?
Fabiana: Tenho a maior admiração pelos intérpretes de samba-enredo e fico muito emocionada ao lembrar que sou filha de um tetracampeão paulista. Porém, isso precisa de talento. E acho que esse não tenho. Enfrentar um desfile de 1h, 1h20 é briga de gigante. Deixa pro pai.


Márcio: Você gravou este ano um DVD ao vivo. Como surgiu esta idéia?
Fabiana: Ao receber os "sim" (ns) dos amigos Maria Rita, Rappin Hood, Chico César, Quinteto em Branco e Preto e Yaniel Matos para participarem dos shows no Auditório Ibirapuera, onde foi gravado o DVD, pensei: "não posso perder a chance de registrar esse momento". Aí, entrei em contato com a TV Cultura, emissora que sempre me recebeu de braços abertos e propus uma parceria ao Paulo Markun, presidente da TV, e ele topou.


Márcio: A cantora Maria Rita fez participação especial no DVD em duas canções, "Malandro Sou Eu" (Arlindo Cruz, Franco e Sombrinha) e em "Trajetória", (Arlindo Cruz, Franco e Serginho Meriti). De quem foi a escolha das músicas e como surgiu o convite?
Fabiana: A sugestão das canções foi minha com a anuência da Maria que adora ambas. O convite surgiu de uma conversa nossa pela Internet. E ela, como sempre muito generosa, aceitou de primeira.

Márcio: Tem data prevista para o lançamento do DVD?
Fabiana: Abril de 2009.


Márcio: Com quem tem vontade de dividir o palco?
Fabiana: Com muita gente, sobretudo com aqueles que admiro profundamente: Milton Nascimento, Leny Andrade, Elza Soares, Alcione, Gilberto Gil, Adriana Calcanhoto, Nana Caymmi, Cesar Camargo Mariano, Luiz Melodia, Wilson Moreira, Chico Buarque, Lenine, Sergio Pererê, Omara Portuondo, Chucho Valdés, Lokua Kanza, Salif Keita, Miriam Makeba, Buika, com o Grupo Corpo, com os dançarinos Fanta Konatê e Rui Moreira (MG)... a lista é longa...



Márcio: Sabemos que além de cantora, você também é atriz. Existe algum musical em vista?
Fabiana: Não, só os que sonho e que ainda estão guardados no coração... Um deles será uma homenagem ao Milton Nascimento e ao presente cultural-musical que as Minas Gerais deram ao Brasil.


Márcio: Você é jornalista por formação, mas a ligação com a música e com o palco é muito forte e falou mais alto. E a Fabiana compositora onde fica?
Fabiana: Ela fica nas cartas que escrevo para alguns amigos. Não tenho pretensão de compor. Não sei.


Márcio: Recentemente você esteve em Paris e em Berlim divulgando seu samba e a nossa música brasileira. Como é feito o contato para cantar lá fora e como é o público?
Fabiana: Tenho um empresário (Daniel Lima) que batalha minha carreira no Brasil e fora com alguns parceiros. O público de Paris e Berlim me recebeu com muito calor e amor. Estou completamente encantada e saudosa deles. Como tudo foi bom demais, voltaremos para a Europa em maio/2009.


Márcio: Você fez algumas apresentações em Belo Horizonte. Participou da Noite do Griot, cantou com a banda Bantuquerê e encantou a todos com uma presença forte descendo do palco e indo pro meio do povo na Festa do Tambor Mineiro. Fez um workshop abordando respiração, dicção e etc... Ficou por lá (BH) aproximadamente 20 dias. Qual sua relação com Minas Gerais?
Fabiana: De amor profundo. Chego em Belo Horizonte com o coração na boca todas as vezes e tenho a maior tristeza ao voltar. È uma crise sempre. Uma saudade constante, antiga. Ainda moro em BH!!!


Márcio: Você tem conquistado cada vez mais um público fiel. Que vai aos shows, que te divulga que entende o seu som. E você, conhece o seu público?
Fabiana: Conheço os que me procuram depois, me escrevem, pedem partituras, perguntam sobre os shows futuros etc etc. Procuro atender as pessoas com muito carinho sempre, dentro da correria louca dos compromissos profissionais.



Entrevista em três blocos realizada entre 15/10/2008 a 23/10/2008. Aguardem o próximo bloco na semana que vem...


Obrigado Fabi pelo carinho sempre,

Márcio Costa

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sábado



Oi pessoal!




Não percam neste sábado o primeiro bloco da exclusiva entrevista que a querida Fabiana Cozza me concedeu....






Opinem....



Forte abraço,
Márcio Costa

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A VITÓRIA é nossa.

Foto: Márcio Costa

É isso ai..... Nossa querida Maria Rita homenageou os fãs em seu site oficial ao escrever sobre o show em Vitória-ES.
Como fã que sou, registro aqui minha gratidão e meu obrigado pelas lindas palavras. Onde eu puder ir, vou estar. Gosto disso. De ver a presença dela em cada cidade, de acompanhar a reação dela com diversos tipos de fãs. De ver o corre-corre da produção em cima do palco. De ver como o Julian cuida bem da Maria lá em cima. De ver a Ana Paula, depois de tudo pronto, se jogando no samba. De ouvir os comentários das pessoas nas filas. De perder muita água depois de pular, cantar e dançar. Gosto da minha felicidade no show. A Vitória é nossa que somos fãs dessa menina inexplicável. Gosto da felicidade dela e dos olhinhos puxados em cada sorriso.




20.10 - Diário turnê
"Rio, 20 de outubro de 2008.
Sábado o show foi em Vitória, ES. Fiquei tão feliz! Fazia mais de uma semana que não fazíamos o show, e já estava ficando com saudades dos meninos (banda + equipe), das músicas, do palco, enfim!
Mas o show foi uma delícia. Sabe-se lá quantas mil pessoas estavam presente??? (Tubarão falou em 5mil!!!! Mas eu sou péssima com essas coisas, pra mim parecia uma multidão muito maior...) Todo mundo cantando, participando, do jeito que eu gosto. Houve vários momentos que vi um casal que estava mais pro fundo da galera sentada nas mesas, do meu lado direito, se levantando e dançando... Isso me deixa feliz: casais felizes! O cara usava uma camisa listada de azul escuro e, acho, amarelo, e abraçava sua dama com tanto carinho que cheguei a ter inveja! Foi bonito de ver...
E a galera do Boteco, vi todos lá, lá pro fundão, mas animadíssimos! Marcando ponto, né galera??? Incrível... Fiquei feliz. Só não rolou atender no camarim por sugestão da segurança. A saída era complicada... Acharam-achamos-melhor eu sair direto, pra não botar ninguém em risco de se machucar... Uma pena, todos os shows em Vitória rola isso, mas a alegria do público me contagia de forma tal que, acredito, saem todos satisfeitos! Num próximo show na cidade, vou pensar em uma solução plausível para esse problema... Vamos ver.
Se vocês me permitem um recado pessoal para as fãs Dani e Julia: muito obrigada pelas lindas flores... E O que mais... De Vitória é mais ou menos só isso mesmo: fiquei tomada pela alegria da galera, pelos casais dançando, pelas "bocas cantantes" (teve uma moça de vestido verde que levantava os braços pra cantar junto, achei lindo!).
Obrigada, mais uma vez, pelo carinho e por mais um show memorável...
Fiquem com Deus... Paz MR

PS1.: Pra quem vai votar neste domingo, muita atenção e consciência, hein?
PS2.: depois eu conto como foi CANTAR COM O PAULINHO DA VIOLA!!!!!! (e aquela banda incrível!!!!!!!!!)
PS3.: EU CANTEI COM O PAULINHO DA VIOLA!!!! (e aquela banda incrível!!!!!!!)
PS4.: ainda esta semana vou postar meus comentários sobre um livro que terminei de ler e um que estou lendo, que vale a pena. E mais alguns discos que estou revisitando... Falta editar um pouco os textos...
PS5.: EU CANTEI COM O PAULINHO DA VIOLA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"
Fonte: www.maria-rita.comImagem

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

De volta ao Brasil..... Fabiana Cozza!


Olá pessoal! Como aqui falamos de música e, diga-se de passagem, música boa, a querida Fabiana Cozza, de volta ao Brasil, me concedeu uma exclusiva entrevista. Não percam as histórias, curiosidades e datas de shows de Fabi. Ela nos conta sobre a carreira, Maria Rita, Samba e relação com os fãs.


Ainda há tempo de fazer sua pergunta. Envie para o e-mail marcioc@oi.com.br com seu nome e cidade e confira na íntegra a resposta aqui, na Casa dos Xiitas!


Forte abraço,

Márcio Costa

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vamo nóis porque nóis é foda! (Márcio Costa)

Apesar do atraso de uma hora, Maria Rita parece não ter se importado com algumas vaias. Entrou firme e segura com uma voz encantadora deixando todos boquiabertos. As vaias foram substituídas por aplausos e gritos simpáticos como linda, bravo e maravilhosa. E foi assim. Quem não pôde comparecer dia 13 de setembro na casa de shows Freegells Hall, em Belo Horizonte, certamente perdeu uma apresentação ímpar do espetáculo Samba Meu, de Maria Rita. Esbanjando simpatia no palco, a cantora sorria, dançava, pulava e correspondia a cada olhar de seus fãs. Como a cantora mesmo diz: Vamos nóis, porque nóis e foda! Mesmo sem todos entenderem o porquê do sonoro coro “Parabéns pra você”, a casa inteira batia palmas e cantava em comemoração ao aniversário de Maria Rita no último dia 9. Ela, por sua vez, cantou e vibrou junto aos fãs que faziam coreografias vestidos com camisa que contém um símbolo bem familiar aos mineiros, a Santíssima Trindade. No lugar de Libertas quae sera tamen, estampava Botequim da Maria Rita.Homenagens a parte, o repertório seguiu quase que originalmente as canções do DVD gravado em 10 de junho no Rio de Janeiro. Ficou de fora apenas a canção "Novo Amor", de Edu kriege. O bis contou com "Num corpo só", de Picolé e Arlindo Cruz e "Não deixe o Samba Morrer", de Edson e Aluísio. A platéia no mesmo tom solicitava "Santa Chuva". Sucesso na voz de Maria Rita composta por Marcelo Camelo. Música que consta no primeiro CD da cantora, mas que não foi atendida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tempo, tempo, tempo, tempo... (Márcio Costa)

Sou do tempo em que as atrizes tinham alma. Do tempo em que arrastão era do Vinícius, e não um aglomerado de pessoas devastando tudo. Tempo em que os ponteiros do relógio buscavam o encontro do meio dia e da meia noite. Tempo em que estudante não pagava passe de ônibus e que meia entrada era uniforme escolar. Sou do tempo.
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Tempo de se redescobrir. De descobrir as pessoas e suas personalidades. De se encantar. De cantar os outros e as canções. De amar quem quer ser amado, de ser amado e amar quem quer ser amado. Tempo de rir, de ir, de vir, de ficar e de voltar. Tempo de escolhas, de controle remoto. Tempo de voltar ao tempo e de ir ao tempo. Tempo chuvoso, com sol, nuvens carregadas. Santa Chuva!
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Tempo de dar um tempo para você, para mim. Tempo de Rita, de Maria, da Mata e Regina. Tempo de Maria, Bethânia, Vanessa e Elis. Tempo das mulheres. De encontrar novas mulheres. De ouvir Cozza. De batucar e de ir ao encontro de Fabiana. Tempo de música e da música. Do tom alheio, da voz dos outros, da minha voz. Tempo da saudade. Do Lara, Dú Lara! Mariano e seu humor encantador. Saudade da Maria, da minha Maria que me encanta com seu tempo bom. Saudade do Rio. Sou do tempo que se andava no Rio sem a mãe e, daquele que ainda ria porque ainda não tinha recebido a terrível notícia.
Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo.
Saudade daquela que tem Deus como guarda chuva em dias de temporal. Santa Chuva! Lírios do Gueto, da Lucíola. Simplesmente Lú. Sou do tempo de reunião escolar. Reunião sindical. Reunião de amigos e de ideologias. Sou do tempo e sinto falta do tempo das atrizes que tinham alma. Sinto falta dela, da Rafa, Rafaela. Dela que sumiu no tempo, na maresia da Tijuca.

sábado, 6 de setembro de 2008

Trava Língua (Márcio Costa)




Ela se chama Rita. Amada por todos, Maria é estrela. Rita Ressonou Recado no Rossio. Há, há, há, foi assim que eles a conheceram. No palco a diversão, da rua uma canção, do bar constelação. Era de noite. De noitinha quando a Dona Lua chegou. Vestido preto com pedras fixadas na altura do colo, botas preta e bolsa no mesmo tom. A companheira também veio. Fez questão de dizer que estava de tênis para não cansar os pés. Franja escovada revelava outra mulher. O agasalho de praxe estava lá. Na certa coisa da mãe. Voltar para casa aquela hora não mais podia. Vou dormir na madrinha, dizia ela. E foi mesmo. Eu nem vi quando saiu. Também, estava hipnotizado pela Rita. O som tocava alto, o samba corria, a mulher usava salto, a casa enchia, ta chegando cada gato, ela dizia, e o público mão pro alto, ela sorria. Maria é Mole, é molenga, se não é molenga, não é Maria-Mole. Sabe-se lá o que vão pensar de mim. Eu sei que tava lá. Coladinho na grade, gritando Maria! E não é que a moça entrou. A Pequena do meu lado, cerveja na mão, o dedo machucado, parada? Eu não! E não mesmo. Tem um vídeo em que ela aparece dançando quase caindo no chão. Não deixe o samba morrer, não deixa o samba acabar. Mas acabou. Fomos pra fora, embora. Segurança na porta não deixava mais entrar. Por lá? Por cá? Vem Ca! Queremos voltar. A cantora ainda está lá? Podem deixá-los subir. O Rato Roeu a Roupa do Rei de Roma. A Rainha raivosa rasgou o resto. Há, há, há... O segurança vai nos matar. Que nada. Subimos escada. Plano. Fila. Descemos escada. Olha como é o camarim, o homem falou. Interessa? Sim, sim. Nos interessa ver o allstar igual ao dos sobrinhos. Se você quiser saber, Interessa? Sim, sim. Nos interessa. Uma conversa com jeitinho, um abraço e um beijinho. A sorte não é pra todos, talvez só pra mim... Interessa? Sim, sim. Uma foto no cantinho. Uma troca de carinho, a letra do Carvalhinho e o sorriso que diz sim. Interessa? É coisa malemolente, nem mala, nem mola, nem Maria, nem mole. É Roberta, Dona Sá. Tem mais gente que gosta, traz docinhos pro jantar.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Repeat (Márcio Costa)



Fonte: Márcio Costa
Caminhando a caminhada calmo. Pedras, bichos e pessoas. Mais pessoas que pedras e bichos. Ouço música ao fundo, por do sol postal, mais ninguém. Aperto a função repeat. Lembrei das tardes da minha infância. Lembrei da tarde da Mata, onde tudo era moreno demais e os planos dela se misturavam com ele. Planos precoces e platônicos.
No máximo volume, continuo a caminhada calmo. Mais pessoas que pedras e bichos. Outrora, fiz uma canção pra declarar minha saudade. Descobri que amo as Gerais e seu povo alegre. Continuo a trajetória. Nasci na cidade do samba e não o tive. Aqui, aprendi a amá-lo como ele deve ser amado. Conheci mais pessoas que pedras e bichos. Troquei o dia pela noite e a noite pelo dia. Não importa. Conhecia a Rita, a Maria. Não importa. Conheci a música que me faz bem e que me deixa leve.
Fico até quando o céu clarear. Vou ao encontro de pessoas e não de pedras. Faço vídeos sem medo da vergonha e das falas alheias. Não me importo. Vou ao encontro de Cozza e seu batuque bom. Corro para vê-la, a estendo em meu repeat, conto para todos, mostro para você, te dedico, me encanta.
Sou do tempo da música de hoje com muito da de ontem, do jazz, da saudade, daquela que tem Deus como guarda chuva em dias de temporal. Santa Chuva! Precisava repetir isso. Repeat, repeat, repeat. Amo essas mulheres, estou no tempo delas.
Então... Resolvi aceitar a sugestão da minha amiga Lu e criei este blogg. Denominado, Casa dos Xiitas, aqui podemos trocar informações, conversar, opinar e discutir tudo que acontece ao nosso redor. Família, amigos, música, cinema e, claro, sobre nossos encontros pelos botecos de Belo Horizonte.

Feito para nós, fiquem a vontade e divirtam-se.